logo PlantasdoBrasil

Mascote Piska
Você sabia que...Que o gênero Inga é encontrada em todo território nacional?

Principais Unidades Fitogeográficas do Estado do Paraná

Luciano Farinha watzlawick *
Daniel Saueressig **

1 - Introdução(topo)

A Região Sul, formada pelos Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul que, juntos possuem uma superfície de aproximadamente de 577 800 km2, limitando-se, ao norte, com os Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, a oeste com Paraguai e a Argentina e, ao sul, com Uruguai, ao leste, com uma extensão de 1350 km, é banhado pelo Oceano Atlântico.

Cerca de 19100 km2, da área regional corresponde à superfície líquida interna e aproximadamente 558700 km2 é ocupada pelas formações vegetais, pois 60% da cobertura florestal era formada por florestas e os 40% restantes de outros tipos de vegetação não caracteristicamente florestais, tais como formações campestres e pioneiras (LEITE e KLEIN, 1990).

A vegetação da Região Sul tem uma longa história de pesquisas isoladas e localizadas, conforme LEITE e KLEIN (1990), tanto no caráter florístico quanto fitofisionômico. A caracterização dos componentes de um sistema, segundo WISNIEWSKI et al. (1997) assim como dos processos resultantes da interação entre eles, são fundamentais para que se conheça seu funcionamento, e se possa avaliar as implicações qualitativa e quantitativas da interferência antrópica na sua autossustentabilidade.

Exatamente por constituir relações bastantes estreitas e independentes entre os componentes físicos e bióticos entre as regiões fitogeográficas ou fitoecológicas na Região Sul o presente trabalho tem por objetivo descrever de maneira sucinta as unidades fitoecológicas do Estado do Paraná.

2 - As Regiões Fitogeográficas(topo)

Cerca de 83% da superfície original do Estado do Paraná, segundo MAACK (1968) era ocupada por florestas, os demais 17% eram formados por formações campestres (campos limpos e campos cerrados), restingas litorâneas, manguezais e várzeas.

Cerca de 83% da superfície original do Estado do Paraná, segundo MAACK (1968) era ocupada por florestas, os demais 17% eram formados por formações campestres (campos limpos e campos cerrados), restingas litorâneas, manguezais e várzeas.

  • a) Floresta Atlântica: situada na porção leste do Estado, definida praticamente em toda a sua extensão pela barreira geográfica natural da Serra do Mar;
  • b) Floresta com Araucária: situada na porção oeste da Serra do Mar, ocupando as porções planálticas do Estado em média entre 500 a 1200 m N.M.M, sem influência direta do oceano;
  • c) Floresta Pluvial: este tipo de floresta está presente nas regiões norte e oeste do Estado e nos vales dos rios formadores da bacia do rio Paraná, abaixo de 500 m N.M.M. A flora está condicionada a um período com baixa precipitação pluviométrica, quando 20 a 50% das árvores do dossel perdem suas folhas;
  • d) Campos limpos ou campos campestres: ocupam cerca de 14% da superfície e ficam geralmente localizados nas porções mais elevedas dos três planaltos paranaenses;
  • e) Campos cerrados: estão localizados nas regiões norte e nordeste, ocupando cerca de 1%;
  • f) Restingas, manguezais, várzeas, campos alpinos e vegetação das rochas: essas vegetações estão distribuídas esparsamente em função de condicionantes ambientais e edáficos.

Partindo da premissa que a partir da década de 70 no Brasil, com a utilização das técnicas de sensoriamento remoto (imagens de radar e de satélite, fotografias aéreas, imagens de vídeo, dentre outras) revolucionou os levantamentos sobre cobertura vegetal (RODERJAN et al. 1993), bem como o projeto RADAMBRASIL que teve como objetivo fazer levantamento dos recursos naturais do país e o uso de novas tecnologia tanto que, VELOSO et al. (1991) atualizou e reenquandrou alguns conceitos no que se refere sob ponto de vista fitogeográfico no Estado do Paraná.

A Figura 1 mostra as regiões fitogeográficas do Estado do Paraná modificado, IBGE (1992) e VELOSO et al. (1991).

Em uma breve análise comparativa, segundo (RODERJAN et al. 1993), pode ser salientado que Maack delineou o mapa fitogeográfico do Estado do Paraná, diferindo basicamente na terminologia utilizada. Embora o quadro da vegetação definido pelo o autor acima na década de 50, apesar das dificuldades e recursos técnicos da época, constitui ainda o mais preciso em bem elaborado documento a respeito, servindo como referência até os dias de hoje.

Regiões Fitogeográficas do Estado do Paraná Figura 1 - Regiões Fitogeográficas do Estado do Paraná.

3 - Classificação das Regiões Fitoecológicas (topo)

Segundo o IBGE (1992), esta classificação deve ser usada em todas as escalas desde a classe até a subformação, pois o ¨sistema primário natural¨ necessita apresentar toda a hierarquia das formações. A partir daí pode-se determinar as comunidades que serão detalhadas nas escalas maiores que 1:25.000, primeiro na fitossociologia seguida ou não de estudos ecológicos.

3.1 - Sistema Primário (topo)

Estão incluídos todos os ¨tipos de vegetação¨ ou Regiões Fitoecológicas brasileiras, Formações Pioneiras, os Refúgios Vegetacionais e as faixas de Tensão Ecológica dos contatos entre duas ou mais Regiões Fitoecológicas.

3.2 - Sistema Secundário (topo)

São aquelas áreas onde houve intervenção humana para uso da terra (IBGE, 1992), descaracterizando a vegetação primária. Essas áreas, quando abandonadas do uso antrópico, a vegetação que surge reflete sempre os parâmetros ecológicos do ambiente.

4 - Regiões Fitoecológicas do Estado do Paraná (topo)

4.1 - Classificação das Áreas de Formações Pioneiras(topo)

Segundo IBGE (1992), a expressão Formações Pioneiras é usada para denominar o tipo de cobertura vegetal formada por espécies colonizadoras de ambientes atuais, áreas subtraídas naturalmente de outros ecossistemas ou surgidas em função da atuação recente dos agentes morfodinâmicos e pedogenéticos (LEITE, 1994). As espécies ditas pioneiras, desempenham importante papel na preparação do meio à instalação subseqüente de espécies mais exigentes ou menos adaptadas às condições de instabilidade ambiental e de alta intensidade luminosa.

Formações pioneiras são formações vegetais em fase inicial de sucessão, com ecossistema dependentes de fatores ecológicos instáveis (LEITE et al., 1974 apud LEITE, 1994).

A formulação do conceito das Formações Pioneiras, conforme LEITE (1994) fundamenta-se no processo natural de expansão da cobertura vegetal sobre ambientes naturais, ou seja, isento de ação antrópica, onde geralmente a flora pioneira é pouca diversificada, bastante específica, e adaptada ou com significativa tolerância às condições de instabilidade natural dos parâmetros ambientais.

Ao longo da costa e em depressões aluvionares (pântanos, lagunas e lagoas) ocorrem vegetações que recobrem terrenos normalmente instáveis, a qual chama-se de vegetação primária em relação a ocupação edáfica (solo marinho), esta vegetação, possui plantas adaptadas aos parâmetros ecológicos do ambiente pioneiro (IBGE, 1992).

4.1.1 - Formação Pioneira de Influência Fluviomarinha(topo)

A vegetação de Formação Pioneira de Influência Fluviomarinha, conforme RODERJAN et al. 1997, e composta pelos manguezais (Figura 3) e campos salinos, desenvolve-se nos pequenos rios, canais e margens de baías atingidas pelas correntes quentes de água salgada, condicionada a substratos de elevada salinidade e deficiência de oxigênio.

Formação Pioneira de Influência Fluviomarinha (manguezal).

Figura 2 - Formação Pioneira de Influência Fluviomarinha (manguezal).

Os campos salinos, ocorrem na presença de planícies salobras e de represamento da água do mar pelos terraços dos rios, caracterizados por densas populações de Spartina montevidensis (praturá) e Crinum salsum (ceboleiro), que ocorre em especial na foz de rios, sendo uma planta herbácea com 1,0 a 1,5 metros de altura, característica por seus bulbos e pelas suas flores alvas e vistosas. Ocorrem ainda a Acrotichum aureum, Salicordia virginica, Limonium brasiliense, Paspalum vaginatum, dentre muitas outras espécies de herbáceas. A Figura 2, mostra um Campo Salino com Spartina montevidensis.

Campo Salino com Spartina montevidensis.

Figura 3 - Campo Salino com Spartina montevidensis.

No mundo, existem em torno de 56 espécies pertencentes a manguezais e a + ou - 20 gêneros diferentes, sendo que nem todos são iguais. Possuem um ambiente simplificado sobre o ponto de vista estrutural e florístico, sendo dominado pela química do solo.

No estabelecimento de um manguezal, as gramíneas são as primeiras a se estabelecer, dando condições para que as espécies ocorrentes nos manguezais se estabeleçam, dentre as espécies de gramíneas a Remiria é a mais importante em função de sua agressividade.

As áreas de manguezais do sul do Brasil possuem a ocorrência de apenas 3 espécies: Laguncularia racemosa (mangue-branco), Rhizophora mangle (mangue-vermelho) e Avicennia schaueriana (siriúba), as quais pertencem as famílias Combretaceae, Rhizophoraceae e Verbenaceae respectivamente. As três espécies monopolizam estes ambientes em função de serem halófitas facultativas, ou seja, espécies que vivem em ambientes aquáticos com alta concentração de sal, o quê não ocorre com a vegetação circundante.

A Laguncularia racemosa (mangue-branco), possui um aspecto muito importante, suas raízes além da função respiratória, possui em função de instabilização de ambientes, como e o caso de um frontal a baía, que possui alta energia que ao invés de ficar matéria orgânica, silte e argila, somente ficando areia. Assim nestes ambientes podem se estabelecer espécies que possuem este artifício, lançando raízes que ocupam locais de maior energia, fixando-se e dando condições para que outras espécies venham a colonizar o ambiente.

Os mangues, encontram-se em ambientes favoráveis a ocorrência desta vegetação, desde o estado de Santa Catarina até o limite com a Guiana Francesa; prosseguindo pelo resto da América Tropical, chegando a Flórida, sendo muito comuns nos trópicos do Velho Mundo, na Ásia Central e Austral, chegando à Austrália e ao Pacífico (RIZZINI, 1992). O mesmo autor relata que são encontrados ao longo de cursos de água e em torno de calmas baías, onde terminam estuários fluviais, bem como para o interior, em torno de brejos e lagoas. Durante a maré alta encontra-se alagado, na maré baixa, exime uma lama fina rica em raízes, destacando-se as raízes respiratórias (pneumatóforos). Possuem dois fatores ambientais que limitam e especializam a vegetação do mangue: o conteúdo salino e a carência de oxigênio.

No Brasil, a ocorrência de manguezal limita-se desde 30o N até 30o S, possuindo uma variação neste intervalo em função da ocorrência de águas quentes (correntes quentes) e condições químicas do solo, não possui a salinidade de um frontal marinho nem tão pouco possuem tão pouco sal como às águas dos rios. Os manguezais ocorrem no encontro de águas salgadas com às águas dos rios, determinando ambientes de certa calmaria como ambientes de desembocadura de rios, baías, etc. O estado do Rio Grande do Sul, não possui a ocorrência de manguezais em função da predominância das correntes frias ¨Malvinas¨.

Do ponto de vista fisionômico, o manguezal é basicamente, uma formação floresta ou, conforme CAMARGO et al. (1972) uma formação arbóreo-arbustiva. Suas peculiaridades são bem definidas, não possui sub-bosque, possui outros tipos de vegetação em função do efeito da maré, por causa da saturação de água, desenvolvem raízes respiratórias. Estas raízes são fortes, ficando sempre posicionadas acima da maré. Pelo sistema de classificação adotado pelo IBGE (1992), não é uma floresta, mas sim, um ambiente de Formação Pioneira de Influencia Fluviomarinha, seria uma floresta se possuísse vários estratos, não possuindo o predomínio de uma única espécie ou de poucas espécies, tendo uma grande diversidade, o termo mais correto seria de chamar de mata, para áreas que ocorrem pouca diversidade.

Os manguezais, em função da altura média do dossel e da densidade da população arbórea podem ser agrupados em duas fisionomias distintas, o mangue baixo e o mangue alto. (RODERJAN et al. 1997)

Nos trabalhos realizados pelo mesmo autor acima citado, pode-se observar na Figura 4, que o mangue baixo apresenta apenas um estrato arbóreo, possui altura média entre 3 e 5 metros, ocorre a predominância de Laguncularia racemosa (mangue-branco) com 84,31 % das árvores, apresentando os troncos inclinados ou quase horizontais, comumente surgem três ou mais brotações verticais. Enquanto que a Avicennia schaueriana (mangue-siriúba) e a Rhizophora mangle (mangue-vermelho) são esporádicos, com diâmetros relativamente pequenos e o dossel irregular. A densidade de indivíduos é em torno de 2.700/ha, possuindo uma área basal de 20,83 m2/ha.

Regiões Fitogeográficas do Estado do Paraná Figura 4 - Perfil esquemático do mangue. (RODERJAN et al. 1997)

Conforme podemos observar na Figura 5, no mangue alto a espécie dominante é a Avicennia schaueriana com um dossel situado em torno de 9 a 10 metros de altura, em um estrato imediatamente abaixo encontram-se a Laguncularia racemosa e a Rhizophora mangle. Nos registros de RODERJAN et al. 1997, a densidade de plantas por hectare é de 1445 indivíduos/ha, apresentando uma área basal de 23,946 m2/ha.

Perfil esquemático do mangue alto. (RODERJAN et al. 1997) Figura 5 - Perfil esquemático do mangue alto. (RODERJAN et al. 1997)

No estado do Paraná, foram encontrados indivíduos de até 30 cm de diâmetro, apresentando 14 m de altura, extremamente retos, com um crescimento razoavelmente bom, no entanto há uma heterogeneidade muito grande nos diversos ambientes, ocorrendo indivíduos razoavelmente pequenos e em outros bem desenvolvidos. A densidade de indivíduos é muito grande em termos médios em diâmetros acima de 5 cm em torno de 2.000 a 3.000 por hectare, em casos extremos este número pode chegar até 13.000 indivíduos. Não chamamos de indivíduos por hectare, chamamos troncos, em função do sistema de propagação.

Quando relacionamos dados de área basal (secção transversal), já foi encontrado locais onde os valores chegam a 80 m2/hectare, valor este considerado altissímo, em geral os valores estão em torno de 5 a 12 m2/hectare, muito exporadicamente 30 m2/hectare. Ao observarmos os espaços ocupados pelos troncos, o percentual de ocupação e menor que 0,05 % de um hectare ocupado com a secção transversal destes troncos.

Nas bordas dos manguezais, em transição, por sua vez, ocorrem comumente outras espécies entre elas temos Hibiscus pernambucensis (Malvaceae), Spartina ciliata (Gramineae) e Maytenus alaternoides (Celastraceae), ressalta-se que essas espécies não são exclusivas da bordadura de manguezais.

A ocorrência de epífitas nos manguezais e muito pequena, porém a presença de vida animal e intensa, como larvas de peixes, crustáceos, bem como a avifauna existente.

Como em todo o ecossistema florestal possui a absorção de nutrientes, quando as folhas tornam-se senil, assim como galhos e indivíduos que caem, acontecendo mais freqüentemente com as folhas, avaliando-se estes valores através da serapilheira (restos de vegetais acima do solo), estes valores estão em torno de 12 toneladas/hectare/ano de material seco, não sendo computada a água. Em função das folhas terem uma longevidade menor, elas possuem a maior participação na formação da serapilheira, entre 70 a 80 % o restante e composto de ramos e galhos.... A decomposição, diferente de outros ambientes se da de uma forma muito rápida, o processo de fragmentação e decomposição, pelo menos da meia vida quando em contato com a água em torno de 30 dias.

O mau cheiro e causado pelo acúmulo de matéria orgânica, que acaba tendo concentrações de enxofre, que ao entrar em contato com o ar reage formando o gás sulfídrico, exalando o mau cheiro característico de manguezais.

O solo assume diferentes tipos, desde glei até orgânico, possui PH que vai desde 4,0 a 8,8, apresenta variações enormes em relação aos teores de matéria orgânica de 0 % até 40 %, não é arenoso devido ser um ambiente de baixa energia, em função de não estar em um frontal marinho. São ambientes dinâmicos, receptores de matéria orgânica, a qual e originada de toda malha hídrica que vem do continente, de certa forma acaba sendo um ¨depósito¨ de matéria orgânica.

Para RACHWAL & CURCIO (1994), os solos de manguezais são frágeis de origem sedimentar flúvio-marinha, geralmente por material areno-síltico-argiloso, ricos em matéria orgânica, hidromórficos, salinos, com alta capacidade de troca de cátions e elevada condutividade elétrica. Ocorrem na foz de rios em ambientes flúvio-marinhos em locais de águas tranqüilas, em função dos mesmos estarem sujeitos ao fluxo e refluxo das marés, tornam-se extremamente instáveis, necessitando da proteção constante da cobertura vegetal original, os autores ressaltam que não devem ser destituídos de sua cobertura vegetal, em hipótese alguma. Abaixo da superfície do solo é um emaranhado de raízes que se forem retiradas a água leva tudo embora, tendo o mangue uma função de estabilidade de bordadura de baías e rios.

4.1.2 - Formação Pioneira de Influência Marinha(topo)

As comunidades que recebem influência direta das águas do mar, sendo afetadas pelos efeitos da maré, são classificadas segundo o IBGE (1992), como de Formação Pioneira de Influência Marinha, as denominadas restingas que cobrem a maior parte da planície arenosa. Conforme RODERJAN et al. (1997), a fisionomia esta intimamente associada às condições ambientais de salinidade e das características pedológicas desfavoráveis.

O mesmo autor relata que nas Formações Pioneiras de Influência Marinha há uma grande variedade de ambientes integrados, dentre os quais merecem destaque, pela maior importância fisionômica, a faixa de praia, as dunas instáveis e as fixas, áreas aplainadas e plano-deprimidas. No ambiente de praia, pobre em vegetação, em função da instabilidade e do elevado teor de salinidade (fatores impeditivos da formação de solo), encontrando-se poucas espécies.

Nas Formações Pioneiras de Influência Marinha, denominadas de restinga, possuem os tipos herbáceo, arbustivo e arbóreo de vegetação, procurando contemplar as principais variações fisionômicas observadas desde as praias até os pontos mais interiores da planície costeira. O autor relata que são incluídas neste tipo, as comunidades ocorrentes nas praias, dunas e sobre parte da planície costeira, nos setores com cordões litorâneos bem definidos onde variam desde formações herbáceas, passando por arbustivas até florestas úmidas.

Freqüentemente o termo restinga, com significado bastante diverso é associado a estas planícies, hora significa o tipo de vegetação que recobre-as, hora o próprio sistema substrato-vegetação como um todo. Tanto restinga como planície litorânea ou costeira freqüentemente são empregados de forma pouca precisa, embora tenha ocorrência mais ou menos expressiva em quase toda a costa brasileira (SUGUIO & MARTIN, 1990).

A maioria das regiões de planícies foram formadas por sedimentos terciários e quartenários, depositados em ambientes marinho, continental ou transicional, freqüentemente associadas a desembocaduras de grandes rios e/ou reetrâncias na linha da costa, intercaladas por falésias e costões rochosos de idade pré-cambriana, sobre os quais assentam-se eventualmente seqüências sedimentares e vulcânicas acumuladas em bacias paleozóicas, mesozóicas e cenozóicas (VILLWOCK, 1994 apud MENEZES-SILVA, 1998). Estas feições de planícies são denominadas de planícies costeiras ou planícies litorâneas.

As dunas possuem sua história relacionada muito com a ação do mar e dos ventos, esta ação provoca quase que um alinhamento de certa forma, levando a diferentes denominações. Ocorrem em forma de linhas, que são facilmente identificadas em fotografias aéreas (linhas de cordões). Observa-se que estas linhas, estendem-se na planície em torno de 5 a 7 Km para dentro, sendo testemunhas que um dia o mar avançou planície a dentro e recuou, estes recuos com a ação do mar formavam os acúmulos de areia que formam as dunas, podendo ser lineares formando os cordões de dunas ou irregulares. O espaço entre estes cordões e denominado de inter cordões.

Normalmente nos cordões arenosos, onde a água da chuva cai, percola, sendo que a vegetação que se instala e altamente adaptada. Nos inter cordões quase sempre existe água. Esta diferenciação entre cordões e inter cordões, manifesta-se em toda a planície, dando origem a áreas com ambientes diferentes, ambientes de solos, drenagem e consequentemente de vegetação diferente, não significa que ao longo da planície adentro vai se intercalando cordão/inter cordão, o relevo vai sofrendo um reafeiçoamento (termo utilizado pelos geólogos) ao longo do tempo por ação dos ventos, vegetação e animais, vai formando tabuleiros (locais mais altos, + ou - 1 metro), que uma área seguinte que pode ser uma lagoa. Com o passar dos anos, e com o acúmulo de matéria orgânica, vai permitindo e dando condições para que plantas mais exigentes se estabeleçam, diversificando-se até o desenvolvimento de florestas.

Os cordões litorâneos foram bastantes reafeiçoados, isto é, retrabalhos principalmente pela ação biológica, quase não podendo ser distinguidos. Por outro lado, os terraços holocênicos possuem alturas de até 2,5 m ao nível médio dos mares., ocorrendo nas porções externas dos terraços pleistocênicos e neles os cordões litorâneos são bem visíveis. Conforme, ANGULO (1992) os cordões mais recentes podem ser facilmente reconhecidos em fotos aéreas, e podem atingir de 10 a 100 m de largura e alturas superiores a 1 m, no Paraná os terraços holocênicos ocupam uma área pequena, tendo no máximo 2 a 3 km de extensão.

Nas dunas instáveis, irregularmente dispersas, sofrem muito a influência do vento, em função do substrato e o nível de antropismo, ocorre uma variação nas comunidades herbáceas e arbóreas, típicas e ambiente xerofítico, destacando-se como espécies mais comuns a Spartina montevidensis, Panicum reptans (capim-das-dunas), Sophora tomentosa (feijão-de-praia), Scaveola plumieri (mangue-de-prai) e Cordia verbenacea (camarina). RODERJAN et al. (1997), destaca a ocorrência de algumas Orchidaceae (Epidendum fulgens, Epidendum latilabra, Oncidium barbatum, Cytopodium paranaensis), as Bromeliácea (Dickia encholirioides, Aechmea gamosepala), os liquens (Cladonium didyma, Cladina confusa), briófitas (Rhacopilum tomentosum, Pyrhobyum spiniforme) e muitas pteridófitas.

No ambiente de frontal marinho, a radiação e muito forte, com excesso de vento (taxa de transpiração alta) e provoca a dissecação, com uma grande disponibilidade de água, que em função da condutividade hidráulica baixa, conseqüentemente a água não sobe pelos poros ficando um ambiente muito seco, sendo este um fator condicionante. Pela proximidade do mar estas áreas possuem uma baixa constituição nutricional, razão pela qual poucas espécies são encontradas, em função das existentes serem especializadas e adaptadas para estas condições de ambiente. Este fator pode estar relacionado a ação dos ventos; a sota vento e a barla vento, possuindo situações diferentes, ao fato de estar protegida do vento já determina modificações importantes. Ao observarmos uma duna, ou um cordão, o vento agindo constantemente, atrás de ambos a vegetação tem uma certa proteção e os indivíduos um porte razoável, situação completamente diferente ocorre com a vegetação que esta em contato direto com o vento.

A origem da restinga foi no ponto rochoso, onde a vegetação pioneira varia do resto das comunidades arenosas. Neste pontal, pode-se dizer que a principal espécie característica é a Clusia criuva associada às Cactaceae dos gêneros Cereus e Opuntia, além das muitas Bromeliaceae dos gêneros Vriesia, Bromelia, Canistrum, Aechmea que se destacam nos estados da região Sul.

A vegetação de restinga herbácea visitada, Pontal do Paraná, representada na Figura 6, possui a influência do vento constantemente em função de estar em um frontal marinho direto, com uma insolação ¨violenta¨, intensidade de chuvas abundante, a existência de muitas espécies diferentes, apesar desta área de vegetação ser relativamente recente possuindo a influência do oceâno, quer seja direta através da arebentação ou mesmo indireta através do vento, carreando muita areia.

Vegetação de Restinga Herbácea

Figura 6 - Vegetação de Restinga Herbácea (Pontal do Paraná - PR).

As comunidades vegetais que recebem influência direta das águas do mar apresentam como gêneros característicos de praias, tais como: Remirea e Salicornia estas espécies se adaptam em áreas mais afetadas pelas marés, como as do gêneros Paspalum, Hidricotyle, Ipomoea e Canavali, sendo plantas escandentes e estoloníferas que atingem as dunas, contribuindo para fixá-la, contudo os outros gêneros associados ao plano mais alto das praias contribuem para caracterizar a comunidade pioneira, destacando-se os gêneros Acicarpha, Achyrocline, Polygala, Spartina e Vignia.

A vegetação de restinga herbácea, possui uma variação muito grande, possuindo comunidades de plantas, e dentro destas comunidades tem-se plantas dominantes resultantes dos efeitos que agem sob determinada micro região. Pode-se exemplificar em uma mesma região, as áreas ¨abaciadas¨ possuem água observa-se um determinado grupo de plantas da família das Siperaceae e plantas que habitam as áreas úmidas, quando o terreno possui uma certa elevação o grupo de plantas e diferente das que ocorrem nas áreas úmidas.

Dentro das áreas de restinga, ocorrem também os brejos de água doce com sua flora característica em fisionomia típica, moldada por Thypha sp. Os brejos sujeitos à ação da água do mar durante as marés altas são encontrados, em geral, logo após a região das dunas. Nesta área, ocorre o predomínio de Spartina ciliata (Gramineae) e indivíduos raquíticos de Laguncularia racemosa (Combretaceae).

Nos trabalhos realizados por RODERJAN et al. 1997, na APA de Guaratuba, as comunidades arbóreas são compostas por um único estrato denso e baixo, geralmente entre 2 e 5 metros de altura, moldados geralmente pela ação dos ventos, ocorrem principalmente as seguintes espécies: Schinus terebinthifolius (aroeira), Tapirira guianensis (cupiúva), Ternstroemia brasiliensis (vermelho), Gomidesia schauriana (rapa-goela ou papa-goela), Psidium cattleianum (araçá), Andira anthelmintica (jacarandá-lombriga), Pithecellobium sp. (timbuva) e Ocotea pulchella (canela-lageana).

Em relação as folhas da vegetação de restinga, pode-se observar que são menores, folhas coriáceas, claras e apresentam serosidade (alta evapotranspiração) com o objetivo de suportar a alta insolação, a salinidade e vento fortes. Em zonas de barlavento a vegetação é mais baixa, já no sotavento a vegetação é mais desenvolvida. Plantas como Drosera sp. vivem em ambiente úmidos com baixas condições nutricionais, principalmente com baixa concentração de nitrogênio no solo. Espécie como a Tibouchina sp., possuem folhas coriáceas e pilosas e se adaptam muito bem em ambientes secos e com grande insolação.

O sistema radicular é do tipo fascicular, com finalidade de função nutricional, desta forma ele está mais próximo da superfície, as espécies que possuem raízes pivotante, com o objetivo maior de sustentação. O meio muda estão a característica do sistema pivotante nestes ambientes. A condição nutricional e hídrica num ambiente empobrecido está mais em cima, próximo à superfície. As plantas em ambientes secos desenvolvem o sistema radicial mais superficial para captar a umidade da atmosfera, aumentando a área de captação de água. Há presença de liquens, os quais caracterizam ambientes com falta de água.

Algumas espécies como Gaylussacia brasiliensis (Ericaceae) são indicadoras de profundidade do lençol freático, pois se a planta possui um porte baixo significa que o lençol freático é alto e se possui um porte alto o lençol freático é baixo. É comum o aparecimento de pteridófitas do gênero Rumohra sp., típica de restinga, sendo muito utilizada nas floriculturas. Outra espécie muito característica de restinga é a Clusia criuva (Clusiaceae), tem sido estuda com objetivo de combate a células cancerígenas.

A vegetação da restinga arbórea começou a se formar com as espécies anteriores (herbáceas), e foi se diversificando cada vez mais, em função de condições menos drásticas. Quanto mais afastado da linha da costa, as espécies vão assumindo um porte maior, e a diversificação também aumenta, intercalando-se os cordões, pois este ambiente ficou mais tempo sem a influência direta do mar ou indireta do vento.

De acordo com o ponto de inversão morfológica que é a primeira bifurcação, quanto mais baixo for o ponto de inversão morfológica dos indivíduos que estão formando o dossel, maior a competição lateral e externa no início do seu desenvolvimento. Este ponto permite fazer inflexões sobre o histórico da área. A estratificação é de dois estratos arbóreos, o primeiro dominante arbóreo e o segundo um arbustivo, a maior diversidade está no estrato superior.

Espécies que crescem em ambientes secos desenvolvem um sistema radicial mais superficial para pode captar a umidade. Todas as espécies que crescem nestes ambientes (restinga, dunas) estão adaptados a essas condições, ou porque tolerarem pouca água ou por terem um sistema radicial mais profundo. Em locais de restinga com vegetação de porte maior ocorre um predomínio de Ilex theezans (Aquifoliaceae) e Tapirira guianensis (Anacardiaceae).

VELOSO & KLEIN (1961), estudaram as associações vegetais ocorrentes na planície litorânea em Guaratuba/PR, região próxima a Ilha do Cardoso. Esses autores, embora não citem uma zona de transição restinga-mata, deixam clara sua existência ao se referirem a uma vegetação arbórea formada por elementos da vegetação pioneira (restinga) e da vegetação climax regional (mata), além de relacionarem esse tipo de vegetação intermediária com o desenvolvimento do solo.

A transição da restinga para mata é gradativa e caracterizada pelo desaparecimento da vegetação de cobertura do solo, ao mesmo tempo que a camada de folhas e húmus se torna mais espessa; além disso, na zona de transição modificam-se completamente os caracteres da vegetação, com a regressão ou completo desaparecimento dos xerofíticos. Nas partes da faixa de transição mais próxima da restinga, predominam as espécies da vegetação de restinga, com pequena proporção de elementos da mata; à medida em que se encaminha em direção à mata, os elementos predominantes vão sendo substituídos por aqueles típicos da mata de planície (MELO et al. 1991).

O mesmo autor ressalta que na restinga, as florestas periodicamente ocorrem sobre solo inundado, alcançando 10 a 15 metros de altura com predominância de Calophyllum brasiliensis. (Guttiferae); em sua região de transição com a floresta de planície, podem apresentar árvores emergentes até 20 m de altura. Ainda na restinga, as florestas permanentemente inundadas também ocorrem em pontos isolados e delimitados nas margens de lagoas sendo reconhecíveis pela predominância de Tabebuia cassinoides (Bignoniaceae).

Como foi comentado anteriormente na restinga ocorre uma transição de uma fase Vegetação Pioneira de Influência Marinha para a Floresta Ombrófila das Terras Baixas. Possuindo de 20 a 30 espécies arbóreas, a formação da serapilheira, onde o solo com camada L (com folhas e galhos não decompostos), camada F (um pouco mais decomposta) e H (já em contato com o solo mineral). A contribuição da matéria orgânica nestes ambientes fica em torno de 4 a 5 Ton/ha, no entanto em floresta a contribuição da serapilheira pode ser de 7 a 8,5 Ton/ha. A deposição de serapilheira é bem maior no verão com maior predomínio de folhas (50-60%); a área basal fica em torno de 20-25 m2/ha, tendo 2500 a 3000 indivíduos/ha. Em locais de restinga a interceptação de chuva é de 25% no máximo quando a mesma possui porte baixo, contudo em estágio de floresta é de 30%.

A planície litorânea no Estado do Paraná, foi formada, de acordo com SUGUIO & TESSLER (1984) por depósitos marinhos ocorridos durante o período Quartenário, resultantes da ação conjunta de vários fatores, entre eles: fontes de areia, correntes de deriva litorânea, variações do nível relativo do mar e armadilhas para retenção dos sedimentos. Na superfície da areia depositada pelo mar ficaram marcados os alinhamentos das antigas cristas praias, chamados de cordões litorâneos, formando os terraços marinhos de origem pleistocênica e holocênica (WISNIEWSKI et al. 1997).

Os solos do litoral são facilmente identificados, pois nas duas superfícies, desenvolve-se basicamente, de acordo com RACHWAL & CURCIO (1994) três classes de solo: Areia Quartzosa, Podzol hidromórfico e não hidromórfico e os Solos Orgânicos.

A Areia Quartzosa e o Podzol são minerais, podendo serem distinguidos ainda em hidromórfico e não hidromórfico. O Solo Orgânico no litoral e sempre hidromórfico. Com relação a Areia Quartzosa e Podzol, a condição de hidromórfia ou não vai determinar condições bem diferenciadas de vegetação. Quando há presença de água, pode ela estar no solo em um determinado momento, evidenciando um acúmulo de água em função de uma grande chuva. A interpretação de um solo hidromórfico e realizada na parte superior deste, caso ela estiver tingida de preto, bastante matéria orgânica, isto evidência a presença de água por um tempo suficiente que imprimiu esta modificação, com base nesta condição posso inferir se é ou não hidromórfico.

A disposição dos solos hidromórficos e não hidromórficos é condicionada não só pela superfícies intra (mais rebaixadas) e inter-cordões (mais altas), como também pela altura do lençol freático, que é bastante variável, sendo influenciada não só pela superfície dos cordões, como também pela profundidade e consistência do horizonte B espódico (Bh ou Bir). Um horizonte B espódico mais próximo da superfície e mais consistente vai determinar mais acúmulo de água, pois a condutividade hidráulica neste horizonte diminui consideravelmente em função da coesão. Este passa a ser um fator ecológico muito importante neste ambiente, já que os solos se desenvolvem sobre areia (textura areia ou no máximo areia franca), não tendo capacidade de retenção de água (Rocha, 1987; Iapar, 1994; Prata, 1995 apud WISNIEWSKI et al. 1997).

As Areias Quartzosas são constituídas na proporção de 85% ou mais por partículas arenosas (sílica), pobres em nutrientes, baixa capacidade para retenção de água, sendo que tais características são exclusivamente dependentes da matéria orgânica presente (RACHWAL & CURCIO, 1994). Os mesmos autores afirmam que em função da ausência de estrutura e coesão entre partículas, predispõem o ambiente, quando mal utilizadas a depauperação intensa, por serem extremamente suscetíveis a erosão hídrica, eólica e ainda por lixiviação.

Ocorre que muitas espécies que não são de solos arenosos, ocorrem em solos arenosos em função de terem vindo do continente através do interior de baías e rios, pode se exemplificar com a Dalbergia ecastophyllum (Fabaceae), a qual ocorre como formação pioneira tanto em ambientes de Influência Marinha, Fluviomarinha e Fluvial na Floresta Ombrófila Densa na fase inicial da secessão secundária, sendo uma das principais pioneiras nas chamadas dunas frontais, quando estas dunas ainda são móveis, ela inicia o processo de fixação destas dunas.

No caso especifico da vegetação de restinga herbácea (Pontal do Paraná), é uma Areia Quartzosa não hidromórfica, apresentando uma tonalidade alaranjada/amarelada, característica esta das Areias Quartzosas. O que dá a tonalidade amarela e o horizonte de eluviação de partículas. A Areia Quartzosa não possui o horizonte B, possui um A, sendo o restante considerado C, a água entra e some com facilidade, exceto em condições geomórficas em que o lençol freatíco é muito alto e grande esta condição de hidromórfia. As Areias Quartzosas, não existem somente nas praias, existem manchas interiorizadas em função do mar já ter estado na planície, podendo existir florestas em cima destes solos, com horizontes de até 1 m amarelado, quase que totalmente estéril, o que permitiu o desenvolvimento de floresta e o acúmulo de matéria orgânica ao longo dos anos. Em realizarmos uma tradagem, e após um horizonte superior o solo for branco, ele é um podzol.

Segundo a EMBRAPA (1984), o Podzol é um solo mineral com horizonte diagnóstico do tipo B Podzol ou B espódico, são arenosos, com seqüência de horizontes A1, A2, Bh ou Bir ou ainda Bhir e C bem diferenciados, saturação em bases muita baixa e saturação com alumínio trocável muito alta. O horizonte A2 tem coloração mais clara, textura mais arenosa e espessura bastante variável. O horizonte B espódico apresenta concentração e precipitação de compostos de matéria orgânica, alumínio e ferro. Os compostos orgânicos e sesquióxidos de Fe e Al atuam como agentes cimentantes, determinando consistência, graus de dureza e colorações variáveis a este horizonte. As cores podem variar desde a preta (no Bh), pois predominam os compostos orgânicos, até a cor vermelha muita escura ou amarela (no Bir), com a predominância dos óxidos de Fe.

Cabe aqui ressaltar que a permeabilidade é rápida no horizonte A, pode até ser impedida no horizonte B espódico, dependendo do seu grau de cimentação, tendo assim, influência muito grande no regime hídrico destes solos.

RACHWAL & CURCIO (1994), os Podzóis do estado do Paraná possuem a textura essencialmente arenosa, diferindo das Areias Quartzosas por apresentarem um horizonte de perda (E = aluvial), abaixo do horizonte A e um horizonte de acumulação (iluviação) de matéria orgânica e/ou sesquióxidos de ferro e de alumínio (Bh ou Bir). Em função do processo de lixiviação os Podzóis são solos mais pobres em nutrientes que as Areias Quartzosas, apresentando maiores limitações. Quando o horizonte Bh ou Bir, apresentam-se cimentado, concomitantemente ocorrendo em locais abaciados o Podzol pode tornar-se hidromórfico. Ocorre no litoral, inclusive nas ilhas, estando sua instabilidade na íntima dependência da manutenção da cobertura vegetal original.

Os mesmos autores relatam que os Solos Orgânicos, são constituídos por resíduos orgânicos em vários estágios de decomposição depositados sob condições anaeróbicas em locais abaciados. Possuem horizontes hísticos, com teores de carbono maior ou igual a 8% e espessura mínima de 40 cm, apresentam densidade muito baixa (entre 0,1 a 0,3 g/cm3), possuem em função desta baixa densidade trafegabilidade reduzida. Os solos que possuem uma camada de matéria orgânica menor que 40 cm, no litoral são chamados epihísticos.

4.1.3 - Formação Pioneira de Influência Fluvial(topo)

As Formações Pioneiras de Influência Fluvial, ou chamadas comunidades aluviais, segundo IBGE (1992), tratam de comunidades vegetais das planícies aluviais, as quais refletem os efeitos das cheias dos rios nas épocas chuvosas ou, então, das depressões alagáveis todos os anos. Nas planícies alagáveis mais bem drenadas ocorrem comunidades campestres, e os gêneros Panicum e Paspalum dominam em meio caméfito do gênero Thalia. Nos terraços mais enxutos dominam nanofanerófitos dos gêneros Acacia e Mimosa, juntamente com várias famílias pioneiras, tais como: Solanaceae, Compositae, Myrtaceae e outras de menor importância sociológica.

As plantas que compõem a vegetação destes ambientes, estão sujeitas a variações do nível da água dos rios. Estas comunidades desenvolvem-se a partir de populações de algas que invadem lagos, orlas de rios, e mais especialmente pequenas lagoas, algumas espécies fixam-se no fundo de lagoas, rios, etc ..., vivendo sob espelho de água, permitindo que apenas suas flores cheguem à superfície. Com o passar do tempo, estabelecem-se espécies flutuantes, como a Salvinia auriculata, Azolla filiculoides, Eichornia crassipes (aguapé).

Após o estabelecimento da comunidade aquática, formam-se em banhados e margens de lagoas, a ocorrência das várzeas (Figura 7), contribuindo para a formação de substratos orgânicos.

Ocorrência de várzea com a Typha domingensis (taboa).

Figura 7 - Ocorrência de várzea com a Typha domingensis (taboa).

Conforme RODERJAN et al. (1997), relata que se situam-se entre os cordões de dunas, que por vezes formam lagoas, e sobre superfícies aplainadas em geral sujeitas a inundações ou encharcamento. Nesses locais, enquanto predominam estruturas herbáceas ou gramíneo-lenhosas, destacando-se espécies seletivas higrófilas como Typha domingensis (taboa), Fuirena umbellata (piri) e Cladium jamaicensis (tiririca), dentre muitas outras, ocupando imensas áreas, envolvendo por vezes indivíduos esparsos ou agrupamentos puros de Tabebuia cassinoides (caxeta), conforme podemos visualizar na Figura 8.

Grupamentos puros de Tabebuia cassinoides

Figura 8 - Grupamentos puros de Tabebuia cassinoides.

O lírio-do-brejo (Hedichium coronarium - Zingiberaceae), espécie exótica que foi introduzida neste ambiente, tornou-se uma planta invasora. Ela tem a mesma função da taboa em determinadas situações, ou seja, indicar a presença de ambientes hidromórficos, mas é mais plástica que a taboa, pois ocorre também em locais não hidromórficos.

A ocorrência da Mimosa bimucronata (marica) e Thypha sp. (taboa), ocorrem em condições pedológicas diferentes, o marica ocorre em condições preferencialmente não hidromórficas, já a taboa ocorre em condições hidromórficas, ele se faz presente apenas em solos gleisados, que se caracterizam como solos minerais que apresentam coloração acinzentada provocada pela redução do ferro, devido a presença de muita água e pouco oxigênio.

A Cytharexylum miriantum (jacataúva), espécie indicadora de Solo Aluvial, embora não ocorrendo exclusivamente neste tipo de solo, muitas vezes monopoliza certas situações.

As comunidades arbóreas ocorrem preferencialmente em Solos Orgânicos ou Podzóis, sendo estes ambientes submetidos a períodos de inundação relativamente prolongados, inicialmente colonizados por espécies herbáceas, sendo estas gradativamente substituídas pelas arbóreas. Caso deixarmos intacto os caxetais, outras espécies se instalam, em conseqüência da caxeta criar ambiente para outras espécies, as quais vão colonizando e na seqüência substituindo a caxeta ao longo do tempo.

Os caxetais adultos chegam a ter diâmetro entre 60 e 80 cm e altura de 5 metros, é uma das melhores espécies para fabricação de lápis, em função dessa propriedade foi muito explorada já no início do século (1930), em função da exploração do cedro americano ter sido proibida, o qual era utilizado para esta finalidade, aos poucos teve problemas relacionados a conservação. Na época da guerra, descobriu-se a caxeta, sendo muito explorada até 1980, com a quase destruição deste ecossistema aos poucos faltou a matéria prima, em sua substituição implantou-se o Pinus sp. e a Guimilinea arborea, atualmente os ecossistemas de caxeta estão sendo transformados em pastagem, apresentando como um dos maiores problemas a drenagem.

A caxeta (Tabebuia cassinoides), pertence a família das Bignoniaceae, cujo domínio é em solos orgânicos, mas pode ser encontrada em solos do tipo "gley", sendo que neste último caso se trata de uma situação de transição. É uma espécie endêmica do litoral brasileiro, apresenta raízes respiratórias, caracterizando desta forma ambiente anaeróbio e alagado. Apresenta elevada propagação vegetativa, seus galhos que se curvam em direção ao solo na época das cheias e emitem raízes, sofrem uma abscisão natural. A quantidade de frutos é pequena, no entanto, é grande a quantidade de sementes em uma mesma cápsula. Na época das cheias pode-se observar muitas plântulas boiando, que vão sendo transportadas do ecossistema, um caxetal é uma hidrossere muito dinâmica. Ocorre em associação com o ingá, o gerivá, o palmito, o guanandi, entre outros. Nos caxetais pode-se observar uma grande presença de epífitas (Figura 9).

Presença de epífitas nos caxetais.

Figura 9 - Presença de epífitas nos caxetais.

Em estudo realizado por GALVÃO et al. (1999), o qual teve como objetivo apresentar informações florística e fitossociológicas de caxetais foram encontradas mais de 100 espécies arbóreas, vinculadas a 35 famílias botânicas, onde, além de família Bignoniaceae, Fabaceae e Myrtaceae ocorreram em todos os locais com caxetais. Entretanto, com ocorrência um pouco menor, mas com grande importância nestes ambientes são encontradas as famílias, Moraceae, Areaceae, Aquifoliaceae, Melastomataceae, Clusiaceae e Euphorbiaceae.

Segundo RODERJAN et al. (1997), nos levantamentos realizados na APA de Guaratuba, foram registrados 52 espécies arbóreas de 26 famílias botânicas, destacando-se as seguintes famílias: Myrtaceae (26% do total) e Myrsinaceae (5%). Os autores ressaltam, que apesar de mais baixas do que as formações florestais de planície, as alturas máximas dessa unidade situam-se entre 8 e 12 metros, com eventuais emergentes que não ultrapassam 16 metros. O estrato médio está compreendido numa faixa de 5 a 8 metros, e o inferior entre 2 a 5 metros. O levantamento apresentou uma alta densidade (3600 indivíduos/ha), possuindo uma área basal de 36,81 m2/ha.

A Figura 10, apresenta perfil de trecho de Formação Pioneira de Influência Fluvial, possuindo o monopólio da Tabebuia cassinoides, apresentando outras espécies como Syagrus romanzoffiana, Tabebuia umbelliflora, Inga edulis, Illex dumosa, dentre muitas outras espécies.

Perfil esquemático de trecho de Formação Pioneira de Influência Fluvial Figura 10 - Perfil esquemático de trecho de Formação Pioneira de Influência Fluvial. (RODERJAN et al. 1997).

O ecossistema com caxetais são ricos em aves, pássaros, formigas, além de possuir algumas espécies associadas ao seu ecossistema entre elas Syagrus rommanzoffiana (jerivá), Inga marginata (ingá-feijão), Inga sessilis (ingá-macaco), Marlierea tomentosa (guapurunga), Cytharexylum myrianthum (jacataúva).

A instalação dos ecossistemas com caxetais inicia com Typha domingensis ou com Fuirena umbellata, espécies de vegetação herbácea colonizadora de áreas de grande instabilidade física. Com esta cobertura inicial estabilizada, o ambiente vai sendo preparado para dar o início a instalação de uma vegetação um pouco mais exigente, no caso a Tabebuia cassinoides. À medida que esta se configura um estrato contínuo e homogêneo, produzindo sombreamento para vegetação herbácea original, e simultaneamente modifica as condições do meio físico, o ambiente torna-se desfavorável para as espécies pioneiras, essencialmente heliófilas, que gradualmente saem da formação. O crescimento de novos indivíduos muda lentamente e gradativamente a fisionomia inicial de homogeneidade absoluta dos caxetais, ocorrendo também mudanças estruturais que serão tanto mais significativas quanto maior o número de estratos e altura do dossel.

A Tabebuia cassinoides (caxeta), predomina em Solo Orgânico, em Solo Podzol já é uma condição transicional. Ela ocorre ocasionalmente em podzol e areia quartsoza hidromórficos. A grande mudança, segundo (GALVÃO et al. 1999) ocorre quando o guanandi (Calophyllum brasiliensis) ultrapassa Tabebuia cassinoides em altura, formando junto com outras espécies de grande porte como Ficus spp., Pseudobombax grandiflorum, Tapirira guinensis e Syagrus rommanzoffiana, o estrato superior, e portanto Tabebuia cassinoides passa então a ocupar um segundo plano no estrato médio.

Quando a caxeta começa a não predominar no dossel, ocorre o aparecimento, bem como o destaque na fisionomia e estrutural de outras espécies como Ficus sp, Tapirira guianensis e em especial a Calophyllum brasiliensis (guanandi), conforme vizualizamos na Figura 11.

O  Calophyllum brasiliensis (guanandi), destacando-se  nos caxetais.

Figura 11 - O Calophyllum brasiliensis (guanandi), destacando-se nos caxetais.

O guanandi, possui uma ampla distribuição, ocorre nas florestas aluviais, ocupando o dossel da floresta. É comum o guanandi invadir o caxetal e superar a caxeta, por causa de suas características. Chega a atingir mais de 20 metros de altura ocupando o primeiro estrato da floresta, a caxeta forma o segundo estrato, mas encontra-se em declínio (saindo do sistema), devido a falta de luz, pois o guanandi ocupa o seu espaço, a guapurunga ocupa o terceiro estrato.

Segundo GALVÃO et al. (1999), a grande mudança ocorre quando o Calophyllum brasiliensis (guanandi), ultrapassa a Tabebuia cassinoides (caxeta) em altura e vai formar, juntamente com outras espécies de maior porte como Ficus spp., Pseudobombax grandiflorum, Tapirira guianensis e Syagrus rommanzoffiana, o estrato superior, então a caxeta passa a ocupar o segundo plano no estrato médio. A dispersão do guanandi (sementes) é pela realizada pela água (hidrocoria), dessa forma que ele entra nos caxetais.

No Solo Orgânico, o sistema radicial predomina na superfície, somente na parte orgânica. Este solo funciona como uma esponja, drena a água, deve-se ter muito cuidado neste tipo de solo antes de se instalar drenos, pois há o perigo de drenar toda a água.

Para RACHWAL & CURCIO (1994), a composição orgânica os predispõem sobremaneira a subsidência (rebaixamento superficial) quando drenados, em função da contração de volume por remoção de água, ao que se segue uma intensa mineralização. A drenagem pode causar ainda problemas de solapamento de drenos, ressecamento irreversível da massa do solo, erosão eólica (devido a leveza das partículas) e até mesmo a combustão em alguns casos.

Os mesmos autores ressaltam, que é indispensável que se mantenha a função ecológica destes solos, permitindo que pelo menos uma faixa dos mesmos situados próximo às margens dos rios, seja sempre mantida intacta, em função dos mesmos funcionarem como reguladores da vazão dos rios. Pelo exposto, devem ser reservados para preservação permanente, sendo que em alguns casos devem ser utilizados com o manejo racional de caxetas.

A origem do Solo Orgânico pode ocorrer entre cordões onde há acúmulo de água, condição geomórfica depressiva. A irregularidade nestes locais é preenchida pela água. Há uma camada superficial superior a 50 cm com acúmulo de água e matéria orgânica. Nos pontos mais elevados forma o "gley" porque tem água contaminando, e nos pontos mais baixos forma orgânico devido ao acúmulo de matéria orgânica.

O solo mineral pode ser hidromórfico ou não. Quando há o predomínio da argila, o solo hidromórfico fica acinzentado dentro dos 50 cm superficíais, chamado então de solo do tipo "gley", esta característica é determinada pela redução do ferro, pois quanto mais ar (oxigênio) tiver, mais avermelhado o solo, devido a oxidação, e quanto menos ar (oxigênio), mais próximo do cinza azulado ele será, provocado pela redução do ferro (passa de Fe3 para Fe2).

RACHWAL & CURCIO (1994), ressaltam que o Solo Glei podem ser de textura argilosa ou média, com fertilidade variável, encontrando-se tanto sob matas ciliares como locais mais interiorizados no plaino aluvial. Esta classe engloba, os Gleis Húmicos, Gleis Pouco Húmicos e Gleis Turfosos. O Glei Húmico, difere do Pouco Húmico, basicamente por possuir horizonte A mais espesso, mais escuro e com maiores teores de carbono que o segundo. O Glei Turfoso por sua vez, apresenta horizonte superficial hístico com espessura inferior a requerida para ser enquadrado em Solo Orgânico. Os autores afirmam, quando explorados criteriosamente mostram bom potencial produtivo, principalmente para culturas irrigadas. Porém, os que se situam em matas ciliares, muitas vezes associados aos Solos Aluviais, devem ser mantidos para preservação permanente.

5 - Floresta Ombrófila Densa(topo)

Conforme o IBGE (1992), a denominação de Floresta Ombrófila Densa, foi criado por Ellemberg & Mueller-Dombois (1956/6), em substituição a palavra Pluvial (origem latina), Ombrófila (origem grega), ambas possuem o mesmo significado ¨amigo das chuvas¨. Aceitou-se a designação de Ellemberg & Mueller-Dombois, porque apresenta as duas fisionomias ecológicas, tanto na Amazônia como nas áreas costeiras, justificando-se assim a terminologia.

A vegetação característica, é formada por fanerófitos, pelas sub formas de vida macro e mesofanerófitos, além de lianas lenhosas e epífitas em abundância diferenciando das outras classes de formação. Sua característica ecológica principal reside nos ambientes ombrófilos, marcando muito bem a ¨região florística florestal¨, estando ligada aos fatores climáticos tropicais de elevadas temperaturas, e de alta precipitação bem distribuída durante os meses do ano.

O IBGE (1992), dividiu em cinco formações ordenadas da vegetação, segundo uma hierarquia topográfica, refletindo fisionomias diferentes, em função das variações ecotípicas resultantes de ambientes distintos. Salienta-se que a temperatura (gradiente vertical), varia 1oC para cada 100 metros de altitude, sendo que este gradiente e bem maior nas latitudes maiores. Com as observações do projeto RADAMBRASIL, e estudos de fitogeografia mundial de Humboldt em 1806, permitiram estabelecer faixas altimétricas de acordo com os seguintes parâmetros:

  • Formação Aluvial - não varia topograficamente, apresenta sempre ambientes repetitivos nos terraços aluviais dos flúvios.
  • Formação Terras Baixas - corresponde a altitude de 5 a 100 metros, quando encontra-se entre a 4o Lat. N e 16o Lat. S; de 5 a 50 metros, entre 16o Lat. S e 24o Lat. S; e de 5 a 30 metros entre 24o Lat. S e 32o Lat. S.
  • Formação Submontana - situada a partir de 100 até 600 metros entre 4o Lat. N e 16o Lat. S.; de 50 até 500 metros, entre 16o Lat. S. e 24o Lat. S.; e de 30 até 400 metros, entre 24o Lat. S. e 32o Lat. S.
  • Formação Montana - no alto dos planaltos e serras, de 600 até 2000 metros 4o Lat. N. e 16o Lat. S.; de 500 até 1500 metros, entre 16oLat. S. e 24o Lat. S.; e de 400 até 1000 metros, entre 24o Lat. S. e 32o Lat. S.
  • Formação Alto-Montana - nos limites acima da forma Montana.

Salienta-se que existe uma grande variação ecotípica de acordo com a latitude, que pode ser estabelecida em escalas regionais, e explorada para fins cartográficos, necessitando de estudos e adaptações de acordo com a escala de mapeamento.

A flora arbórea dos diferentes estratos da Floresta Ombrófila Densa é de variedade incomparável no Sul do Brasil. LEITE & KLEIN, (1990), relatam, com base na relação florística organizada por Klein, e dos trabalhos desenvolvidos por LEITE E SOHN durante 38 anos de atuação na região Sul, a Floresta Ombrófila Densa, possui em torno de 708 espécies, destas 50 % não exclusivas, demonstrando adaptações ecológicas restritas aos ambientes desta região.

Nos ambiente de Floresta Ombrófila Densa, quando relacionamos com tipo de solo, há o predomínio de Latossolos com características distróficas e raramente eutróficas, e também dos Podzólicos, ambos os solos com uma baixa fertilidade natural (IBGE, 1992).

5.1 - Floresta Ombrófila Densa Aluvial(topo)

A Floresta Aluvial, ou ¨floresta ciliar¨ IBGE (1992), ocorre ao longo dos cursos de água, ocupando os terraços antigos das planícies quaternárias. A formação é constituída por macro, meso e microfanerófitos de rápido crescimento, em geral possuem a casca lisa, tronco cônico, por vezes com a forma característica de botija, possuem as raízes tabulares. Apresenta com freqüência um dossel emergente, muitas palmeiras no estrato intermediário, no sub bosque encontra-se nanofanerófitos e caméfitos.

Apresenta muitas lianas lenhosas e herbáceas, além de grande número de epífitas e poucas plantas parasitas. Os gêneros Palmae, Mauritia e Euterpe, ocorrem com seus ecótipos bem marcados pelas latitudes diferentes, por exemplo o Euterpe edulis com dispersão desde Pernambuco até o Rio Grande do Sul, penetrando no Brasil Central indo até os vales dos rios Paraná e Iguaçu. A ¨ochlospécie¨ Calophyllum brasiliense, ocorre em todas as bacias brasileiras e sempre ocupando as planícies inundadas com freqüência, tendo seu limite austral na costa Centro-sul do estado de Santa Catarina.

Aluviais são as florestas que acompanham os cursos d'água, normalmente os solos às margens dos rios são enquadrados como Solos Aluviais, com acumulação de sedimentos trazidos pelas águas dos rios. Não é solo gleizado, nem tipo "gley". Uma indicativo desta afirmação é a existência de Schizolobium parahyba (guapuruvú), que se torna muito freqüente nesta região.

A Bathysa meridionalis (queima-casa) ocorre no sub-bosque, a Psychotria nuda que ocorre no 3º estrato, são indicadoras neste local. O Schyzolobium parahyba (guapuruvú) é muito característico das encostas e indicador de floresta secundária, crescendo bem em solos não hidromórficos. O Euterpe edulis (palmito) ocorre da restinga até a Floresta Ombrófila Densa Montana. É comum a presença de melastomatáceas pioneiras, de vida curta e de madeiras moles, características estas, que compõem a fase inicial da floresta, assim como a amplitude diamétrica pequena. Se fazem também presentes nesta região espécies como: Podocarpus sellowii (pinheiro-bravo), Cabralea canjerana (canjerana), Guarea sp., Marlierea tomentosa (guapurunga).

Salienta-se que não é encontrada apenas na beira dos rios, ocorrendo nos campos, nas várzeas e no planalto. E a floresta de galeria é quando o rio forma uma galeria, que pode se passar na floresta próximo ao rio. Uma espécie muito característica e indicadora de Solo Aluvial e o Cytharexylum myruanthum (jacataúva).

Conforme RACHWAL & CURCIO (1994), os Solos Aluviais são derivados de sedimentos aluviais, sendo constituídos por um horizonte superficial A, sobrejacente a camadas de composição física e química distintas, transportadas pelo rio e que não guardam entre si nenhuma relação pedogenética, comumente apresentam alta fertilidade natural e texturas variáveis. Podem ser hidromórficos ou não, muito utilizados para agricultura de subsidência, com devastação da mata ciliar, conseqüentemente ocorrendo erosão hídrica e eólica, desbarrancamento das margens e diversos tipos de contaminação, embora ocupem áreas de proteção legal.

Os mesmos autores comentam, que como os solos de manguezais e os Solos Orgânicos, quando ocorrerem nos diques marginais dos rios, jamais devem ser destituídos de sua cobertura vegetal original, em função de desempenharem papel relevante na proteção e conservação da qualidade da água.

A classificação de Solos Aluviais, não é muito fácil a medida que se aproxima da planície litorânea, em função do tamanho das partículas serem menores e facilmente confundidas com outra unidade pedológica.

Em um Solo Aluvial, caracterizam-se épocas diferentes de excesso de água, o aluvial são deposições provocadas pelo rio, com camadas de diferentes cores e texturas, como pode ser visualizado na Figura 12, cada uma destas possui uma história diferente, estando relacionada ao movimento dos rios, pois os leitos são dinâmicos, isto é um Solo Aluvial depende do material que vem de montante carreado pela água. O rio é dinâmico, principalmente quando ele é mendrante, muito sinuoso em determinadas situações rompe, quando existe processos de degradação, as pedras que estão nos rios possuem a função de diminuir a velocidade das águas, aumentando o atrito com elas, ao serem retiradas aumenta a vazão, e aumentando a vazão ele vai se romper mais facilmente.

Num rio sempre possui uma superfície onde ele tem uma velocidade maior, provocando impacto nos barrancos ele vai erodindo, quanto mais veloz um rio maior é o tamanho das partículas que ele pode transportar, com pouca energia ele traz material mais fino, quando possuir maior energia ele carrega areia mais grossa, estando este transporte de sedimentos relacionado a energia do rio. Por isso as deposições são diferenciadas, vai depender da força do momento em que foi depositado, e do regime de pluviosidade também.

À medida que se distancia do rio, mais selecionado vai sendo o material. Próximo do rio também não ocorre hidromorfia, porque a água drena facilmente. A hidromorfia se dá mais interiorizada porque não tem por onde drenar a água.

Perfil de um Solo Aluvial.

Figura 12 - Perfil de um Solo Aluvial.

5.2 - Floresta Ombrófila Densa das Terra Baixas(topo)

Este tipo de floresta também é chamada de Floresta Atlântica de Planície ou da Planície Litorânea e está situada em altitudes com 5 a 50 metros nível médio do mar. (RODERJAN et al., 1996)

Geralmente ocupa as planícies costeiras, capeadas por tabuleiros pliopleistocênicos do Grupo das Barreiras, nesses tabuleiros apresentam florística típica caracterizada por ecótipos do gênero Fícus, Alchornea, Tabebuia e pela ¨ochlospécie¨ Tapirira guianensis. Esta formação ocorre nos terrenos quaternários, em geral situados pouco acima do nível do mar nas planícies, formadas pelo assoreamento, devido à erosão existente nas serras costeiras e nas enseadas marítimas, dominam esta formação geralmente duas espécies Calophyllum brasiliense a partir do estado de São Paulo para o sul até a costa centro-sul de Santa Catarina e o Ficus organensis, terminando a ocorrência às margens da lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul. (IBGE, 1992)

Para LEITE (1994), a Floresta Ombrófila Densa das Terras Baixas, desenvolve-se sobre a maior parte da planície de acumulação, em áreas pouco mais enxutas e elevadas com até 30 metros de altitude, originadas em conseqüência da ação de agentes morfodinâmicos diversos e da interação terra-mar.

A floresta propriamente dita, conforme RODERJAN et al. (1997), desenvolve-se a partir de áreas com vegetação pioneira como os caxetais ou restingas, os quais perderam a fisionomia típica em função do desenvolvimento sucessional. Possui um porte médio entre 15 e 20 metros de altura, estrutura e fisionomia uniformes, quase sempre com o mesmo padrão florístico e estrutural, sendo que as variações são em função da variação do nível do lençol freático. Possui grande número de espécies de crescimento rápido, com madeira de baixa densidade, o sub bosque geralmente e pouco denso, com exceção dos locais onde as herbáceas são abundantes, estabelecendo diferenciação de densidade entre os estratos da formação.

O mesmo autor acima citado, relata que os estágios superiores são geralmente constituídos pela Tapirira guianensis (cupiúva), Nectandra rigida (canela-garuva), Ficus luschnatiana e Coussapoa microcarpa (figueiras), Ocotea aciphylla (canela-amarela), Myrcia glabra (guamirim-ferro), dentre muitas outras. Já nos estratos médios e inferiores são mais freqüentes a ocorrência do Euterpe edulis (palmito), Guarea macrophylla (catiguá-morcego), Pera glabrata (tabocuva), Guatteria dusenii (cortiça) e a Psychotria nuda (grandiúva-d'anta). As áreas que estão por um período alagadas apresentam o predomínio de Calophyllum brasiliense (guanandi), Alchornea triplinervia (tápia), Manikara subsericea (maçaranduba) e Andira anthelmithica (jacarandá-lombriga).

Nos levantamentos realizados por RODERJAN et al. (1997), na APA de Guaratuba, conforme pode ser visto na Figura 13, o dossel desta formação está entre 20 e 24 metros, onde destacam-se as famílias Clasiaceae, Anarcadiaceae, Lauraceae, Bombacaceae, Myrtaceaea, Moraceae e Sapindaceae. No estrato intermediário as famílias Bignoniaceae Arecaceae, Fabaceae, Euphorbiaceae e Araliaceae, com uma altura entre 14 e 20 metros. Já no estrato arbóreo inferior, com as plantas tendo uma altura inferior a 14 metros, houve o predomínio das Rubiaceae, Arecaceae, Myrtaceae, Celastraceae, Malghiaceae, Sapindaceae, Sapotaceae, Thymelaeaceae e pteridófitas arborescentes.

Perfil esquemático de um trecho de Floresta Ombrófila Densa das Terras Baixas.  (RODERJAN et al. 1996) Figura 13 - Perfil esquemático de um trecho de Floresta Ombrófila Densa das Terras Baixas. (RODERJAN et al. 1996)

O autor relata a ocorrência dos arbustos e das ervas, de espécies pertencentes a família Bromeliaceae, sendo comum também Marantaceae (caetés), Rubiaceae, Acanthaceae, Piperaceae e Zingiberaceae, bem como briófitas e pteridófitas. Ressalta que as herbáceas e epífitas, embora pertençam às mesmas famílias botânicas da formação submontana, são encontradas em maior densidade.

Foi encontrado na área de estudo, em termos de valores médios 2315 indivíduos/ha, correspondendo a uma área basal de 47 m2/ha, onde a espécie dominante foi o guanandi (Calophyllum brasiliense), que apresentou 9,95 m2/ha de área basal, perfazendo 21% do total.

No Parque Estadual do Palmito, localizado no estado do Paraná, encontra-se a presença de Bactris lindmaniana (tucum) espécie da qual e retirado as fibras das folhas, Euterpe edulis (palmito) de tronco mais fino e folhas delicadas, Syagrus romanzoffiana (gerivá) de porte maior e folhas pendentes e Attalea dubia (indaiá) de folhas disposta de uma forma que parece um espanador. O solo é do tipo Podzol hidromórfico epi-hístico, pode ser considerado como um solo mineral de origem marinha, aparecendo o Callophylum brasiliense (guanandi), Hyeronima alchorneoides (licurana).

ZILLER (1997), ao estudar a composição florística e estrutura fitossociológica do estrato arbóreo na Floresta Estadual do Palmito, nos três estágios sucessionais, observou que o estágio inicial, é uma área de restinga baixa, esparsa e pouco diversificada, com as árvores espaçadas entre si formando touceiras oriundas de rebrotes, os troncos apresentam diâmetros em média de 5 cm e atingem altura de 5 m. Apresenta uma fisionomia homogênea com a predominância de uma espécie, poucas epífitas, e raramente bromélias, com relação a camada orgânica do solo mineral é incipiente, havendo muitos pontos onde a areia fica exposta.

O estágio intermediário possui uma floresta bem desenvolvida, com dois estratos arbóreos distintos e um terceiro começando a diferenciar-se, as árvores mais altas atingindo 12,5 metros de altura no primeiro estrato, enquanto que no segundo estrato a altura fica em torno de 8 metros. Possui no sub-bosque muitas bromélias, o solo está coberto por uma camada orgânica que chega a 20 cm de espessura recobrindo-o completamente. Nesta fase a diversidade é maior, nos levantamentos realizados foram encontradas 23 espécies em 15 famílias e não ocorre a predominância desproporcional de uma única espécie, como no estágio inicial. Quando possui três estratos distintos, sub bosque rico em bromélias, aráceas, polipodiáceas, lianas, trepadeiras e outras plantas, que se distribuem tanto pelo solo como por sobre as árvores.

No estágio avançado, a floresta é menos aberta do que no estágio intermediário em função do sub bosque mais denso, apresenta regeneração das arbóreas, destacando-se o Callophylum brasiliense (guanandi) que é uma referência da ocorrência de solos orgânicos, com altura entre 3 e 5 metros, troncos finos e muito retilíneos. Possui uma camada orgânica que recobre o solo mineral, muito densa, atingindo em alguns pontos até 30 cm de espessura e tornando-se muito fofo é úmido. A diversidade é muito superior a dos estágios anteriores, havendo registros da ocorrência de 50 espécies arbóreas em 27 famílias.

O solo no Parque Estadual do Palmito é muito pobre (Podzol e Areia Quartzosa), mas a floresta é exuberante devido à ciclagem, esse é um ecossistema mais fechado, onde as perdas e ganhos são mais controlados. As raízes não tiram a água do solo, elas tiram a solução do solo, o sistema radicial está pronto para retirar os nutrientes do material decomposto proveniente da serapilheira, por isso se concentram-se na superfície, evitando a perda por lixiviação.

Conforme GALVÃO et al. (1999), o ponto a partir do qual a caxeta começa a deixar de predominar no dossel, destacando-se fisionômica e estruturalmente outras espécies, marca o final da etapa sucessional das Formações Pioneiras e o início da Floresta Ombrófila Densa das Terras Baixas. O conceito de floresta implica necessariamente a ocupação de uma área por indivíduos arbóreos de várias espécies em diferentes estratos, enquanto que as Formações Pioneiras, na fase de ocupação arbórea, caracteriza-se por apresentar baixa diversidade, ou seja, predomínio de uma ou de poucas espécies, quase sempre ocupando um único estrato.

A floresta Ombrófila Densa das Terras Baixas é possível ser monitorada com a presença das Cecropia sp. (embaúvas), indicativo que o solo não é Orgânico nem Aluvial, constitui um Podzol ou Areia Quartsoza das terras baixas.

Possuem geralmente as seguintes unidades pedológicas: Orgânico, Podzol e Areia Quartzosa. Caso o solo ser mais argiloso, já pode-se considerar como Floresta Ombrófila Densa Submontana, encontra-se esta situação próximas as encostas de serras, podendo ocorrer em planícies, porém é mais difícil.

5.3 - Floresta Ombrófila Densa Submontana(topo)

É caracterizada por ecótipos que variam influenciados pelo posicionamento dos ambientes de acordo com a latitude, ocorrendo em relevo montanhoso e planaltos com solos mediamente profundos, ocupado por uma formação florestal de fanerófitos com alturas uniformes, (IBGE, 1992). O sub bosque é composto por plântulas da regeneração natural, com poucos nanofanerófitos e caméfitos, além da presença de palmeiras de pequeno porte e lianas herbáceas em maior quantidade.

Não ocorre sob material de origem marinha, mas sim em solos continentais. Conforme RODERJAN et al. (1997), a sua vegetação não está sujeita a limitações pelo excesso ou pela falta de água no solo, possui uma cobertura florestal multiestratificada, o dossel podendo atingir uma altura entre 30 e 35 metros, sendo composto originalmente pela Ocotea catharinensis (canela-preta), Sloanea guianensis (laranjeira-do-mato), Alchornea triplinervia (tapiá), Schizolobium parahyba (guapuruvu), Nectandra rigida (canela-garuva), Aspidosperma olivaceum (peroba-vermelha), Virola oleifera (bocuva), dentre muitas outras. Nos estratos inferiores evidenciam-se a Bathysa meridionalis (macuqueiro), Euterpe edulis (palmito), Mollinedia spp (pimenteira), Psychotria suterella (grandiúva-d'anta, café-d'anta), Geonoma gamiova (palha) e Clusia criuva (mangue-do-mato).

No levantamento da Vegetação da Área de Proteção Ambiental de Guaratuba - Apa de Guaratuba, RODERJAN et al. (1997), encontrou 138 espécies arbóreas, distribuídas em 34 famílias botânicas, sendo as mais representativas a Myrtaceae (26 espécies), Rubiaceae (16 espécies), Lauraceae (9 espécies), Euphorbiaceae (8 espécies) e Moraceae (7 espécies).

O dossel, situa-se entre 20 e 24 metros de altura, destacando-se as famílias Lauraceae, Euphorbiaceae, Myristicaceae e Chrysobalanaceae. O estrato intermediário com uma altura entre 12 e 20 metros, sobressaindo as famílias Arecaceae, Clusiaceae, Meliaceae, Mimosaceae e Proteaceae. No estrato arbóreo inferior, a altura varia entre 4 e 12 metros, com uma maior concentração de Rubiaceae, Myrtaceae, Nyctaginaceae e Euphorbiaceae. O sub bosque apresenta regeneração de espécies arbóreas facultativas e ombrófilas, das seguintes famílias: Caesalpiniaceae, Proteaceae, Elaeocarpaceae, Myristicaceae e Myrtaceae.

Estando também presentes arvoretas e arbustos próprios do ambiente oligofítico, as Monimiaceae, Arecaceae, Rubiaceae, Myrtaceae e Piperaceaea, lianas da família Dilleniaceae, Smilacaceae e Bignoniaceae. Nas herbáceas, destacaram-se os caetês (Moranteceae), caetês-banana (Strelitiziaceae), Bromeliaceae, Acanthaceae, samambaias e xaxins (Pteridófitas). Sobressaem-se nas epífitas as Bromeliaceae, Araceae, Piperaceae, Orchidaceae, além de briófitas e pteridófitas.

No trabalho realizado na APA, foi encontrada uma densidade de 1836 indivíduos por hectare, onde as espécies mais expressivas encontram-se nos estratos inferior e intermediário, destacando-se conforme podemos verificar na Figura 14, o Euterpe edulis (6,8%), Rheedia gardneriana (6,0%), Marlierea obscura e Psychotria mapourioides (2,5%), as mesmas, acrescida da Sloanea guianensis, são as que apresentam regularidade na distribuição espacial.

Perfil esquemático de um trecho de Floresta Ombrófila Densa Submontana. (RODERJAN et al. 1997). Figura 14 - Perfil esquemático de um trecho de Floresta Ombrófila Densa Submontana. (RODERJAN et al. 1997).

Neste levantamento a área basal (dominância) encontrada foi de 57 m2/ha, com uma amplitude diamétrica de 4,8 a 84,4 cm. As espécies que apresentam maior dominância é a Alchornea triplinervia, Cryptocarya moschata e Heisteria silvianii, que destacaram-se pelo seu porte. Salienta-se que as espécies mais importantes desta formação é o Euterpe edulis, Rheedia gardneriana, Alchornea triplinervia e Cyptocarya moschata.

ATHAYDE (1997), ao realizar levantamento da composição florística e estrutura fitossociológica em quatro estágios sucessionais de uma Floresta Ombrófila Densa Submontana (Guaraqueçaba-PR), salienta a existência de um total de 304 espécies distribuídas em 91 famílias e 195 gêneros, sendo 185 de hábito arbóreo, 50 arbustivas, 43 herbáceas, 12 trepadeiras herbáceas, 3 trepadeiras lenhosas, 8 epífitas e 3 hemiparasitas. Como famílias mais representativas encontrou Myrtaceae (33), Asteraceae (30), Melastomataceae (19), Rubiaceae (18), Lauraceae (11) e Euphorbiaceae (9).

Nos estágios herbáceo/arbustivo destacaram-se a Asteraceae e Melastomataceae. As áreas de estudo com esta vegetação possui em média de 1 a 3 anos de regeneração, apresentando uma grande densidade de Desmodium leiocarpum nas áreas mais desenvolvidas, com agrupamentos de até 2,5 metros de altura. Em áreas recém queimadas, apresentando grande número de indivíduos mortos, principalmente a ocorrência de Eupatorium laevigatum. A espécie com maior valor de importância foi o Jacaranda puberula, apresentando os maiores diâmetros, inclusive provenientes de rebrotas.

Dentre as espécies mais importantes, cita-se ainda a Tibouchina clavata e Clidemia neglecta, esta última dominante na fase hebácea/arbustiva. A maior densidade, porém com baixos valores de freqüência e dominância, foi encontrada na Diodia radula. Apresentaram menor freqüência as seguintes espécies: Adenocalymma dusenii, Bacharis semiserrata var. elaegnoides, Clethra scabra, Guatteria australis, Hyptis pectinata e Psidium guajava.

A fase arbustivo/arbórea, apresentou-se bastante densa, com cerca de 8 a 10 anos de recuperação após ser cultivada, apresentando sinais de transição para a fase inicial arbórea, havendo distinção mais um menos 2 estratos, ocorrendo indivíduos de forma relativamente esparsa com altura média entre 3 e 4 metros. Nesta fase foi observado 54 espécies em 36 gêneros e 25 famílias, destacando-se a Clidemia neglecta (Melastomataceae), possuindo os maiores valores de densidade e freqüência, só perde em dominância para o Jacaranda puberula. As espécies que apresentaram freqüência absoluta de 100% foram: Clidemia neglecta, Jacaranda puberula, Rapanea ferruginea e Ossaeae amygdaloides, observando-se que estas espécies constituírem e dominarem o estrato arbóreo, iniciando desta forma o estágio arbóreo inicial, com gradual desaparecimento da densa cobertura arbustiva, pode-se incluir ainda a Tibouchina sellowiana e Cecropia pachystachya.

A mesma autora, salienta que no local estudado o estágio arbóreo inicial, com cerca de 15 a 20 anos de desenvolvimento, apresentando indícios de transição para a fase seguinte, com a ocorrência de várias espécies em comum a fase arbórea avançada, foram registrados 78 espécies, distribuídas em 61 gêneros e 40 famílias. Pode ser distinguido três estratos, possuindo uma altura média de 10 metros para o superior, 7 metros para o intermediária e 5 para o inferior. No estrato superior ocorre o predomínio de Tibouchina pulchra, ocorrendo também com posição de destaque no estrato intermediário, sendo esta a espécie de maior importância geral nesta fase, destacam-se também no estrato superior a Vemonia puberula, Symplocos laxiflora, Hyeronima alchomeoides, Cecropia pachystachya, Senna multijuga e Rapanea ferruginea. Há uma mistura de espécies nos estratos superior e inferior, denotando caráter temporário deste estrato. Já no inferior ocorre a maior densidade e número de indivíduos, destacando-se a Cupania oblongifolia, Peschiera catharinensis, Aegiphilla selowiana, Miconia dosecandra e Cecropia pachystachya. A família mais representativa foi a Melastomataceae, e com menor densidade a Myrtaceae, porém destacou-se em número de espécies.

Encontrando-se bem desenvolvida estruturalmente e floristicamente a fase arbórea avançada, possui indivíduos de grande porte, apesar do extrativismo do Euterpe edulis. Foram identificadas 137 espécies, pertencentes a 102 gêneros e 49 famílias. Apresentou três estratos, o dossel com altura média de 15 metros, o intermediário com 9,5 metros, e o sub bosque com 5,5 metros de altura. O dossel, caracteriza-se por uma baixa densidade de indivíduos ocorrendo com baixas freqüências, sendo as espécies mais representativas deste estrato a Ocotea odorifera, Sloanea guianensis, Brosimum lactecens e Vemonia puberula. No estrato intermediário merecem destaque Calyptranthes grandifolia var. grandifolia, Rheedia gardneriana, Guapira opposita, Calyptranthes lucida e Peschiera catharinensis, entre outras. O sub bosque possui o maior número de indivíduos, sendo a espécie mais característica Rheedia gardneriana, também bem repreentadas neste estrato Trichipteris corcovadensis e Coussarea contracta, além do Euterpe edulis, apesar da intensa exploração.

Conforme RODERJAN et al. (1997), a Floresta Ombrófila Densa Submontana, ocorre preferencialmente em solos autóctones (Cambissolos e Podzólicos), podendo ocorre também nos alóctones derivados de rochas cristalinas.

Segundo RACHWAL & CURCIO (1994), os Cambissolos são solos minerais pouco desenvolvidos, não hidromórficos, situam-se em ambientes de encostas e sua posição na paisagem, relevo e material de origem determinam o grau de desenvolvimento e a profundidade do Solum. Podem estar associados aos Latossolos, Podzólicos e Solos Litólicos. Em relação a profundidade podem ser subdivididos, em rasos quando a espessura for inferior a 0,5 metros, pouco profundos quando situam-se entre 0,5 e 1,0 metro, e profundos com espessura superior a 1,0 metro.

Os mesmos autores, informam que os solos Podzólicos, são minerais, não hidromórficos, bem desenvolvidos (embora possam conter argila de alta e baixa atividade), apresentam um horizonte subsuperficial B textural (Bt), ao qual pode-se evidenciar a ocorrência de cerosidade, em função do revestimento de argila nas unidades estruturais atribuindo-lhes um brilho graxo baixo, caracterizando-se também por apresentar incremento de argila em relação ao horizonte superficial A, podendo apresentar o horizonte E. Apresentam textura binária: arenosa/argilosa, enquanto no A é arenosa, o B é argilosa, este gradiente textural aliado ao relevo acidentado em que geralmente ocorrem, faz com que seja um dos solos mais suscetíveis a erosão hídrica. No estado do Paraná, esta classe é constituída pelos Podzólicos Vermelhos-Escuros, Vermelho-Amarelos e Bruno-Acinzentados, diferem entre si principalmente na cor e teor e forma dos óxidos de fero.

5.4 - Floresta Ombrófila Densa Montana(topo)

Fisionomicamente não existe muita diferença entre Montana e Submontana. Em Montana, geralmente as encostas são mais dissecadas, por esta razão os solos são mais rasos, e de certa forma esta diferenciação esta associada a uma condição climática, determinando uma diversidade diferente do que observaria nos pisos altitudinais mais baixos.

Esta transição de altitudes não e tão rigorosa, em função da planta não saber se estou numa exposição norte, onde a entrada de energia e diferente da exposição sul, já que na exposição norte as espécies sobem um pouco mais e no sul elas ficam num patamar mais baixo.

Conforme LEITE & KLEIN (1990), embora a Floresta Ombrófila Densa tenha um número elevado de espécies, e de formas de vida em suas diversas formações, apenas um número reduzido marcam significativamente a fisionomia, compondo entre 70 e 80% da cobertura superior, geralmente ocorrendo as seguintes espécies: canela-preta (Ocotea catarinensis), laranjeira-do-mato (Slonea guianensis), peroba-vermelha (Asdosperma olivaceum), pau-óleo (Copaifera trapezifolia), canela sassafrás (Ocotea odorifera), bicuíba (Virola oleifera), caxeta-amarela (Chrysophylum viride), canela-amarela (Nectandra lanceolata), guarajuva (Buchenavia Kleinii), guapeva (Pauteria torta) e o palmiteiro (Euterpe edulis).

Os mesmos autores, salientam que as planícies apresentam limitações ao desenvolvimento de espécies fisionomicamente representativas dos ambientes mais enxutos (formações florestais submontanas e montanas). Encontrando agrupamentos florestais onde se podem observar espécies peculiares dos andares superiores da floresta primitiva, sendo em ordem de importância: figueira-da-folha-miúda (Ficus organensis), tapiá-guaçu (Alchornea triplinervia), guanandi (Calophyllum brasiliense), ipê-amarelo (Tabebuia umbellata), guaçá-de-leite (Pouteria venosa), baguaçu (Talauma ovata), leiteiro (Brosimum lactescens) e o guamirim-ferro (Myrcia glabra), dentre muitas outras. Convém ressaltar que as planícies são pobres em lianas, porém relativamente ricas em epífitas, principalmente bromeliáceas.

RODERJAN (1994), em estudos do gradiente de uma floresta Ombrófila Densa no morro Anhangava, Quatro Barras, PR - aspectos climáticos, pedológicos e fitossociológicos, relata uma mudança de unidade quando o predomínio do solos Litólico da floresta de transição é substituído pelo solo Cambissolo, verificando-se um incremento progressivo na altura e no diâmetro das árvores, tornando a identificação dos estratos mais nítidas.

O autor relata que as famílias mais expressivas no segmento de Floresta Ombrófila Densa Montana, são: as Lauraceae, Aquifoliaceae e Cytheaceae, dentre as 22 famílias encontradas na área de estudo. Foi encontrado na área de estudo, em termos de valores médios 1.393 indivíduos/ha, correspondendo a uma área basal de 57 m2/ha, onde a espécie dominante foi a Slonea lasiocoma, com 7,65 m2/ha de área basal, embora não tenha sido a espécie que apresentou maior número de indivíduos, a qual foi a Dicksonia sellowiana com 125 indivíduos/ha, seguida da Ilex paraguariensis com 112,5 indivíduos/ha. As árvores do dossel da floresta, situa-se entre 14 e 22 metros de altura.

Podemos observar a composição florística arbórea da floresta na Figura 15. Destacando que as espécies mais importantes são: Ilex paraguariensis, Ocotea catharinensis, Cabralea canjerana, Slonea lasiocoma, Dicksonia sellowiana, Trichipteris sp., Weinmania discolor, Ilex taubertiana e Driys brasiliensis.

Perfil esquemático de um trecho de Floresta Montana. (RODERJAN, 1994) Figura 15 - Perfil esquemático de um trecho de Floresta Montana. (RODERJAN, 1994).

Conforme IBGE (1992), esta formação se situa no sul do Brasil, entre 500 a 1.500 metros de altitude, onde a estrutura é mantida até próximo ao cume dos relevos dissecados, quando solos delgados ou litólicos influenciam no tamanho dos fanerófitos, que se apresentam menores. A estrutura florestal uniforme, mais ou menos em torno de 20 metros, sendo representada por ecótipos relativamente finos com casca grossa e rugosa, folhas miúdas e de consistência coriácea. No sul do Brasil o Podocarpus, único gênero tropical que apresenta dispersão até a Zona Equatorial, típica dessa formação, ocorrendo por vezes juntamente com os gêneros Ocotea e Nectandra.

A ocorrência de xaxins altos, é uma boa indicadora (Floresta Atlântica) que é uma floresta primária, ou a floresta já alcançou um equilíbrio muito grande, outra espécie é a batiza (apresenta folhas grandes), quando ela estiver na forma de árvore alta, normalmente indica uma floresta já encontra-se em equilíbrio, em estágio avançado ou é uma floresta primária.

No ambiente Montano, os solos geralmente possuem textura de franco para argilosa, sendo solos autóctones, tornando-se difícil estabelecer em profundidade, alguns locais são bastante profundos, em outros são muito rasos, dependendo muito da condição geomórfica. Por exemplo: em área que favorece o acúmulo de material erodido de local acima, o solo abaixo vai ficar mais profundo, em contrapartida acima mais raso, acontece também em função da declividade.

O mais importante nestas condições passa a ser somente o equilíbrio de ar-água, não importando o solo, se ele possuir boa disponibilidade de água, não em excesso, de uma maneira em geral as espécies são mais ou menos as mesmas, mas a partir do momento que tiver uma condição geomórfica que determina um acumulo de água e remete esta condição para a hidromorfia, muda a vegetação, sendo o quê var comandar a estrutura, florística e o equilíbrio ar-água. Como informação adicional, podemos citar a planície com uma intensidade pluviométrica em torno de 2.000 mm/ano, já nas encostas têm-se registros de 7.000 mm/ano.

5.5 - Floresta Ombrófila Densa Altomontana(topo)

Formação mesofanerofítica, localizada no cume das altas montanhas sobre Solos Litólicos, apresentando acumulações turfosas nas depressões onde ocorre a floresta. A estrutura é integrada por fanerófitos com troncos e galhos finos, folhas miúdas e coriáceas, casca grossa com fissuras. Este refúgio é conhecido popularmente por ¨mata nuvígena ou mata nebular¨, em função dos pontos onde a água evapora se condensa em neblina, pricipitando-se sobre as áreas elevadas. (IBGE, 1992)

Chamada pelo Padre Balduino Rambo de ¨Matinha Nebular¨, não sendo esta exclusiva da serra do mar, ocorrendo em quase todo o mundo, próximo ao limite das áreas de montanha, principalmente nos trópicos temperados e alpinos. Apresenta como denominações semelhantes a Floresta de Musgos, Floresta de Duendes, Floresta de Nuvens, todos os nomes estão relacionados a umidade trazida pelas nuvens.

Quase todos os ambientes de Floresta Altomontana estão íntegros, porque o homem não ve a transformação do recurso natural em dinheiro, em função da madeira não apresentar condições de desdobro, visto que os troncos são tortuosos e não possuem grandes diâmetros, outro fator e a impossibilidade de transformar a área em área agriculturável. A pouca regeneração natural é em função da intensidade de iluminação ser baixa.

Para LEITE & KLEIN (1990), a Floresta Altomontana apresenta um dossel essencialmente uniforme e homogêneo, composto por uma vegetação arbórea densa e baixa, raramente ultrapassando 8 metros de altura, normalmente com folhas miúdas e esclerofilas e com troncos finos, tortuosos e bastante ramificados, totalmente recoberto por musgos e epífitas. Salientam que as espécies encontradas nesses ambientes normalmente são endêmicas.

RODERJAN (1994), relata que as características estruturais e florísticas gerais da Floresta Altomontana são semelhantes aquelas de ambientes homólogos das montanhas intertropicais, sendo seus aspectos comuns de possuir um único estrato arbóreo definitivo, baixa estatura das árvores, elevada densidade por unidade de área, predomínio acentuado de uma ou de poucas espécies e acentuado epifitismo.

Conforme RODERJAN & GRODZKI (1999), o Morro do Anhangava, local em que foi realizado um acompanhamento meteorológico em um ambiente de Floresta Ombrófila Densa Altomontana, realizado pelos autores acima relacionados, os dados meteorológicos coletados com um termohigrogáfo, durante um ano, obteve como dados, a temperatura média anual entre 13o e 14 o, apresentando temperaturas máximas de 30o (no interior da floresta) e como temperaturas mínimas -5o. A precipitação anual em torno de 2.100 mm, a umidade relativa do ar de 92%, sendo que ¼ do ano o ar esta saturado com água (100%), boa parte da umidade que acaba prejudicando as plantas vem da umidade atmosférica, ventos fortes (fenômeno local), a insolação (número de horas de brilho de sol) baixa, sem a presença de nuvens a radiação e muito maior, aumenta o percentual de radiação ultra violeta, que é um dos indicadores que atribuem-se as folhas pequenas e coreáceas.

Podemos verificar observando a Figura 16, que em função das condições climáticas e pedológicas não se poderia esperar árvores grandes, existem poucas epífitas floríferas, predominam musgos, líquens, não se tem lianas.

Floresta Ombrófila Densa Altomontana.

Figura 16 - Floresta Ombrófila Densa Altomontana.

Os mesmos autores, relatam que a altura média de 3,5 metros, apresentando uma densidade por unidade de área de 4.418 indivíduos/ha, as árvores da Floresta Altomontana do morro Anhangava distribuem-se harmonicamente em um único estrato de copas, conforme podemos verificar Figura 17, sendo foram identificadas 25 espécies, pertencentes a 15 famílias botânicas. Myrtaceae é a família mais representativa com 6 espécies distribuídas em 4 gêneros, a Aquifoliaceae, Lauraceae e Melastomataceae estão presentes com 2 espécies cada, a Ilex microdonta (Aquifoliaceae) e Siphoneugena reitzii (Myrtaceae), são as espécies mais importantes desta comunidade, perfazendo juntas metade do contingente arbóreo (56%), destacaram-se a Blepharocalyx salicifolius e Gomidesia sellowiana (Myrtaceae), Drimys brasiliensis (Winteraceae), Tabebuia catarinensis (Bignoniaceae), Weinmannia humilis (Cunoniaceae) e a Myrsine parvifolia (Myrsinaceae).

Já nos levantamentos realizados por KOEHLER et al. (no plero), no Morro do Anhangava, foi encontrado 24 espécies arbóreas pertencentes a 13 famílias botânicas, concluindo que esta baixa diversidade é resultado das condições adversas ao estabelecimento e ao desenvolvimento da vegetação. As famílias mais expressivas no segmento de Floresta Ombrófila Densa Altomontana são: as Myrtaceae, Lauraceae, Aquifoliaceae e Cunoniaceae, dentre as famílias encontradas na área de estudo. Foi encontrado na área de estudo, em termos de valores de densidade no ambiente altomontano é bastante elevada 4.830 indivíduos/ha, correspondendo a uma área basal de 41,87 m2/ha, sendo a espécie mais importante dessa associação foi a Ilex microdonta (Aquifoliaceae), apresentando os maiores índices de densidade (26,92%) e de dominância (46,15%) e um valor de importância de 84,38%, estando em segundo maior valor de importância é de 42,24% pertencente a Blepharocalyx salicifolius.

Perfil esquemático de um trecho da Floresta Densa Altomontana. (RODERJAN, 1994). Figura 17 - Perfil esquemático de um trecho da Floresta Densa Altomontana. (RODERJAN, 1994).

No mesmo levantamento foi constatado que a floresta é composta por apenas um estrato arbóreo, com altura média de 4,6 metros e diâmetro médio de 9,0 cm, contudo existem árvores de maior porte, o que pode-se perceber através do diâmetro máximo observado que foi de 33,0 cm e da altura máxima de 8 metros, relatam ainda que as árvores normalmente apresentam troncos tortuosos e inclinados, encaixando-se as copas umas nas outras para formar um denso dossel, Figura 18.

Vista das copas na Floresta Ombrófila Densa Altomontana.

Figura 18 - Vista das copas na Floresta Ombrófila Densa Altomontana.

Avaliando a decomposição foliar e da serapinheira em cinco espécies arbóreas em um ambiente altomontana, PORTES & GALVÃO (no plero), verificam que a Ilex microdonta, é a espécie que possui a maior taxa de decomposição, apresentando o coeficiente (k) superior a 1, levando em média 203 dias para que 50% das suas folhas sejam decompostas. As demais espécies estudadas possuem (k) menor que 1, sendo a ordem decrescente de todas espécies: Ilex microdonta > Weinmannia humilis > Siphoneugena reitzii > Podocarpus sellowii > Drimys brasiliensis. A taxa de decomposição em um ambiente de Floresta Altomontana é bastante lento, tendo como conseqüência uma acumulação suficientemente importante de matéria orgânica que determina a formação de solos Orgânicos e Litólicos Húmicos, os quais são predominantes e característicos deste ambiente.

Os autores concluem ainda que apesar das pequenas variações, todas as espécies apresentavam baixa concentração de N e alta relação C/N, estando também relacionado com as baixas taxas de decomposição, demonstrando que a floresta altomontana apresenta um padrão de comportamento que a difere de outros ecossistemas tropicais.

PORTES et al. (no plero), relata que nos locais montanhosos, a ciclagem de nutrientes assume papel fundamental para o desenvolvimento das florestas, devido as substâncias solúveis serem lixiviadas pelo movimento de água descendente. Afirmam ainda, que a produção média anual de serapinheira para a floresta altomontana é de 4,5 ton/ha/ano. Os autores ao realizarem a avaliação da deposição de serapinheira e de nutrientes, relatam que as folhas de Ilex microdonta, em função da grande produção (42%), foram tabuladas separadamente, comprovando a importância da espécie. Ressaltam a grande percentagem de galhos na produção de biomassa, quase 25% em função da ação dos fortes e intensos ventos. A epífitas, contribuem com 4% do total, devido a grande ocorrência neste ambiente.

Ao ser feita a avaliação, os mesmos concluem que do total de serapinheira depositada, as folhas totalizam 63% (2,8 ton/ha/ano) dos quais mais de 40% (1,4 ton/ha/ano) são de folhas de Ilex microdonta. Os maiores valores de deposição ocorrem de setembro a novembro, quando o clima começa a se tornar mais quente e úmido. Tanto os teores como as quantidades depositadas de macronutrientes por cada fração, apresentaram-se na seguinte ordem N>Ca>K>Mg>P, sendo o Ca>N nos ramos e casca.

Com relação a composição química, a serapinheira total contribui com 57,0 de N, 3,2 de P, 13,7 de K, 57,9 de Ca e 9,8 de Mg (Kg/ha/ano), sendo as folhas as que mais contribuem com 65% do N, 60% do P, 66% do K, 61% do Ca e 77% do Mg.

Conforme RODERJAN (1994), o relevo é montanhoso a escarpado, com solos pouco desenvolvidos, havendo predominância de Litólicos e Orgânicos, além dos Afloramentos Rochosos nas porções mais elevadas e Cambissolos nas porções menos íngremes.

Caso encontrarmos só matéria orgânica já em contato com a rocha em decomposição ou não, necessariamente seria um Solo Litólico (são Solos Litólicos Hísticos), porque em cima tem matéria orgânica, se possuir uma profundidade superior a 30 cm aí seria um Solo Orgânico, nos ambientes altomontanos predominantemente existe litólico, vai depender muito da profundidade.

Os solos não são considerados hidromórficos, embora possa ser, se pensar na concentração de água que tem, só não é evidenciado no perfil por possuir este tingimento de matéria orgânica. Só é considerado hidromórfico um solo mineral quando aparece argila, mudando a cor para uma tonalidade acinzentada azulada. A temperatura baixa, provoca uma decomposição lenta e vai acumulando em cima (acúmulo de matéria orgânica).

O solo de baixa estabilidade, cumprindo uma função, assim como a floresta., esta umidade constante é mais ou menos responsável pela água que teria nos patamares altitudinais abaixo, tem um enrequecimento de água aqui que é chamado de precipitação horizontal (provocado pelas nuvens), estimando-se em torno de 10% ou mais que na precipitação normal, no entanto esses valores passam a ser muito mais expressivos naquelas épocas que a precipitação e extremamente baixa, pode representar em dados de Floresta Altomontanas até 60% da precipitação, quando esta precipitação é muito baixa em períodos de seca. Esta precipitação acaba contemplando todos os pisos altitudinais abaixo, detalhe importante a precipitação, por razões que não se sabe explicar o pH é mais baixo que o pH de chuva normal, isto é um componente que acaba provocando uma acedificação ainda maior neste solo, o qual apresenta um pH em torno de 3,1; 3,2 até 4,0.

A chuva horizontal e captada pela vegetação, o escorrimento desta pelo tronco das árvores vai careando para o solo, contribuindo com a acidez do solo.

O empobrecimento na concentração de nutrientes nos vegetais, em função de um dos processos que se dá a incorporação, e passivo depende fundamentalmente da transpiração, quando se está perdendo água em cima, evidentemente ele esta retirando também da solução do solo e não esta fazendo uma avaliação do que esta entrando, ele vai passivamente colocando o quê da lá para dentro, acontece que as condições no ambiente são severas, ventos intensos, temperatura baixa, nebulosidade, sol relativamente forte é obvio que as plantas irão fechar os estômatos, fechando os estômatos reduz a taxa de fotossíntese, reduzindo consequentemente a taxa de transpiração, pois não tem a entrada passiva de nutrientes, sendo que a entrada ativa que irá selecionar, que se dá a duras penas e a um conjunto de situações que remetem as condições de Floresta Ombrófila Densa Altomontana.

6 - Refúgios Vegetacionais (campos de altitude)(topo)

Segundo IBGE (1992), toda e qualquer vegetação floristicamente diferente e logicamente fisionômico-ecológica também diferente do contexto geral da flora dominante é considerada com um ¨refúgio ecológico¨, constituindo-se muitas vezes uma vegetação relíquia que persiste em situações especialíssimas, como é o caso de comunidades localizadas em altitudes acima de 1.800 metros. O refúgio ecológico faz parte de vegetação regional , onde é determinado por parâmetros ambientais mais ou menos constantes, contudo, quando um ou mais destes fatores físicos forem alterados provavelmente ocorrerão modificações na estrutura e mesmo na florística da vegetação clímax. Assim, qualquer fator que destoe deste sincronismo ambiental terá como terá como resposta fisionomias diferentes nos ambientes menores.

Nas regiões serranas, acima de determinadas altitudes, a floresta é substituída por uma vegetação arbustiva e/ou herbácea, muito peculiar, sujeita a condições de vida extremamente diversificadas e de natureza bastante complexa variando em sua estrutura e composição, conhecida como Campos de Altitude ou Vegetação Rupeste e constitui uma paisagem típica das partes altas das serras costeiras do sul do Brasil. (HUECK, 1978; RIZZINI, 1979; apud RODERJAN 1999)

Para RODERJAN (1999), devido as dificuldades de acesso, não constituem objeto de atividade economicamente atrativa, passível de comercialização e/ou industrialização, ambiente que possui um desconhecimento científico de vários aspectos, dentre eles a vegetação. Em função deste desinteresse, constitui um dos ambientes naturais mais bem conservados do estado do Paraná, condição esta comparável com as Florestas Altomontanas e aos Manguezais.

SANTOS & HATSCHBACH (1998), apud RODERJAN (1999), ao realizarem levantamento da florística fanerogâmica da vegetação altomontana do morro dos Perdidos, classificaram entre os agrupamentos estudados, estão os Campos Graminosos de Altitude e a Vegetação Rupícola sobre afloramentos, terminologia esta que refere-se a vegetação dos Refúgios Vegetacionais Altomontanos. Ao referir-se à vegetação das encostas do morro com ¨habitat bastante húmido¨, são citadas como espécies características a Burmania discolor, Cladium ficticium, Utricularia reniformis, Utricularia áurea, Oncidium blanchetii, Andropogon ternatus e Valeriana ulei, nos afloramentos rochosos, citam a Mandevilla atropurpurea, Sinningia cardinalis e Bifrenaria harrisoniae.

Já nos levantamentos do Plano de Manejo do Parque Estadual Pico do Marumbí (PARANÁ, 1996), apud RODERJAN (1999), os refúgios foram divididos em Campos de Altitude, sendo encontrada as seguintes espécies: Cladium ficticium, Chusquea pinifolia, Croton splendidus, Mimosa congestifolia e Tabebuia catarinensis, e Vegetação Rupeste, com Achyrocline satureoides, Cladium ficticium, Drosera sp e Baccharis sp.

Em coletas isoladas realizadas por RODERJAN (1999), nas áreas de Refúgios Vegetacionais das serras dos Órgãos e Capivari, foram encontradas 128 espécies distribuídas em 50 famílias botânicas, sendo que as famílias que apresentaram maior número de representantes em ordem decrescente: Asteraceae, Poaceae, Cyperaceae, Rubiaceae, Orchidaceae, Bromeliaceae, Ericaceae e Melastomataceae, dentre todas famílias botânicas.

Segundo o autor, a vegetação está condicionada preponderantemente às características de dois fatores ambientais, resultantes da elevação da altitude em terrenos montanhosos: o clima, com temperaturas baixas no inverno e a ação intensa de ventos, radiação solar e umidade, e os solos, de espessuras modestas até os afloramentos e com elevados teores de matéria orgânica, resultando portanto, em condições ambientais severas para a vida vegetal e animal, exigindo mecanismos específicos para sua adaptação e estabelecimento.

A vegetação predominantemente é herbáceo/graminóide, geralmente hemicriptófitas, caméfitas e geófitas, dotadas de estratégias necessárias para resistir a períodos desfavoráveis e mesmo a variações momentâneas, comuns neste ambiente. A presença de nanofanerófitas (plantas anãs - arbustos), representadas por um pequeno número de espécies, contribui para uma variação fisionômica que imprime um caráter arbustivo à vegetação, sendo enquadrada como Refúgios Vegetacionais Altomontanos Arbustivos, sendo os representantes mais característicos: Croton splendidus, Chusque pinifolia e Mimosa congestifolia.

No levantamento fitossociológico realizado por RODERJAN (1999), nos refúgios vegetacionais, situados preferencialmente da cota 1.300 metros de altitude, nos picos Itapiroca, Capivari Grande, Camapuã, Ciririca, Taipabuçu, Paraná, Tucum e o Agudo da Cotia, apesar da aparente homogeneidade fisionômica dos Refúgios Vegetacionais Altomontanos, foram encontradas 64 espécies, pertencentes a 29 famílias, sendo que destas as que apresentaram maior número foram a Poaceae (9), Melastomataceae (7), Asteraceae (6), Cyperaceae (5), Ericaceae (4), Bromeliaceae e Cladoniaceae (3).

Ao relacionar as espécies mais constantes o autor, concluiu que a caratuva (Chusquea pinifolia), pode ser vista na Figura 19, foi a mais constante, ocorrendo desde pequenos grupos até populações contínuas, caracterizando a fisionomia arbustiva, ocorre indistintamente sobre os dois tipos de solos, e em diferentes condições de exposição e declividade, sendo importantes na florística e fisionomia dos refúgios vegetacionais, caracterizaram-se constantes também as seguintes espécies: Cladoniaceae sp, Croton splendidus, Dychya reitzii, Eryngium koehneanum, Machaerina austrobrasiliensis, Rynchospora cf rugosa, Sphagnum recurvum e Siphoneugena reitzii.

Refúgios Vegetacionais com a  caratuva (Chusquea pinifolia).

Figura 19 - Refúgios Vegetacionais com a caratuva (Chusquea pinifolia).

Caracterizando a fisionomia herbácea, a Machaerina austrobrasiliensis e a Rynchospora cf rugosa, presentes em populações contínuas, ocasionalmente ocorreram a Axonopus sp e Lagenocarpus triquetrus, dentre outras. Logo abaixo do estrato herbáceo, ocupando a superfície do solo, encontrou-se a Sphagnum recurvum (Shagnaceae), normalmente associada a Cladoniaceae. De uma maneira discreta, mas características destes ambientes, estão presentes a Eriocaulon ligulatum (Eriocaulaceae), Gaylussaceae brasiliensis (Ericaceae), Lobelia campestris (Lobeliaceae), Utricularia reniformis (Lentibulariaceae) e Altroemeria apertiflora. E como espécies arbóreas a Ilex microdonta (Aquifoliaceae), Weinmannia humilis (Cunoniaceae) e a Tabebuia catarinensis (Bignoniaceae), as quais são características da Floresta Ombrófila Densa Altomontana.

Ocorre a predominância de solo Orgânico raso a pouco profundo, e de solo Litólico raso epihístico e cascalhento, (RODERJAN, 1999). Os solos Orgânicos, com espessura entre 8 a 80 cm, em declividades acentuadas, possuem alta capacidade de retenção de água, como resposta a um lento processo de decomposição da matéria orgânica. São predominantes nas áreas estudadas, estando associadas as vegetações tanto herbáceas como arbustivas. Sua ocorrência, em áreas abaciadas, resulta em excessivo acúmulo de água, que não raro aflora à superfície, constituindo-se as chamadas ¨turfeiras¨, ocorrendo o predomínio da Cyperaceae Machaerina austrobrasiliensis.

Já os solos Litólicos, predominantemente rasos, com espessuras entre 5 a 31 cm, ocorrem próximos a matacões e afloramentos graníticos, não raro litóides, nas áreas de sua ocorrência, observa-se associações florísticas simplificadas, geralmente herbáceas, com predomínio pelas Axonopus sp (Poaceae), Lagenocarpus triquetrus (Cyperaceae), em condições de espessuras mínimas ao afloramento, observa-se a Drosera montana (Droseraceae), planta considerada insetívora.

7 - Floresta Ombrófila Mista (floresta com araucária)(topo)

Conhecida também como ¨mata-de-araucária ou pinheiral¨, é um tipo de vegetação do Planalto Meridional, onde ocorria a maior freqüência. Segundo o IBGE (1992), está área é considerada como o seu atual ¨clímax climático¨, contudo esta floresta apresenta disjunções florísticas em refúgios situados nas Serras do Mar e Mantiqueira, muito embora no passado tenha se expandido bem mais ao norte porque a família Araucariaceae apresentava dispersão paleogeográfica que sugere uma ocupação diferente da atual.

A mesma citação, informa que foi recentemente constatado a ocorrência de fósseis (fragmentos de caule), em terrenos Juracretácios no Nordeste brasileiro, evidenciando que dentro da ¨plataforma brasileira¨ encontravam-se Coniferales, pois estes fósseis são também encontrados em pontos isolados da borda sul do Planalto Meridional, como por exemplo em Mata (próximo a Santa Maria, região centro do estado do Rio Grande do Sul). Mas como o vulcanismo, iniciado nesta área no Cretáceo e terminado no Terciário Superior, foi responsável pelo despovoamento vegetal do Planalto Meridional, a hipótese de que a Araucaria angustifolia, atualmente alí existente, penetrou através do ¨Escudo Atlântico¨ que se achava unido à grande plataforma afro-brasileira no Paleozóico, parece estar comprovada.

A composição florística deste tipo de vegetação, caracterizado por gêneros primitivos como Drymis e Araucaria (Australásicos) e Podocarpus (Afro-Asiático), sugere, em fase da altitude e da latitude do Planalto Meridional, uma ocupação recente, a partir de Refúgios Altomontanos, apresentando quatro formações diferentes:

  • Aluvial - em terraços antigos situados ao longo dos flúvios.
  • Submontana - de 50 até mais ou menos 400 metros de altitude.
  • Montana - de 400 até mais ou menos 1.000 metros de altitude.
  • Altomontana - quando situados a mais de 1.000 metros de altitude.

Segundo LEITE & KLEIN (1990), a concepção de Floresta Ombrófila Mista, procede da ocorrência da mistura de floras de diferentes origens, definindo padrões fitofisionômicos típicos, em climática caracteristicamente pluvial. A coexistência de representantes das floras tropicais (afro-brasileira) e temperada (austro-brasileira) com elevada relevância fisionômica de elementos Coniferales e Laurales é o denominado Planalto Meridional Brasileiro, diferindo-se pela dispersão natural da Araucaria angustifolia ou ¨curiirama¨dos indígenas. A origem da Araucaria angustifolia e de outros elementos característicos dos pinhais sul-brasileiros tem sido objeto de interessantes hipóteses. Algumas delas, de apreciável valor científico, fundamentam-se em conhecimentos paleogeográficos e paleobotânicos (Wegener, 1912 apud Schenll, 1971 e Hurley, 1976).

Os mesmos autores relatam que com base nestas hipóteses, que os ancestrais da Araucaria angustifolia tiveram ampla dispersão e desenvolvimento no período Cretáceo, antes da ¨migração continental¨, com a deriva continental moldou-se a atual configuração dos continentes, ocorrendo dobras e fraturas das plataformas continentais, originando-se cadeias de montanhas e bacias hidrográficas. Ocorreram flutuações climáticas e mutações vegetais, que desenvolveram adaptações aos diversos ambientes, no continente sul-americano desenvolveu-se a série Columbidae que posteriormente por diferenciação, deu origem à Araucaria angustifolia (no Brasil), e a Araucaria araucana (no Chile). Outra série originou as sete espécies de Araucaria existentes na Austrália.

Para LEITE & KLEIN (1990), o formato arredondado e umbeliforme dos capões e sua típica organização de comunidades, com as espécies macrofanerófitas (esciófitas) no centro, nanofanerófitas (heliófitas) na periferia, preparando ambiente interno dos capões, parecem hoje testemunha do clima pretérito nas posições mais elevadas e meridionais do Planalto das Araucárias.

Segundo KLEIN (1960) apud CEPEF/FATEC (1990) a Araucaria angustifolia ocorre nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná e ao sul do estado de São Paulo, ocorre também em manchas isoladas nos estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Na América do Sul ocorre na Província de Missiones na Argentina e Oeste do Paraguai. O mesmo autor afirma que a Araucaria angustifolia é a árvore mais alta dessa formação (extrato superior), com suas copas verde escuro, formando uma cobertura muito característica.

LIDMAN (1974), as "matas-de-araucária" são muito altas, característica esta que assemelha-se essencialmente as outras matas do Brasil, diferenciando-se apenas pela presença da mistura da Araucaria angustifolia, sendo esta a maior das árvores do sul do Brasil. O autor afirma que se desenvolve juntamente com outras árvores de mata virgem comum. Nesta companhia superior estas espécies representam o papel inferior de mata baixa, as espécies que ocorrem em associação são: Cedrella fissilis, Cupania vernalis, Apuleia leiocarpa, Paraptadenia rigida, Tectona alba, entre muitas outras espécies de Mirtáceas e outras.

7.1 - Floresta Ombrófila Mista Montana(topo)

No estado do Paraná esta formação, encontra-se nos dias atuais em poucas reservas particulares e no Parque Nacional do Iguaçu. Na década de 50, ocupava grandes extensões de terrenos situados entre as cidades de Lajes (SC) e Rio Negro (PR), podia-se observar a Araucaria angustifolia, ocupando e emergindo da submata de Ocotea pulchella e Ilex paraguariensis acompanhada por Cryptocarya aschersoniana e Nectandra megapotanica. Ao norte de Santa Catarina e ao sul do Paraná, associado com a imbuia (Ocotea porosa), formava agrupamentos característicos, atualmente os grandes agrupamentos gregários desapareceram, substituídos por monoculturas. (IBGE, 1992)

A mesma fonte de informação acima citada, relata que na década de 20, consideráveis disjunções de Araucaria, existentes no vale do rio Itajaí-Açu, associadas a Ocotea catharinensis, foram quase inteiramente devastados, restando pequenos remanescentes. Estas considerações exemplificam o lento mas constante desaparecimento da Araucaria angustifolia, que na década de 80, já não apresentava mais expressão fitogeográfica e econômica.

Floresta Ombrófila  Mista Montana.

Figura 20 - Floresta Ombrófila Mista Montana.

Segundo LEITE & KLEIN (1990), a Floresta Ombrófila Mista, conforme Figura 20, esta associada a dois grupos distintos de comunidades, com Araucária e Lauráceas: um primeiro, a araucária distribuindo-se de forma esparsa por sobre bosque contínuo, no qual 70 a 90% das árvores são as espécies: imbuia (Ocotea porosa), sendo esta a mais representativa, a canela-amarela (Nectandra lanceolata), canela-preta (Nectandra megapotamica), canela-fogo ou canela-pururuca (Cryptocarya aschersoniana) acompanhadas da sapopema (Slonea monosperma), por vezes bastante freqüente, da guabirobeira (Campomanesia xanthocarpa) e erva-mate (Ilex paraguaiensis). O outro grupo a araucária forma um estrato superior bastante denso sobre um estrato de 60 a 80% de folhosas, principalmente das seguintes espécies: canela-lageana (Ocotea pulchella), sendo a espécie dominante, canela-amarela (Nectandra lanceolata), canela-guaicá (Ocotea puberula), canela-fedida (Nectandra grandiflora), camboatá-vermelho (Cupania vernalis) e camboatá-branco (Matayba elaeagnoides), acompanhadas de casca-de'anta (Drimys brasiliensis), do pinheirinho (Podocarpus lambertii), pimenteira (Capsicodendron dinissi), guabirobeira (Campomanesia xantocarpa) e diversas Mirtáceas e Aqüifoliáceas.

7.2 - Floresta Ombrófila Mista Aluvial (topo)

Formação ribeirinha, segundo o IBGE (1992), ocupa sempre os terrenos aluvionares situados nos flúvios das serras costeiras ou dos planaltos, é dominada pela Araucaria angustifolia, associada à ecótipos que variam de acordo com as altitudes dos flúvios. Além da ¨ochlospécie¨ dominante, também se encontram Podocarpus lambertii e Drymis brasiliensis, espécies típicas de altitudes.

À medida que a altitude diminui a Araucaria angustifólia associa-se a vários ecótipos de Angiospermas da família Lauraceae, destacando-se os gêneros Ocotea, Cryptocarya e Nectandra, entre outros. No sul do Brasil a floresta aluvial é constituída principalmente por Araucaria angustifolia, Luehea divaricata e Blepharocalyx longipes no estrato emergente e por Sebastiana commersoniana, no estrato arbóreo contínuo.

LEITE & KLEIN (1990), relatam que acompanhando as planícies sedimentares recentes, sujeitas a periódicas inundações, ocorre a formação aluvial da Floresta Ombrófila Mista, nela a araucária, geralmente esta associada com o branquilho (Sebastiania commersoniana), o jerivá (Syagrus romanzoffiana), murta (Blepharocalyx salicifolius), corticeira-do-brejo (Erythrina crista-galli), tarumã (Vitex megapotamica), açoita-cavalo (Luehea divaricata), salgueiro (Salix humboldtiana), além da aroeira-vermelha (Schinus terebinthifolius) e diversas Mirtáceas.

8 - Estepe Gramíneo-Lenhosa(campos) (topo)

Segundo IBGE (1992), neste subgrupo de formação observam-se as ¨floresta-de-galeria¨de porte baixa flanqueando algumas drenagens, constituído pelo estrato herbáceo de sinúsias, hemicriptófitos e geófitos, ambas apreentando pilosidade nas folhas e colmos, o que sugere uma adaptação ao ambiente relativamente seco, em função da campactação superficial do terreno, em vista das queimadas anuais e do excessivo pisoteio do gado.

Os campos limpos, na época desfavorável apresentam uma coloração acinzentada, são dominados por ecótipos dos gêneros Stipa, Andropogon, Aristida e Erianthus. A progressiva ¨desertificação¨, pelo mau uso do solo, pode ser observado em áreas areníticas de Alegrete e Itaqui no Rio Grande do Sul, podemos visuzlizar na Figura 21, onde vicejam os campos quase desprovidos de vegetação na época desfavorável.

Processo de ¨desertificação¨ no município de São Francisco de Assis - RS.

Figura 21 - Processo de ¨desertificação¨ no município de São Francisco de Assis - RS.

Os campos são conhecidos pelo nome do local ou município onde se encontram, podendo, serem distinguidos vários tipos, em conformidade com os parâmetros ambientais locais. Nestes observa-se as florestas de galeria de porte baixo, o estrato herbáceo é constituído por duas graminóides, a dos hemicriptófitos e a dos geófitos, ambas apresentando pilosidade nas folhas e colmos, devido a uma adaptação ao ambiente relativamente seco.

A palavra Estepe, é originária da Rússia conforme LEITE & KLEIN (1990), é significa ¨deserto¨ vulgarmente, foi inicialmente aplicada para definir a vegetação da Zona Holártica submetida a dois períodos de estacionalidade fisiológica distintos, provocados um pelo frio e outro pela seca. A região no Sul do Brasil não apresenta déficit pluviométrico, chove normalmente durante o ano inteiro, os índices térmicos são elevados no verão e baixos no inverno, quando as médias inferiores a 15o C, perduram por mais de 3 meses, com frequentes ações de frentes polares, com geadas e ventos frios de velocidade moderada.

Os campos do Estado do Paraná, acredita-se serem remanescente de um período anterior mais seco e frio. No período atual, mais úmido e quente, favorece as florestas, que no mesmo período seco e frio remanesceram nos fundos de vale e locais de encostas, e neste mais favorável começaram a irradiar sobre os campos. Então é de imaginar que se não houvesse a ação antrópica as florestas cobririam os campos ao longo dos anos. Uma outra teoria da origem dos campos seria a partir do fogo dos períodos pré e pós-cambriano, pois o ambiente seco e frio teria propiciado esta situação com a incidência de raios.

Após subir o 2º planalto observam-se afloramentos com rios de leito superficial, mas não se pode generalizar esta situação para campos, neste local também ocorrem latossolos profundos intercalados com afloramentos. A vegetação campestre, conforme Figura 22, é um reflexo do meio, e a maior diversidade é devido a fatores pedológicos e/ou climáticos. Nesta região tem-se pouca variação pluviométrica ao longo do ano, embora se tenha uma sazonalidade (um período chove mais e outro menos) e solos rasos, profundos e afloramentos.

Estepe Gramíneo-Lenhosa.

Figura 22 - Estepe Gramíneo-Lenhosa.

LEITE & KLEIN (1990), citam que dentre as espécies mais frequentes podem ser mensionadas: o capim-caninha (Andropogon lateralis, Andropogon sellowianus), o capim-touceira (Sporobulus indicus, Eragrostis baiensis), além de inúmeras espécies das gêneros Stipa, Aristida, Panicum, Erianthus, Piptochaetiun, dentre muitos outros.

Os mesmos autores, salientam que podem ser observados amplas áreas de relevo plano-deprimido a suave-ondulado, às vezes com algum problema de hidromorfismo e aeração dos solos, geralmente submetidos a intenso uso e manejo. Nestes locais observa-se a dominância de gramíneas rizomatosas, principalmente a grama-forquilha (Paspalum notatum) e grama-jesuíta (Axonopus fissifolius), ambas com a mesma dispersão no Sul do País.

9 - Savana (cerrado) (topo)

O Parque Estadual do Cerrado encontra-se localizado a nordeste do núcleo urbano do município de Jaguariaíva, no segundo planalto paranaense. A altitude varia de 900 a 800 m, chegando à cota de 750 m ao nível do rio Jaguariaíva. Esta região compreende rochas sedimentares Paleozóicas do grupo Paraná - formação Furnas e formação Ponta Grossa. No relevo predominam formas pouco movimentadas, variando de ondulado a suave ondulado, chegando a escarpado somente no vale do rio Jaguariaíva. Atualmente o cerrado representa 0,5% da cobertura original existente no estado do Paraná e é encontrado nas cidades de Jaguariaíva, São Gerônimo da Serra e Campo Mourão. O Cerrado representa parte de uma vegetação que no passado com clima mais seco tenha ocupado áreas maiores do que ocupa atualmente. No clima atual o Cerrado encontra-se num processo de retração, isto não significa que ele esteja se retraindo, mas que as florestas estão invadindo estas áreas, principalmente as periférias. Isso é importante porque favorece o isolamento geográfico dessas áreas, principalmente no Sul do Brasil, onde as populações que ocupam este espaço não mantém comunicação com outras do Cerrado do Brasil Central. Geneticamente, isto é importante porque se traduz em uma especificação das espécies, neste local, talvez se encontram espécies únicas deste tipo de formação, devido ao seu isolamento.

O contingente florístico do Cerrado do sul do Brasil apresenta-se reduzido em relação ao do Brasil Central, com aproximadamente 150 espécies herbáceas, totalizando cerca de 450 espécies. Ocorre sob um clima de estacionalidade, isto é, zonas climáticas do tipo aw do Köeppen, isto significa que este clima apresenta uma estação seca, que corresponde ao outono-inverno, e uma estação úmida, em que estão concentradas de 60 a 70% das chuvas, e corresponde aos meses de primavera-verão. As plantas apresentam diversas estratégias para evitar a deficiência hídrica que terão que enfrentar durante os períodos secos. Esta região apresenta clima do tipo Cfb, igual ao de Curitiba. Provavelmente no passado era aw, devido ao fato de apresentar uma certa estacionalidade, podendo acontecer ocasionalmente, mas aí não se trata de uma questão climática e sim meteorológica, por isso não se enquadra num aw. A temperatura média anual é de 17,6%, sendo julho o mês mais frio (13,4° C) e janeiro o mês mais quente (21,3°C), a precipitação média anual é de 1383,2 mm, sendo janeiro e julho os meses de maior e menor precipitação (225,4 mm e 61,3 mm respectivamente). No ano ocorrem 129 dias chuvosos contra 236 dias secos.

A vegetação é dividida em dois estratos: herbáceo e arbóreo-arbustivo, o estrato herbáceo compreende praticamente gramíneas, que nesta situação, enfrentam uma deficiência hídrica mais acentuada do que as plantas do estrato arbóreo-arbustivo, porque o sistema radicial destas últimas é bastante desenvolvido para atingir o lençol freático que é também bastante profundo (os Solos são Latossolos profundos), permitindo desta forma, que elas não estejam tão susceptíveis ao déficit hídrico. As herbáceas desenvolveram então, mecanismos especiais para enfrentar o déficit hídrico, como raízes tuberosas (xilopódios) que armazenam água, isto as protege contra à seca e eventuais queimadas.

RAWITSCHER & RACHID (1946), apud UHLMANN et al. (1997), demostram que caules subterrâneos poderiam atuar na proteção contra os efeitos do fogo e do estresse hídrico durante a seca sazonal, para SCHUBART (1959) apud UHLMANN et al. (1997) demostra que a reserva subterrânea de água era um fator importante para a resistência dos vegetais e para RAWITSCHER (1943) apud UHLMANN et al. (1997), associam a ineficácia da reação dos estômatos como forma de resistência à seca, manifestando assim a idéia de que as espécies do Cerrado seriam xeromórficas, porém não necessariamente xéricas.

Para COLE (1986) apud UHLMANN et al. (1997), a genérica associação das savanas arbóreas e graminosas com as superfícies de aplainamento, e da floresta com terrenos declivosos ou dissecados, sugeriria que a distribuíção poderia ser influênciada por condições pedológicas e pelo comportamento do lençol freático. Da mesma forma, AB'SABER (1963) apud UHLMANN et al. (1997), opinou a respeito do envolvimento de um processo dinâmico de mudanças da vegetação conseqüentemente à evolução geomorfológica. Em relação ao solo, é importante salientar alguns aspectos: relacionar fitofisionomia com a distribuição do solo na paisagem e a importância da água na distribuição da fisionomia.

Campo Cerrado.

Figura 23 - Campo Cerrado.

Segundo UHLMANN et al. (1997), uma carácterística marcante observada para as fisionomias savânicas foi a transição gradual das formas mais abertas (campo cerrado), Figura 23; até as mais densas (cerrado sensu stricto), Figura 24, característica não observada na transição com as formações florestais ou com os campos higro/hidrófilos que ocorre abruptamente. Os autores ao realizarem o levantamento das relações entre a distribuíção de categorias fitofisionômicas e padrões geomórficos e pedológicos em uma área de savana (cerrado) no estado do Paraná, percebem que não houve um padrão coincidente da distribuíção dos solos com a vegetação savânica, exceto pela impossibilidade da vegetação lenhosa da savana em ocupar as áreas com elevado grau de hidromorfia no solo, favorecendo a formação de um limite abrupto entre os campos higro/hidrófilos e a savana. Este fato é bem conhecido por diversos autores, aparentemente a vegetação lenhosa do cerrado é incapaz de se estabelecer mediante condições de elevada hidromorfia do solo.

Cerrado sensu stricto.

Figura 24 - Cerrado sensu stricto.

Nos levantamentos realizados pelos autores acima citados, o campo cerrado e o campo limpo/sujo ocuparam áreas de menor declividade (13%), onde houve o predomínio do Latossolo Vermelho-Escuro, profundidade maior que 4 metros, com textura média no horizonte A (franco-argilo-arenoso) e argilosa (argilo-arenosa) no Bw. Estas características pedológicas se mantiveram mais ou menos constantes no terço médio, ainda que a declividade aumentasse (16%) e fosse verificada a transição para o cerrado sensu stricto. No terço inferior, entretanto, até o limite com os solos hidromórficos, o cerrado sensu stricto encontrou-se sobre o Latossolo Vermelho-Amarelo de textura média nos horizontes A e Bw. Resalta-se, que o horizonte A mostrou-se com textura muito próxima à arenosa, e o solum apresentou pequena profundidade em alguns pontos.

O cerrado sensu stricto, posicionou-se no terço superior/médio acompanhando o padrão de distribuíção do Latossolo Vermalho-Escuro. No terço médio/inferior, onde se verificou a formação de um padrão geomórfico convexo-convergente, predominou o campo cerrado. Esta mudança na vegetação ocorreu coincidentemente com uma mudança pedológica, e nesta porção da encosta ocorreu o Latossolo Vermelho-Amarelo.

Quanto aos campos higrófilos (Figura 25), assentaram-se sobre Podzólicos Vermelho-Amarelos gleicos de características muito semelhantes. Apresentaram o horizonte A proeminente com 25 e 35 cm de espessura respectivamente, sendo que a partir de 50 cm ocorreram indícios de gleização, justificando o caráter gleico, que se tornou extremamente acentuado em 70 cm. Logo em seguida aos Podzólicos, à jusante, posicionaram-se os Solos Orgânicos, onde ocorrem os campos hidrófilos, a espessura do substrato orgânico apresentou-e variável.

Campos Higrófilos e Ecótono.

Figura 25 - Campos Higrófilos e Ecótono.

Além disso, a área em questão é ocupada pela floresta de ecótono em toda a sua extensão, uma vegetação de padrão forestal com alguns elementos de savana esparsos e senis, na maioria dos casos. Para os autores, a vegetação do Cerrado é especielmente adaptada para condições de seca sazonal e aproveitamento das reservas subterrâneas de água. A interferência que a geomorfia e geologia podem ter sobre a disponibilidade de água, pode ser de crucial importância na estrutura da vegetação que ocupa um determinado sítio, atribuindo a dinâmica das formações vegetais em áreas de avana aos processos geomórficos envolvidos na modelagem do relevo, sendo que OLIVEIRA FILHO et al. (1989) apud UHLMANN et al. (1997), consideram razoável propor que as variações internas da vegetação do Cerrado pudessem ser devidas à profundidade do lençol freático em relação à superfície do solo.

Um fator que deve ser considerado é o fogo, que ao lado de outros fatores, contribui para a manutenção de uma condição de formas savânicas abertas nas áreas mais altas, salientam que as espécies de savana são capazes de resistir ao fogo, teriam maior poder de resposta em relação às espécies florestais, o que seguramente limitaria a expansão destas formações sobre áreas onde há a savana, permitindo sua manutenção.

Na análise da estrutura de duas unidades fitofisionômicas de savana (cerrado) no Sul do Brasil, UHLMANN et al. (1998) comentam que o campo cerrado caracteriza-se pela presença de indivíduos lenhosos xeromórficos esparsos (cobertura arbórea de 10-30%) e baixos (1-2 metros) em meio a um estrato herbáceo predominantemente graminóide. O cerrado sensu stricto possui indivíduos lenhosos distribuídos de forma mais densa (cobertura arbórea de até 60%) e de maior altura (3-4 metros). O estrato herbáceo é heteregêneo com muitas espécies de subarbustos e ervas em meio às ervas graminóides, as espécies arbóreas apresentavam em seus troncos marcas evidentes de fogo.

Para os autores o cerrado sensu stricto caracterizou-se por maior densidade, dominância, número de espécies lenhosas e diversidade, além disso, este mesmo conjunto de dados indica a maior altura média dos indivíduos do cerrado sensu stricto, embora o diâmetro não tenha apresentado diferenças significativas, a maior representatividade dos indivíduos em classes superiores a 10 cm no cerrado sensu stricto, em torno de 70% dos indivíduos em ambas as categorias concentram-se na classe de 5-10 cm.

No levantamento realizado no Parque Estadual do Cerrado, as 18 espécies encontradas no campo cerrado também foram observadas em maior ou menor grau de importância no cerrado sensu stricto, porém nesta unidade fisionômica, outras 15 espécies foram encontradas.

No campo cerrado, seis espécies responderam por aproximadamente 84% do valor de importância, a Stryphnodendron adstringens, Byrsonima coccolobifolia, Couepia grandiflora, Annona crassiflora, Acosmium subelegans e Anadenanthera peregrina, totalizando 91% da estimativa de densidade e 86% da dominância total, caracterizando portanto, uma fisionomia homogênea, marcada pela abundância de Stryphnodendron adstringens, já as espécies pouco abundantes, como Dalbergia miscolobium, Symplocos lanceolata e Ouratea spetabilis, agregaram até 10% do percentual de cobertura. Stryphnodendron adstringens, Byrsonima coccolobifolia, Couepia grandiflora e Annona crassiflora, somaram pouco mais de 80% da dominância relativa, detendo no conjunto 77% do total do valor de cobertura.

As espécies mais importantes no cerrado sensu stricto, são: Byrsonima coccolobifolia, Anadenanthera peregrina, Couepia grandiflora, Stryphnodendron adstringens, Acosmium subelegans e Lafoensia densiflora, constatando-se que com exceção da última tratam-se das mesmas espécies de maior importância no campo cerrado. No cerrado sensu stricto algumas espécies contribuíram para que houvesse distribuíção marcante de indivíduos nas classes de maior altura, destacando-se Tabebuia ochracea, Ouratea spectabilis, Annona crassiflora, Stryphnodendron adstringens, Austroplenckia populnea, Cinnamomum sellowianum, Miconia sellowiana e Dalbergia miscolobium, que apresentaram mais que 50% dos indivíduos amostrados com altura superior a 3 metros, por outro lado no campo cerrado, a maior parte dos indivíduos foi representada por arbustos de pequeno porte, havendo poucas espécies que se sobressaíram por seu porte.

De acordo com a ecologia de populações, estas espécies são resistentes ao fogo e apresentam elevada capacidade de rebrota. Mesmo que se corte por ação do fogo ou mecânica, elas certamente rebrotam, o que já não acontece com as espécies da floresta, pois elas nem resistem ao fogo e nem rebrotam.

10 - Floresta Estacional Semidecidual (topo)

A Floresta Estacional Semidecidual (Floresta Tropical Subcaducifólia), conceito este devido a vegetação estar condicionada pela dupla estacionalidade climática, uma tropical com ápoca de intensas chuvas de verão, seguida por estiagem acentuada e outra subtropical sem período seco, mas com seca fisiológica provocada pelo intenso frio do inverno, com temperaturas médias inferiores a 15o C. Segundo IBGE (1992), a porcentagem das árvores caducifólias, no conjunto florestal e não das espécies que perdem as folhas individualmente, situa-se entre 20 e 50%.

O mesmo IBGE, estabeleceu critério com finalidade exclusiva de propiciar o mapeamento contínuo de grandes áreas foi o de faixas altimétricas, utilizando também as formações vegetacionais precedentes, como por exemplo: a formação aluvial está sempre presente nos terraços mais antigos das calhas dos rios; a formação de terras baixas ocorre estre 5 e 100 metros de altitude entre os 4o de latitude Norte e os 16o de latitude Sul, de 5 a 50 metros quando localizados nas latitudes de 16o a 24o Sul e de 5 a 30 metros nas latitudes de 24o a 32o Sul; a formação submontana situa-se numa faixa altimétrica que varia de 100 a 600 metros de acordo com a latitude de 4o Norte até 16o Sul, de 50 a 500 metros entre 16o até os 24o de latitude Sul e de 30 a 400 metros após os 24o de latitude Sul; a formação montana situa-se na faixa altimétrica que varia de 600 a 2000 metros de altitude entre 4o de latitude Norte e 16o de latitude Sul, de 500 a 1500 metros entre 16o e 24o de latitude Sul e de 400 a 1000 metros entre 24o e 32o de latitude Sul.

Para LEITE & KLEIN (1990), o fenômeno da semidecidualidade estacional é adotado como parâmetro identificador desta região por assumir importância fisionômia marcante, caracterizando o estrato superior da floresta. Para descrever esta região e a dinâmica sucessional das comunidades, dentro das suas formações vegetais, é conveniente buscar apoio em hipóteses que se ajustem à sua complexa realidade fitossociológica.

Como dizia RAMBO (1956 a) apud LEITE & KLEIN (1990), ¨a vegetação é o espelho do clima¨ e o clima não atua de forma compartimentada, estanque. Para entender a fitossociologia de uma região, não podemos encarar isoladamente, não podendo ser alheio à hipótese da evolução climática, isto é, ignorando conhecimentos paleoclimáticos já evocados para auxiliar o entendimento dos fenômenos fitossociológicos e de repartição da flora de outras regiões fitoecológicas.

10.1 - Floresta Estacional Semidecidual Submontana (topo)

A formação frequentemente ocorre nas encostas interioranas das Serras da Mantiqueira e dos Órgãos e nos planaltos centrais capeados pelos Arenitos Botucatu, Bauru e Caiuá dos períodos geológios Jurássico e Cretáceo. (IBGE, 1992)

O IBGE relata que a ocupação vai desde o Espírito Santo e sul da Bahia até o Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, norte e sudoeste do Paraná e sul do Matograsso do Sul, os gêneros dominantes com indivíduos caducifólios, são os mesmos que ocorrem na Floresta Ombrófila Atlântica, como Cedrela, Parapiptadenia e Cariniana, sendo que nos planaltos areníticos os ecótipos deciduais que caracterizam esta formação pertencem aos gêneros Hymenaea, Copaifera, Peltophorum, Astronium, Tabebuia dentre muitos outros. Contudo o gênero dominante, principalmente no planalto paranaense e no oeste do Estado de São Paulo, é Aspidosperma, com seu ecótipo Aspidosperma polyneuron (peroba-rosa), Figura 26.

Aspidosperma polyneuron (peroba-rosa), espécie emergente na Floresta Estacional Semidecidual Submontana.

Figura 26 - Aspidosperma polyneuron (peroba-rosa)

O solo da porção norte do Parque Estadual Mata dos Godoy, Londrina-PR, segundo boletim técnico da EMBRAPA (1984) apud SILVA (1990), pertence ao tipo Terra Roxa Estruturada Eutrófica moderada textura argilosa, relevo suave ondulado e ondulado. Caracteriza-se como solo mineral, não hidromórfico, com B textural, com argila de baixa capacidade de troca de cátions e rico em alumínio, formado a partir dos produtos de meteorização de rochas eruptivas básicas do derrame do Trapp, do grupo São Bento, do Jurássico-Cretáceo.

No inventário das espécies arbóreas da porção norte do Parque Estadual Mata dos Godoy, foram amostrados 1417 indivíduos/ha, reunidos em 100 espécies, 63 gêneros e 36 famílias, não foi possível a identificação de uma estratificação bem definida para o componente árboreo, no entanto dois níveis de composição são possíveis de serem destacados. Um reúne os elementos componentes do sub bosque, em outro aparecem os elementos emergentes, os quais participam da formação do dossel. Destacam-se as espécies emergentes como: Apidosperma polyneuron (peroba-rosa), Ficus luschnnatiana (figueira-branca), Galesia gorarema (pau d'alho), Alchornea glandulosa e Machaerium minutiflorum (tapiá), Tetrorchidium rubrivenium (canemão), Anadenanthera colubrina (angico), Syagrus romanzofflana (gerivá) e Casearia gossyplosperma (guaçatunga).

O sub bosque é constituído por elementos bastante característico quanto sua forma e tamanho, na maioria de pequenas alturas, não chegando a 8 metros, sendo composto pelas seguintes espécies: Trichilia elegans (pau-de-ervilha), Actinostemon concolor (laranjinha-do-mato), Solanum argenteum (joá-manso), Sorocea bonplandii (cincho), Mollinedia clavigera, Picramnia ramiflora, Cestrum intermedium (coerana), Justicia brasilliana (junta-de-cobra-vermelha) e Prockia crucis.

Espécies que compõem o sub bosque e o dossel, existem outras que intermedeiam esses dois níveis, integrando, muitas vezes algum deles ou mesmo ambos, não sendo no entanto exclussivas de nenhum, podemos destacar as seguintes espécies: Croton floribundus (capixingui), Nectandra megapotamica (canela-preta), Cabralea canjerana (canjerana), Holocalyx balansae (alecrim), Balfourodendron riedelianum (pau-marfim), Cedrela fissilis (cedro), Bougainviliea spectabilis (primavera), Ocotea silvestris (canela), Campomanesia xanthocarpa (guabiroba), Chorisia speciosa (paineira) e Myrocarpus frondosus (cabreúva), sendo característica das espécies a grande amplitude de altura.

Dentre as espécies relacionadas, existem algumas de ocorrência extremamente rara, como: Campomanesia eugenioides, Citronella megaphylla, Heliocarpus copayanensis, Coudenbergia warmingiana e Cinnamomum sellowianum.

Nos levantamentos realizados, a família de maior densidade foi a Meliaceae, seguida das Euphorbiacea, Lauraceae, Arecaceae, Myrtaceae, Apocynaceae e Mimosaceae. A Aspidosperma polyneuron (peroba), foi a espécie que apresentou o maior valor de dominância, seguida por Ficus luschanatiana, Croton floribundus, Galesia gorarema, Nectandra megapotamica, Alchornea glandulosa, Cabralea canjerana e Euterpe edulis. Com relação ao indíce de valor de importância as espécies mais importantes, em ordem decrescente são: Aspidosperma polyneuron, Euterpe edulis, Croton floribundus, Trichilia claussenii, Nectandra megapotamica, Cabralea canjerana, Ficus luschnatiana, Actinostemon concolor, Galesia gorarema e Inga marginata.

BORGO (1999), ao realizar a caracterização do componente arbóreo de um remanescente de Floresta Estacional Semidecidual Submontana no Parque Estadual de Vila Rica do Espírito Santo, localizado em Fênix-PR, registrou na sua amostragem 1550 indivíduos, distribuídos em 36 famílias e 83 espécies. A família mais rica em espécies foi a Lauraceae, seguida das Meliaceae, Myrtaceae, Fabaceae e Mimosaceae, as quais concentram 36% das espécies amostradas.

Nos levantamentos realizados pela autora, a Gallesia integrifolia foi a espécies mais importante na amostra (VI = 42,79), seguida por Euterpe edulis (VI = 33,98), Sorocea bonplandii (VI = 30,78) e Guarea kunthiana (VI = 24,47). A primeira apresentou altos valores de dominância (32,98 %), 4,3 vezes superior à segunda colocada neste parâmetro, o Euterpe edulis (7,62 %). A Cabralea canjerana, embora com baixa densidade e frequência, foi a terceira em dominância (7,02 %), apresentando indivíduos de porte elevado, da mesma forma que a Gallesia integrifolia.

No sub bosque destacou-se a Sorocea bonplandii, sendo um dos componentes mais frequentes neste estrato e com maior densidade na área, acompanhando esta espécie apareceram também o Citrus sinensis, Trichilia catigua, Eugenia moraviana e Trichilia palida. As espécies com representantes emergentes foram Gallesia integrifolia, Aspidosperma polyneuron, Ocotea diospyrifolia, Cabralea canjerana, Alchornea glandulosa, Ficus insipida e Ficus sp. A ocorrência de lianas é muito expressiva (32 espécies). As epífitas são menos frequentes que as lianas na área, sendo representadas por 20 espécies. As espécies com hábito trepador, como Byttneria australis e a Pisonia aculeata, bem como outras Mimosaceae foram as mais frequentes, distribuindo-se nos diversos estratos da floresta, desde próximo ao solo até a copa das espécies arbóreas emergentes.

11 - Sistema Secundário (sucesssão natural) (topo)

A sucessão segue um ritmo natural, chamando-se de vegetação secundária, que surge após o abandono, instalando-se inicialmente um processo pioneiro de colonização do solo. Podem ser classificadas em cinco fases.

A fase inicial (primeira fase), sugere uma ¨regressão ecológica¨, esta fase é colonizada por hemicriptófitos pioneiros, bastante primitivos, como é o caso da pteridófita Pteridium aquilinum, que possui distribuição mundial, e da Gramineae Imperata brasiliensis, as quais praticamente reiniciam o processo de formação do horizonte orgânico do solo. Durante esta fase que começa o aparecimento das primeiras teófilas e caméfitas.

O Pteridium sp (samambaia das taperas), são característico de áreas onde o solo chegou a exauridão, sendo na maioria das vezes abandonado. As folhas desta espécie levam cerca de 20 anos para se decompor, as mesmas possuem uma característica nutricional muito baixa, não ajudando na melhoria das condições nutricionais do solo, desencadeando um processo de retardo na recuperação natural da área.

Não necessitando passar pela primeira fase, a segunda fase depende do estado em que foi abandonado o terreno após o cultivo, fase a qual se denomina de capoeirinha. Apresenta hemicriptófitos, graminóides, caméfitos rosulados e nanofanerófitos de baixo porte, como exemplo as gramíneas do gênero Paspalum, Solanaceae (Solanum), Compositae (Mikania e Vernonia), dentre muitas outras. Aparecem plantas lenhosas o Baccharis (Compositae), Leandra, Miconia e Tibouchina da família das Melastomataceae, que geram alterações microclimáticas e pedológicas necessárias ao estabelecimento de espécies arbóreas das fases posteriores.

Em uma fase mais avançada, encontra-se dominada pelo gênero Baccharis, apresentando poucas caméfitas herbáceas e muitas plantas lenhosas ou sub lenhosas, denominando-se de terceira fase ou ¨capoeira rala¨, Veloso (1945), apud IBGE (1992). As plantas neste estágio, apresentam médio porte, com alturas excepcionalmente de até 3 metros, bastante espaçadas entre si, onde algumas espécies Vernonia começam a substituir o Baccharis.

Ao observarmos a Figura 27, podemos perceber o número de estratos 1 (um), número de espécies 1(um) a Tibouchina sp, ponto de inversão morfológico baixo, não possui a ocorrência de epífitas, não possui cipós, possui muita luz, ambiente pouco diversificado, muito aberto, apresentado diâmetros mais ou menos iguais, pode-se classificar como uma capoeira ou fase inicial.

Terceira fase na sucessão natural com apenas um estrato com  a Tibouchina sp.

Figura 27 - Terceira fase na sucessão natural com apenas um estrato com a Tibouchina sp.

A área acima classificada como capoeira deve ter sido abandonada dos cultivos agrícolas, em função da queda de nutrientes no solo, ou sofreu corte raso, sendo a segunda menos provável em função da não observância de rebrotes de indivíduos que anteriormente possam ter ocupado esta áreas ou tocos. Normalmente na fase de capoeira o acesso e difícil, em função do emaranhado de cipós herbáceos, muita taquara, geralmente na fase inicial a dispersão das sementes ocorre ação dos ventos.

Em locais onde por ocasião de ter existido atividade agrícola, o horizonte superficial (com matéria orgânica), foi erodido, ou grande parte erodida, os processos sucessionais tornam-se extremamente lentos, caso tiver solos com o perfil conservado, preferencialmente a parte superior, todos os processos se dariam com muito mais velocidade, dependendo do sítio.

A quarta fase, denominada segundo Veloso (1945) apud IBGE (1992), de ¨capoeira propriamente dita¨, e dominada por microfanerófitos com até 5 metros de altura. Nos estados do Paraná e Santa Catarina, nas áreas montanhosas dominam nas encostas ora Tibouchina pulchra (enquanto que nos brejos sobressai a Tibouchina multiceps) ora a Miconia cinnamomifolia. Existem outras associações mais complexas dependentes de cada tipo de solo e das situações geográficas. As espécies que se estabeleceram no sub bosque da fase anterior alcançam o dossel e substituem as espécies arbóreas pioneiras de curta longevidade, originando uma diversidade florística maior e uma fisionomia mais heterogênea, já é perceptível a formação de um segundo estrato arbóreo, começando a surgir epífitas, favorecidas pela modificação microclimática do interior.

Dominada por mesofanerófitos, com plantas que ultrapassam 15 metros de altura, a quinta fase é eminentemente lenhosa, sem plantas emergentes, bastante uniforme quanto a altura dos elementos dominantes. Podem ser observados muitos indivíduos do clímax circundante, é uma comunidade denominada popularmente como ¨capoeirão¨, Veloso (1945) apud IBGE (1992). Pela dinâmica sucessional, a vegetação aproxima-se a fisionômia, estrutura e floristicamente das formações primárias. Há pelo menos três estratos arbóreos definidos e a presença de lianas e epífitas é expressiva.

Podemos observar na Figura 28, um capoeirão, o qual encontra-se bastante antropisada. Ressalta-se que a colonização de vegetação secundária e uma questão de oportunismo, da época e do tempo de uso do solo, no caso a predominância e a Vochysia bifalcata (guaricica), a qual possui um crescimento bastante rápido (madeira clara, fácil de trabalhar, não durável) e um comportamento bastante interessante no litoral Paranaense, o de colonizar determinadas fases de sucessão, podendo estabelecer-se primeiro, sendo apenas uma questão de oportunidade, poder estar associada com outras espécies com o Tibouchina pulchra (jacatirão).

Capoeirão bastante antropizado, com predominância de Vochysia bifalcata (guaricica).

Figura 28 - Capoeirão bastante antropizado, com predominância de Vochysia bifalcata (guaricica).

Em uma área datada de 12 anos, os guaricicais possuíam em torno de 40 cm de diâmetro, estima-se que Eucalyptus sp melhorados regulariam com a guaricica, salienta-se aqui o potencial que a mesma possui, visto a mesma possuir potencial para consorciação com outras espécies, como o palmito, necessitando apenas de estudos de melhoramento da espécie, para que possa ser explorada e plantada com fins comerciais.

Quando se chega numa fase mais avançada, maior amplitude de diâmetro, estrutura mais ou menos formada, temos estratificação, com o dossel fechado (permitindo pouca entrada da luz solar), abaixo do dossel possui grande quantidade de arvoretas, estratos bem diferenciados, sub bosque, onde a maior diversidade de espécies vai estar no estrato superior e médio e a menor diversidade no sub bosque, talvez o sub bosque tenha muito mais espécies do que na fase inicial do processo. Pode-se exemplificar numa Floresta com Araucária, o 1o estrato e o mais simplório deles, com apenas a Araucária e uma ou outra Lauraceae, o estrato imediatamente abaixo e que possui maior diversidade. Numa fase inicial ou intermediaria onde se tem a menor diversidade e no dossel e a maior diversidade e nos estratos intermediários.

Segundo anotações de aula (2000), podemos classificar uma formação vegetal como floresta baseado nos seguintes parâmetros:

  • Estratificação - em florestas observamos mais de um estrato, podendo ser constituída pelo dossel, primeiro estrato, segundo estrato e o sub bosque.
  • Fase sucessionais - pode estar em diferentes fases, inicial, intermediária, avançada ou ainda numa fase de estabelecimento que não chegou a secundária, também existe a fase de floresta primária.
  • Amplitude em diâmetro - ao relacionarmos os diâmetros menores e árvores mais grossas, observando-se também o porte dos indivíduos.
  • Nível de epifitismo - por exemplo, o manguezal praticamente não possui epífitas, elas vão se intensificando a medida que passa de uma formação pioneira para o conceito de uma floresta (não sendo uma fase inicial).
  • O ponto de inversão (PI), serve para diagnosticar se um indivíduo chegou (estabeleceu-se) depois daqueles que estão em torno dele, como para verificar se um ambiente e recente ou antigo, acaba-se sempre fazendo um resgate histórico da área. Pode-se classificar como ponto de inversão também, aquele ponto em que a árvore vai crescendo em busca de luz, quando ela acha, abre a copa e muda sua forma de crescimento.

Tanto para sucessão primária, como para a secundária os índices desses parâmetros são os mesmos, lembramos de densidade, a idéia e de que as áreas mais jovens em formação tenham uma alta densidade. Se quantificar a restinga, por exemplo, ela pode ter um número grande de indivíduos do que uma floresta, pelas seguintes razões: qualquer ecossistema, principalmente os empobrecidos, como o exemplo (restinga), até pouco tempo só existia areia, sem nenhuma condição nutricional boa, somente o tempo determinou a possibilidade desta vegetação se estabelecer, pela entrada de nutrientes pelas chuvas, fixação de biomassa, para que a vegetação pudesse se estabelecer.

Jamais uma espécie pioneira vai se estabelecer no interior de uma floresta, porque o ambiente não possui mais a condição para o estabelecimento da espécie, outras espécies numa fase mais avançada do processo se estabelecerão. As sementes da fase inicial possuem uma vida longa, podendo ficar anos embaixo dos solos, já no interior de florestas em fase avançada, as sementes são grandes e de vida curta, caiu no solo vão germinar.

12 - Classificação das Formas de Vida (topo)

Segundo o IBGE (1992), a classificação baseada em RAUNFIAER foi adaptada às condições brasileiras, classificando as formas de vida em:

  • Fanerófitas: plantas lenhosas com gemas e brotos de crescimento protegidos por catafilos, situados acima de 0,25 metros do solo. Subdividem-se conforme a altura média.
  • Macrofanerófitos: são plantas de alto porte, variando de 30 a 50 metros.
  • Mesofanerófitos: plantas de médio porte, variando entre 20 e 30 metros.
  • Microfanerófitos: plantas de baixo porte, variando entre 5 e 20 metros.
  • Nanofanerófitos: plantas anâs. Raquíticas, variando entre 0,25 a 5 metros de altura, ocorrendo em áreas campestres.
  • Caméfitos: plantas sublenhosas e/ou ervas com gemas e brotos de crescimento situados acima do solo, atingindo até 1 metro de altura e protegidos durante o período desfavorável, ocorrem preferencialmente nas áreas campestres pantanosas.
  • Hemicriptófitos: plantas herbáceas com gemas e brotos de crescimento protegidos ao nível do solo pelos céspedes que morrem na época desfavorável, ocorre em áreas campestres.
  • Geófitos: plantas herbáceas com órgãos de crescimento (gema, xilopódio, rizoma ou bulbo), situados no subsolo, estando protegidos, ocorrem preferencialmente nas áreas campestres, algumas vezes em áreas florestais.
  • Terófitos: plantas anuais, onde o ciclo vital é completado por sementes que sobrevivem à estação desfavorável, ocorre exclussivamente em áreas campestres.
  • Lianas: plantas lenhosas e/ou herbáceas reptantes (cipós), com gemas e brotos de crescimento ocorrendo acima do solo, ocorrem exclussivamente em áreas florestais.
  • Xeromórfitos: plantas lenhosas e/ou herbáceas que apresentam duplo modo de sobrevivência ao período desfavorável, um subterrâneo e outro áereo, com gemas e brotos de crescimento protegidos por catafilos. Plantas apresentam alturas variáveis desde 0,25 até 15 metros, ocorrendo frequentemente nas áreas de savanas do Centro-Oeste brasileiro.

13 - Bibliografia(topo)

ANGULO, R.J. Geologia da planície costeira do Estado do Paraná. 1992. 334p. Tese (Doutorado). Universidade de São Paulo: Instituto de Geociências, 1992.

ATHAYDE, de S. F. Composição Florística e Estrutura em Quatro Estágios Sucessionais de uma Floresta Ombrófila Densa Submontana como Subsídio ao Manejo Ambiental - Guaraqueçaba - PR. 1997. Dissertação (mestrado). Curitiba: Universidade Federal do Paraná, 163 p.

BORGO, M. Caracterização do componente arbóreo de um remanescente de floresta estacional semidecidual submontana no Parque Estadual de Vila Rica do Espérito Santo, Fênix - PR. 1999. Monografia (obtenção do título de Bacharel em Ciências Biológicas). Universidade Federal do Paraná. 41 p.

CAMARGO, J.C.G.; PINTO, S.A.P.; TROPPMAIR, H. Estudo fitogeográfico e ecológico da bacia hidrográfica paulista do rio da Ribeira. Biogeografia, v.5, p. 1-30, 1972.

CENTRO DE PESQUISAS FLORESTAIS/FUNDAÇÃO DE APOIO A TECNOLOGIA. Inventário florestal da fazenda Tupy - Nova Prata, RS. Santa Maria, 1990.

EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA - SNLCS. Levantamentos de reconhecimento dos solos do estado do Paraná. Curitiba: EMBRAPA, SNLCS/SUDESUL/IAPAR, 1984. v.2.

GALVÃO, F.; RODERJAN, C. V.; KUNIYOSHI, Y. S.; ZILLER, S. R. Composição florística e fitossociológica de caxetais do litoral do Estado do Paraná - Brasil. 1999, 25 p. (no plero)

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA - IBGE. Manual técnico da vegetação brasileira: série manuais técnicos em geociências. 1992. 92p. Rio de Janeiro, n.1, 1992.

KOEHLER, A.; PORTES, M. C. de. O.; GALVÃO, F.; RODERJAN, C. V. Floresta ombrófila densa altomontana, caracterização florística, estrutural e fisionômica. 2000, 7 p (no plero)

LEITE, P.F. As diferenças unidades fitoecológicas da Região Sul do Brasil. Proposta de classificação. Curitiba, 1994. 160p. Dissertação (Mestrado em Engenharia Florestal) - Universidade Federal do Paraná, 1994.

LEITE, P.F.; KLEIN, R.M. Vegetação. In: Geografia do Brasil - Região Sul. Rio de Janeiro: IBGE. v.2, p.113-150, 419p. 1990.

LINDMAN, C. A. M; FERRI, Mario Guimarães. A vegetação do Rio Grande do Sul. São Paulo: Universidade de São Paulo, 1974. 377 p.

MAACK, R. Geografia física do Estado do Paraná. Curitiba: Livraria José Olympio, 1968. 442p.

MELO, M.M.R.F.; BARROS, F.; WANDERLEY, M.G.; KIRIZAWA, M.; JUNG-MENDAÇOLLI, S.L.; CHIEA, S.A.C. Flora fanarogâmica da Ilha do Cardoso: caracterização geral da vegetação e listagem das espécies ocorrentes. São Paulo: Instituto de Botânica, Editora: Hucitec, São Paulo. 1991. 181p.

MENEZES-SILVA, S. As formações vegetais da planície litorânea da Ilha do Mel, Paraná, Brasil : composição florística e principais características estruturais. 1998. Tese (doutorado). Campinas : Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas, 262 p.

PORTES, M. C. de. O.; KOEHLER, A.; GALVÃO, F. Floresta ombrófila densa altomontana, avaliação da deposição de sarapilheira e de nutrientes. 2000, 7 p (no plero)

PORTES, M. C. de. O.; GALVÃO, F. Floresta ombrófila densa altomontana, avaliação da decomposição foliar de cinco espécies arbóreas e da serapilheira. 2000, 7 p (no plero)

RACHWAL, M.F.G.; CURCIO, G.R. Principais tipos de solos do Estado do Paraná, suas características e distribuição na paisagem. In: A vegetação natural do estado do Paraná. IPARDES, 1994. 5p.

RIZZINI, C. T. Tratado de Fitogeografia do Brasil. Âmbito Cultural Edições Ltda., 2a edição, 1997, 747 p.

RODERJAN, C.V.; KUNIYOSHI, Y.S.; GALVÃO, F. As regiões fitogeográficas do estado do Paraná. Acta Forestalia Brasiliensis, Curitiba: SBCTF, v.1, p.1-3, 1993.

RODERJAN, C. V.; GALVÃO, F.; KUNIYOSHI, Y. S.; HATSCHBACH, G.; KIRCHNER, F. F. Levantamento da vegetação da área de proteção ambiental de Guaratuba - APA de Guaratuba. Universidade Federal do Paraná : Departamento de Silvicultura e Manejo. Relatório Técnico, 1997. 78 p.

RODERJAN, C. V. O gradiente da Floresta Ombrófila Densa no Morro Anhangava, Quatro Barras, Pr - Aspectos climáticos, pedológicos e fitossociológicos. Curitiba, 1994. Tese (Doutorado em Engenharia Florestal)-Universidade Federal do Paraná, 119 p.

RODERJAN, C. V.; GRODZKI, L. Acompanhamento meteorológico em um ambiente de floresta ombrófila densa altomontana do Morro Anhangava, Município de Quatro Barras - PR, ano de 1993. Caderno da Biodiversidade., v. 2, n. 1, julho de 1999. 27 - 34 p.

RODERJAN, C. V. Caracterização da vegetação dos refúgios vegetacionais altomontanos (campos de altitude) nas serras dos Órgãos e do Capivarí no Estado do Paraná. Relatório apresentado ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq, Relativo a Bolsa Produtividade em Pesquisa - biênio 1998/99. Curitiba. 1999. 36 p.

SILVA. L. H. S. e. Fitossociologia arbórea da porção norte do Parque Estadual Mata dos Godoy, Londrina - Pr. 1990. Dissertação (mestrado). Curitiba: Universidade Federal do Paraná, 197 p.

SUGUIO, K.; MARTIN, L. Geomorfologia das restingas. In: ACIESP, SIMPÓSIO SOBRE ECOSSISTEMAS DA COSTA SUL E SUDESTE BRASILEIRA, 1987. Cananéia. Anais. v. 3, p. 182-205.

SUGUIO, K.; TESSLER, M. G. Planície de cordões litorâneos quaternários do Brasil: origem e nomencaltura. In: ACIESP, SIMPÓSIO SOBRE ECOSSISTEMAS DA COSTA SUL E SUDESTE BRASILEIRA, 1984. Cananéia. Anais. n. 71, p. 185-206.

UHLMANN, A.; CURCIO, G. R.; GALVÃO, F.; SILVA, S. M. Relações entre a distribuição de categorias fitofisionômicas e padrões geomórficos e pedológicos em uma área de savana (cerrado) no estado do Paraná, Brasil. Arq. Biol. Tecnol. v. 40, n. 2, p. 473-483, 1997.

UHLMANN, A.; GALVÃO, F.; SILVA, S. M. Análise da estrutura de duas unidades fitofisionômicas de savana (cerrado) no sul do Brasil. Acta. Bot. Bras. v. 12, n. 3, p. 231-247, 1998.

VELOSO, H.P.; RANGEL-FILHO, A.L.; LIMA, J.C.A. Classificação da vegetação brasileira, adaptada a um sistema universal. Rio de Janeiro: IBGE, 1991. 123p.

VELOSO, H. P.; KLEIN, R. M. As comunidades e associações vegetais da mata pluvial do sul do Brasil. Sellowia, v. 13, p. 205-260, 1961.

WISNIEWSKI, C.; ZILLER, S.R.; CURCIO, G.R.; RACHWAL, M.F.; TREVISAN, E. SOUZA, J.P.de. Caracterização do ecossistema e estudo das relações solo-cobertura vegetal em planície pleistocênica do litoral paranaense. Departamento de solos/UFPR/Projeto integrado-CNPq: Relatório final. 1997. 55p.

Autores

* Luciano Farinha watzlawick -> Profº Dr. do Departamento de Agronomia da Universidade Estadual do Centro-Oeste - UNICENTRO - Guarapuava/PR. farinha@unicentro.br

** - Daniel Saueressig -> Acadêmico de Engenharia Florestal da Universidade Estadual do Centro-Oeste - UNICENTRO - Irati/PR. danielsaueressig@yahoo.com.br

Notas de Rodap?

Projeto: Daniel Saueressig | Design: Alex Saueressig