Solo é o material inconsolidado sobre a superfície da terra que serve como meio natural para as plantas "(Soil Science Society of América, 1973)".
É o resultado da ação dos fatores físicos e químicos que atuam sobre a rocha matriz desintegrando-a. O produto resultante dessas ações é que vai definir o tipo de vegetação que irá ocorrer numa determinada região, e ainda indicar a composição de espécies.
Como elemento fundamental dos ecossistemas, o solo é o fator do meio que influi diretamente na regeneração e estabelecimento da vegetação, especialmente das florestas, e no seu conseqüente desenvolvimento com vistas a uma produção satisfatória.
Em relação às florestas e qualquer tipo de vegetação, o solo constitui-se no fator do ecossistema de abastecimento de água e nutrientes, cuja disponibilidade está na dependência do clima geral, do relevo, dos processos físicos do solo, da matéria orgânica disponível, dos microorganismos existentes e ainda da qualidade química dos minerais do solo.
No decorrer do desenvolvimento das espécies vegetais, ocorre uma estreita inter-relação entre os fatores que determinam a formação do solo e o ambiente dos ecossistemas, o que ocasiona uma mudança nas características da vegetação, resultando num processo natural de seleção de espécies. Assim, a forma das paisagens representa um retrato do momento de um processo continuo e dinâmico das formações vegetais.
A atividade florestal constitui-se numa ação que tem influência direta sobre o ambiente, especialmente sobre o solo, capaz de provocar profundas modificações no ecossistema.
Por isso o planejamento da utilização dos recursos florestais de forma racional e sustentável é muito importante, pois esse envolve as árvores, os animais, a água e principalmente o solo.
Nesta obra discute-se as relações e as inter-relações que ocorrem entre o solo, um dos mais importantes elementos do habitat, e a floresta, o que vai permitir uma maior compreensão dos leitores no que se refere á complexidade dos ecossistemas terrestres.
O solo é uma mistura de substancias minerais resultantes da decomposição da rocha matriz pelos fatores físicos e químicos, e de matéria orgânica produzida pela decomposição dos resíduos vegetais e animais, tornando-se elemento que melhor representa a complexidade dos ecossistemas.
A formação do solo ocorre através da influencia dos fatores ambientais que auxiliam na intemperização, quais sejam: o clima, os organismos vivos, o material de origem, o relevo e o tempo. Todos esses elementos atuando de forma integrada sobre o material depositado vão se fragmentando-o até dimensões de grão e pó.
Geralmente considera-se o clima como o elemento mais importante na formação do solo, afetando diretamente o intemperismo pela ação da temperatura, umidade e pressão atmosférica, acelerando o ritmo dos processos físicos e químicos de decomposição da rocha matriz.
A temperatura e a precipitação exercem profunda influência sobre os ritmos dos processos físicos e químicos que regulam a atividade de formação e desenvolvimento dos perfis do solo. As variações bruscas de temperatura que causam superaquecimento durante o dia e resfriamento durante à noite atuam fortemente na intemperização, desempenhando papel importante para fraturar a rocha e diminuir o tamanho de seus fragmentos. O intemperismo químico é altamente influenciado pela temperatura. Para cada 10°C de absorção térmica duplica o ritmo das reações químicas na formação do solo. Outro elemento importante no intemperismo é a água da chuva que carrega dióxido de carbono da atmosfera, afetando os carbonatos de cálcio e de magnésio, atingindo também os feldspatos e as micas que são constituídas principalmente por silicatos de alumínio, os quais contêm cátions de sódio, potássio, cálcio, magnésio e de ferro.
Estes minerais são hidrolizados pela solução ácida, produzindo minerais argilosos e liberando íons metálicos. O clima também exerce efeitos indiretos sobre a distribuição das plantas, microfauna e fauna associada.
A micro e a macrofauna existentes na camada superior da superfície terrestre, constituídas principalmente por bactérias, fungos, algas, insetos, minhocas e outros são os elementos vivos que iniciam a chamada fase orgânica do solo, sendo responsáveis pela decomposição dos resíduos que auxiliam no surgimento das plantas.
O acumulo de matéria orgânica, a mesclagem dos perfis, a ciclagem dos nutrientes e a estabilidade estrutural são viabilizados pela presença de microorganismos no solo. Ainda o nitrogênio é adicionado ao solo pelos microorganismos na forma isolada ou em associação com os vegetais. Os elementos minerais presentes nas folhas, ramos e troncos dos vegetais exercem influencia importante sobre os solos.
Os solos formados sobre a superfície do globo terrestre provem de diferentes tipos de rochas:
São rochas, cuja consolidação tem origem em material vulcânico de profundidade expressiva, rochas plutônicas, ou na superfície, rochas extrusivas como o granito, basalto, quartzo e outras. No entanto, deve-se salientar que nem sempre essas rochas são encontradas próximas a vulcões, uma vez que elas podem ser deslocadas pela erosão e transportadas para outras regiões, podendo-se encontrar basalto intercalado com rochas sedimentares.
As rochas ígneas apresentam altos teores de minerais ferrosos-magnesianos, inclusive o diabásio, responsável pela formação da terra roxa ou latossolo roxo. Essas rochas apresentam qualidades diferentes em função da sua estrutura e composição mineralógica, podendo ser ácidas ou básicas. O conteúdo de elementos nutritivos pode ser avaliado pela cor, sendo que as rochas escuras possuem maiores quantidades de nutrientes que as claras.
As rochas claras têm origem no quartzo, feldspato branco, muscovitas que são ricas em óxidos de silício (SiO2) enquanto as rochas escuras são ricas em biotita, augita, hornblenda, olivina que são ricas em ferro, manganês e magnésio.
Este tipo resulta da transformação das rochas e/ou sedimentares, as quais pela ação do calor e pressão sofrem mudanças na sua constituição física como forma, estrutura, cor e composição mineralógica.
Essas transformações são causadas por vários fatores, tais como: ação do calor, agentes físicos e as reações químicas que alteram a composição desses minerais. A origem dessas rochas, pela transformação que sofrem, em muitos casos, pode não ser reconhecidas, diminuindo a qualidade do solo com o aumento da metamorfose. As rochas metamórficas mais comuns são os gnaisses, quartzitos, micaxistos, filitos, anfibolitos e mármores, sendo os gnaisses os mais importantes em termos florestais, por formarem solos ácidos e com alto teor de argila grossa.
Estas originam-se pela deposição dos sedimentos, ou seja, do material alterado de outras rochas. Os processos de formação desse tipo de rocha ocorrem através:
Os sedimentos solidificados são sempre mais pobres em nutrientes que o seu material de origem. Sua qualidade depende da granulação e da sua composição mineral orgânica, do grau de solidificação e do meio de ligação, os quais podem ser cálcio, magnésio, ferro ou hidróxido de ferro, alumínio ou quartzo, independente de o sedimento ser de origem aluvial ou coluvial.
As rochas sedimentares podem ser constituídas pelos mais variados tipos de matérias. Desta maneira elas podem ser formadas por cimentação dos produtos alterados, não apresentando composição definida, isto porque o material carregado pela água pode estar em várias formas: solubilizado como acontece com os sais minerais ou em suspensão no caso de argila e partículas menores.
No caso dos seixos, o transporte acontece por rolamento no leito das correntes de água. A deposição desse material transportado ocorre em camadas horizontais paralelas à superfície do local onde se acumulam, de modo que as camadas mais profundas são as mais velhas. As rochas sedimentares são representadas pelos arenitos, argilitos, dolomitos e fosforitos.
O termo relevo refere-se às formas do terreno que compõem a paisagem e a sua ação reflete diretamente na dinâmica da água, tanto no sentido vertical, infiltração, como lateral através do escoamento da água das chuvas e da drenagem do solo.
O relevo pode ter influencia profundo sobre o desenvolvimento do solo, superando em alguns casos o próprio clima. O relevo afeta o desenvolvimento, sobretudo através da lixiviação, da erosão e da cobertura vegetal.
O relevo interfere na formação do solo e modifica o perfil através dos seguintes processos:
A variação do relevo origina uma seqüência de perfis geneticamente ligados entre si, mas diferenciados por características morfológicas.
Os solos formados nas partes altas do terreno diferem das encostas e baixadas. Em função da topografia os solos podem apresentar as seguintes denominações:
O relevo exerce ação indireta sobre o clima através da incidência diferenciada da radiação solar; do decréscimo da temperatura com o aumento das altitudes; da distribuição da energia em função da exposição e da ação dos ventos, tendo também influencia sobre os seres vivos especialmente da vegetação que se expressa de acordo com o solo.
O período de tempo necessário para que um solo desenvolva-se e alcance seu equilíbrio com o meio depende da rocha matriz que lhe deu origem, das condições do clima, dos organismos vivos e da topografia.
O tempo é o fator de formação do solo que define o quanto à ação do clima e dos organismos vivos atuam sobre a rocha matriz em um determinado tipo de relevo.
Dos fatores de formação do solo, o tempo é o mais passivo, porque não adiciona, não exporta material, não gera energia que possa acelerar o intemperismo físico ou químico necessário para a formação do solo. Contudo, o sistema solo não é estático, variando, com o passar do tempo e ao longo de sua formação, suas transformações, transporte, adições e perdas.
As rochas, ponto de partida do intemperismo originário, dividem-se, de inicio, em fragmentos menores e eventualmente nos minerais que os compõem. O intemperismo pode ser físico ou químico, e sua velocidade varia conforme as regiões da terra.
Os fatores ligados ao intemperismo nas diferentes zonas climáticas da terra são a temperatura e a precipitação.
O intemperismo físico desempenha papel importante durante as primeiras etapas de desenvolvimento do solo, atuando sobre a degradação do material de origem. Nas áreas glaciais os solos são formados lentamente, transportados e depositados principalmente pela água oriunda do degelo.
Os materiais rochosos que se encontram na superfície do solo sofrem influência do clima (temperatura, gradiente de aquecimento e resfriamento) que ocasionam tensões laterais resultando na fragmentação da rocha.
A superfície do solo está sujeita à ação da erosão e sedimentação através do poder abrasivo das partículas de areia, e do poder erosivo dos sedimentos.
O intemperismo do solo também é influenciado pela ação dos vegetais, principalmente através das pressões exercidas pelas raízes durante o desenvolvimento do vegetal.
No processo de formação do solo as alterações químicas são de maior importância que os fatores físicos, porque são as reações químicas que fornecem as condições de nutrição para os vegetais.
Os principais agentes do intemperismo químico são a água, o oxigênio e o gás carbônico, os quais atuam isolados ou simultaneamente e determinam as modificações químicas nos constituintes mineralógicos das rochas.
A vegetação tem participação ativa nos processos de formação química do solo pela troca catiônica do material através do contato direto das raízes com a superfície coloidal do solo, além da participação nos estoques de nutrientes do sistema pela absorção dos cátions da solução do solo. Os elementos nutritivos retirados pelas raízes retornam ao ecossistema através dos resíduos, ou são exportados pela colheita ou pela retirada do material vegetal.
A temperatura influi diretamente sobre o intemperismo químico. Abaixo de 0°C praticamente não se verifica intemperização química das rochas. A maioria dos sais minerais, que absorvem calor quando dissolvidos, são mais solúveis em temperaturas mais elevadas. Algumas partes da rocha são mais facilmente intemperizadas do que outras, devido à maior facilidade do ataque químico ou a presença de minerais mais susceptíveis à alteração. Entre esses estão os que contêm ferro ou a presença de algum mineral, como a pirita que ao se decompor origina ácido sulfúrico (H2SO4) capaz de atacar mais rapidamente outros minerais.
Rochas ígneas sofrem uma ação muito lenta das intempéries principalmente nas regiões tropicais úmidas. A alteração química das rochas processa-se através da ação da água das chuvas que levam para o solo pequenas quantidades de CO2 atmosférico. Esse gás, dissolvido em água, dá origem ao ácido carbônico (H2CO3), impossível de ser isolado, mas capaz de dar origem a vários carbonatos derivados da alteração das rochas.
Os principais processos responsáveis pelo intemperismo químico das rochas são dissolução, hidrolise, hidratação, oxidação e redução, carbonatação, quelatização e formação de complexos.
Solo é a coleção de corpos naturais que ocupam parte da superfície terrestre e constituem o meio natural para o desenvolvimento das plantas terrestres. Os solos são dotados de atributos resultantes da diversidade de efeitos da ação integrada do clima e dos organismos, agindo sobre o material de origem, em condições de relevo durante certo período de tempo.
A estratificação em camadas ou horizontes ocasiona a formação de corpos naturais denominados solos em que cada um é caracterizado por determinada seqüência de horizontes. Tal seqüência é denominada "Perfil do Solo".
O perfil do solo consiste em um ou mais seções paralelas à superfície do terreno. Quando essas seções são individualizadas por atributos das ações dos processos pedogenéticos, denominam-se horizontes. As seções são denominadas camadas quando são pouco ou nada influenciadas pelos processos pedogenéticos.

Perfil de solo
Em nível de campo, os horizontes são identificados pela constatação de atributos morfológicos (prontamente perceptíveis) como: estrutura, textura, cor, consistência e cerosidade. Porém isso nem sempre é possível, tornando-se necessário obter informações de atributos físicos e químicos e/ou mineralógicos, mediante análises de laboratório.
A denominação de horizontes e camadas é feita por símbolos representados por letras e números. Esses símbolos convencionalmente informam a relação genética entre horizontes no conjunto do perfil.
Os horizontes do solo são simbolizados pelas seguintes letras maiúsculas: O, A, B, C, e R.

Horizontes e Camadas
"O" - Horizonte ou camada superficial formada em condições de boa drenagem, constituída de material essencialmente vegetal, depositado na superfície do solo mineral. Resulta no acamamento de plantas e animais mortos. Ocorre via de regra, em áreas florestais e está ausente nas regiões de pastagens.
"A" - Horizonte mineral ou superficial subjacente ao horizonte ou camada O, de maior atividade biológica e incorporação da matéria orgânica bastante mineralizada, intimamente associada à matéria mineral. É o horizonte que está na superfície de solo e o de maior interesse nos preparos para o cultivo. É a porção mais viva, de maior atividade da fauna e da flora macro e microbiológica responsáveis pela produção de matéria orgânica no próprio solo. Constitui a seção de maiores variações de temperatura, umidade e composição gasosa. Sua espessura é variada. Em latossolos com A húmico, pode atingir 100 cm de profundidade. Na maioria dos solos brasileiros apresenta-se com menos de 50 cm.
"B" - Horizonte mineral, subsuperficial, situado sob o horizonte A, originado por transformações relativamente acentuadas do material de origem. Neste horizonte as transformações manifestam-se por alteração e decomposição do material de origem, recebendo também argila, óxidos de ferro e alumínio ou matéria orgânica de camadas superiores. Este horizonte encontra-se protegido das variações que ocorrem próximo à superfície, sendo menos vulnerável à ação humana. É reconhecido como horizonte mais importante para a distinção de classes de solo da classificação em uso no Brasil, conhecido como Bt (textural).
"C" - Horizonte ou camada mineral de material inconsolidado sob o solum (conjunto de horizontes A e B de um perfil de solo) relativamente pouco afetado pelos processos pedogenéticos, constituído de mesmo material originário que formou o solo. Compreende-se como horizonte C a camada de detritos da alteração inicial das rochas de origem - saprólito e rocha semiconsolidada que, quando molhadas, podem ser cortadas com uma pá de corte.
"R" - Camada mineral de material consolidado que, em muitos solos, constitui o material rochoso, isto é, embasamento litólico coeso que, quando úmido, não pode ser cortado com uma pá de corte. É a rocha sã.
Em algumas situações, com a permanente atividade agrícola, ocorreu um processo continuo de desmatamento, ou seja, a derrubada da mata nativa, a queimada, a atividade agrícola intensa, o uso maciço de agroquímicos, a falta de consciência de uso racional do solo, a formação de pastagens e posterior abandono da área. Com isso o solo foi total mente exaurido, perdendo grande parte de sua capacidade de produção e ficando muito susceptível a diversos tipos de degradação, caracterizando o mau uso das terras.
Segundo a capacidade uso a terra pode ser dividida em:
A matéria orgânica formada na superfície da Terra corresponde a todas as substancias vegetais e animais mortas que se acumulam no solo, sendo parte rapidamente decomposta, mineralizada, entrando em circulação imediatamente.
A decomposição da matéria orgânica varia de acordo com as condições climáticas, aumentando as regiões frias para as regiões quentes e úmidas. Numa floresta, em média, sessenta a oitenta por cento do material depositado é constituído de folhas, e o resto compõe-se de frutos, ramos, cascas e etc.
Na tabela abaixo, verifica-se a quantidade de serapilheira devolvida ao solo nos diferentes ecossistemas florestais do mundo.
| Tipo de ecossistema | Queda de serapilheira (g/ m²/ ano) |
|---|---|
| Tundra Arbustiva ártica | 200 |
| Conífera Boreal (aberta) | 550 |
| Conífera Boreal (fechada) | 600 |
| Coníferas sempre verde temperada | 850 |
| Savana Arbustiva | 800 |
| Mangues | 600 |
| Tropical Sazonal | 1300 |
| Tropical Úmido | 1850 |
A serapilheira é a característica mais distintiva de um solo florestal e contribui consideravelmente para as suas propriedades físicas e químicas. A camada de matéria orgânica em decomposição que se encontra sobre a superfície do solo mineral, com sua microflora característica e com sua fauna constituem a dinâmica do ambiente florestal e representa o critério mais importante na distinção entre solos ocupados com florestas ou com culturas agrícolas.
Grande parte dos restos vegetais e animais juntando-se com produtos de excreção, misturam-se gradualmente com o solo mineral e, em interação com as partes subterrâneas das plantas, formam a fração orgânica do solo.
A camada de serapilheira da superfície constitui-se numa fornecedora permanente de alimentos para microflora e fauna, através da queda constante de resíduos das árvores, sendo também uma fonte relevante de nutrientes como nitrogênio, fósforo e enxofre para as plantas superiores. A retirada da serapilheira das florestas ocasiona uma degradação do terreno e uma sensível diminuição de fertilidade do solo, além de deixar a superfície mais susceptível aos impactos das gotas de chuva, da erosão e da diminuição de infiltração.
A quantidade de serapilheira numa floresta depende do grau de decomposição e dos detritos vegetais e animais existentes. A acumulação de material orgânico na superfície dos solos florestais é função da quantidade de material que se acumula, menos a taxa de decomposição. Muitos são os fatores ambientais que afetam a taxa de decomposição, sendo essa determinada pela natureza química e física dos tecidos, pelas condições de aeração, temperatura e umidade da manta, assim como dos tipos de e quantidades de microflora e fauna existente.
O ritmo de decomposição da manta orgânica pode ser muito rápido, variando de um a três anos em climas temperados e frios e ata alguns meses nas regiões tropicais, considerando que a queda dos resíduos é muito uniforme entre as espécies que crescem em condições de climas similares.
O processo de decomposição inicia antes mesmo dos resíduos vegetais se incorporarem a serapilheira, uma vez que a exudação das folhas possibilita a invasão de patógenos mesmo antes da sua queda, a qual é seguida do ataque de fungos tão logo chegue a superfície do solo. Nas primeiras etapas de decomposição da manta florestal ocorre a presença de uma grande população microbiana, porém aparentemente inativa não aparecendo muito a desintegração dos resíduos, porque esses microorganismos, sem uma fragmentação inicial, causam pouco efeito na decomposição. Por isso a presença de minhocas, roedores, artropodos, ácaros e crustáceos é muito importante para a fragmentação dos resíduos, pois sem essa dificilmente ocorrerá a decomposição.
Os detritos florestais podem ser classificados de acordo com a facilidade de decomposição:
Ainda com relação à velocidade de decomposição, as folhas das diferentes espécies florestais podem ser agrupados em:
A mistura de matéria orgânica parcialmente decomposta, céluas microbianas e partículas do solo com todas as características constituem o húmus e formam as camadas superiores do solo. Parte desse húmus é mineralizado, isto é, transformados em elementos nutritivos disponíveis para as plantas, enquanto parte sofre uma humificação, transformando-se em substancias próprias do solo a partir de um estágio adiantado de decomposição, formando assim substâncias orgânicas de diferentes graus de solubilidade. Esses compostos são transformados rápido ou lentamente, conforme o ambiente, influenciando no próprio ambiente como conservadores ou destruidores da estrutura da qualidade do solo. O húmus na superfície do solo é muito importante, porque, além de fornecer nutrientes para a mineralização, melhora as condições físicas e químicas do solo, conserva e mobiliza os nutrientes quando a serapilheira ainda não estiver decomposta.
A formação de húmus nas florestas é descrito de acordo com a ação dos organismos característicos de cada ecossistema. Nos sítios os resíduos vegetais são ingeridos e passam pelo intestino dos seres vivos, onde sofrem uma transformação completa, formando um tipo especial de húmus. Quando a transformação pelos organismos não for tão perfeita, resulta em outro tipo de húmus.
De maneira geral, húmus é todo material orgânico que se deposita sobre a parte mineral da superfície que ainda não se misturou com o solo. A camada de material orgânico que se encontra acima da superfície do solo é denominada de ecto-húmus e é constituída por três camadas:
A matéria orgânica encontrada dentro do solo que representa o material humificado do horizonte constitui o endo-húmus e pode ser encontrado em duas formas:
Nas florestas em geral encontram-se três tipos de húmus:
Este é o húmus comum dos climas quentes e úmidos especialmente nos trópicos, como é o caso da região amazônica e, subtrópicos, com grande presença de seres vivos. O horizonte A é escuro pela presença do húmus, o que constitui uma estrutura fofa e grumosa. Devido à mineralização rápida, a acumulação de húmus é pequena. Nestas condições, a destruição da matéria orgânica é feita principalmente pelos lumbricóides.
O húmus tipo moder é comum no sul do Brasil, como na região dos Campos de Cima da Serra - RS, principalmente, nas partes altas do relevo, apresentando as camadas L, F e H bem características. A espessura da manta geralmente não passa de três centímetros. Neste tipo de húmus a destruição da matéria orgânica é feita principalmente pelos fungos e bactérias.
Neste tipo de húmus encontram-se as três camadas da manta, porém a camada H é muito fina enquanto a camada L é de grande espessura, chegando até vinte centímetros. Nos terrenos inclinados pode ocorrer escoamento superficial sobre a manta por essa encontrar-se muito compactada. Esse tipo de húmus dificilmente ocorre nas regiões tropicais e subtropicais, a não ser em casos especiais como em florestas de Pinus spp degradada.
| Tipo de húmus | pH / Qualidade/ Cor / estrutura | Flora e fauna | Mineralização | Humificação | Região de ocorrência |
|---|---|---|---|---|---|
| Mull | pH-6.5 / fofo / grumoso / escuro | Minhocas, bactérias e artrópodes | Rápida | Limitada | Tropical |
| Moder | pH-5.0/ manta desenvolvida horizonte A pequeno / endo-húmus parcialmente infiltrado | Artrópodes poças minhocas e fungos | Média a fraca | Retardada | Temperada |
| Mor | pH-3-5/ manta espessa horizonte A pequeno/ marrom | Poucas minhocas, ácaros, colembolos e fungos | Freiada até nula | Alta | Fria |
A presença de inúmeras espécies de animais como mamíferos, répteis, batráquios, aves e insetos constituem a macrofauna dos ecossistemas florestais. Os dejetos do metabolismo de todos esses gêneros, somados aos seus cadáveres e associados aos fragmentos e destroços dos vegetais, formam a camada de detritos da superfície fonte de alimentação para os microorganismos existentes nos ecossistemas.
Os organismos encontrados nos solos florestais são muito semelhantes aos encontrados em outros solos, porém em quantidades muitas vezes superiores, devido à presença de espessa camada de serapilheira, a qual estimula a proliferação da microfauna que tem a complexa função de desintegrar os resíduos, disponibilizando os nutrientes para o crescimento das árvores.
Ao nível do solo e no interior da manta florestal existe uma enorme quantidade de seres como coleópteros, miriápodes, formigas, nematóides, colembolos, ácaros, protozoários, diversos tipos de larvas e um grande número de organismos minúsculos que não são percebidos a olho nu.
A ação dos microorganismos está diretamente relacionada com as condições ambientais e com a disponibilidade de detritos orgânicos existentes no ambiente.
A fauna do solo, de acordo com o tamanho dos animais, pode ser classificada em:
Em um metro quadrado de solo sob pastagem, até 30 cm de profundidade, vivem um grande número de animais:
| Animal | N° Mínimo | N° Máximo | N° Ótimo | Peso (g) do Número ótimo |
|---|---|---|---|---|
| Nematóides | 1.800.000 | 120.000.000 | 21.000.000 | 40 |
| Ácaros | 20.000 | 400.000 | 100.000 | 10 |
| Colêmbolos | 10.000 | 440.000 | 50.000 | 20 |
| Centopéias | 1.200 | 2.900 | 2.500 | 23 |
| Formigas | 200 | 500 | -- | -- |
| Minhocas | 600 | 2.000 | 800 | 400 |
| Moluscos | 20 | 1000 | 50 | 30 |
O desenvolvimento e a proliferação da fauna do solo depende das características do mesmo e dos fatores ambientais como umidade, temperatura, ventilação, acidez, luminosidade e disponibilidade de nutrientes. Esses mesmos fatores determinam a distribuição dos microorganismos no solo, os quais, geralmente, encontram as condições favoráveis junto a manta e no primeiro horizonte do perfil, onde existem grandes concentrações de matéria orgânica. Por outro lado, a microfauna distribui-se ao longo do perfil do solo, onde cada tipo ocupa seu espaço determinado e exerce sua atividade característica.
A ação dos microorganismos está diretamente relaciona com as condições ambientais e com a disponibilidade de detritos orgânicos existentes no ambiente. A microfauna é a principal responsável pela decomposição dos restos animais e vegetais encontrados na cobertura morta da superfície do solo, a partir da qual recomeça a mineralização dos elementos nutritivos e a ciclagem dos nutrientes.
Nos solos florestais, dentre outros, são encontrados quatro grupos principais de microorganismos, quais sejam, as bactérias, os actinomicetos, os fungos e as algas.
As bactérias, embora de dimensões muito pequenas, são fundamentais para os ecossistemas florestais, devido ao seu grande número e por realizarem a maior parte das trocas biológicas e químicas dos ambientes. Em um ecossistema florestal pode-se classificar as bactérias em três grandes grupos:
As bactérias são importantes porque, através da simbiose que realizam com os vegetais, principalmente as leguminosas, fixam o nitrogênio do ar, disponibilizando-o para as plantas. O exemplo mais comum dessa interação ocorre entre as bactérias do gênero Rhizobium e as espécies florestais pertencentes ás famílias das leguminosas, como: bracatinga, acácia negra e angico.
Os actinomicetos são organismos heterotróficos que constituem a transição morfológica entre as bactérias e os fungos. São elementos unicelulares e, depois das bactérias, os mais numerosos no solo. Geralmente são aeróbios e bastante comuns nas regiões quentes e secas, apresentando menor importância na decomposição da celulose e dos solos florestais quando comparados com as áreas de agricultura e pecuária.
Entre os microorganismos do solo destacam-se os fungos como os principais agentes decompositores da matéria orgânica da serapilheira. Esses organismos são muito ativos na fase da decomposição da madeira e dos demais resíduos vegetais, participando diretamente na formação dos diferentes tipos de húmus e contribuindo eficazmente na ciclagem dos nutrientes e na estabilidade dos agregados do solo.
Até o presente momento já foram identificados, na natureza, mais de 690 espécies de fungos representados por 170 gêneros.
Alguns tipos de fungos são predadores da fauna do solo, como os protozoários e nematóides, contribuindo para o equilíbrio microbiológico do solo. Os fungos formam, com as raízes das árvores, associações simbióticas chamadas micorrizas que aumentam a área de absorção do sistema radicular das árvores. O desenvolvimento de raízes micotróficas incrementa consideravelmente a superfície de absorção pela presença das hifas dos fungos, aumentando o contato com o solo e com os elementos nutritivos disponíveis.
Os gêneros Rhizoctonia, Pythium, e Phythophtora são parasitas e produzem enfermidades, principalmente em viveiros florestais. Enquanto os gêneros Fusarium podem causar apodrecimento nas raízes de plantas de maior idade. Também as árvores mais velhas podem sofrer ataques, nas suas raízes, de fungos do gênero Fomes, Armilaria, Verticillium e Phymatotrichum, os quais causam apodrecimento das raízes.
As algas também constituem uma grande colônia de microorganismos do solo, dividindo-se em verdes, azuis, amarelas e as diatomáceas que são em forma de bastão.
Esses microorganismos são encontrados principalmente em solos férteis, ricos em fósforo e nitrogênio disponíveis, tendendo a serem raros nos solos arenosos e ácidos. Podem, no entanto, desenvolver-se em locais áridos e arenosos, principalmente as algas azuis.
As algas contribuem na solubilização dos minerais do solo, auxiliando e acelerando a intemperização. As algas azuis podem assimilar o nitrogênio do ar, proporcionando um aumento do mesmo em determinados sítios. Como essas algas não dependem da matéria orgânica, como fonte de energia, são os primeiros colonizadores das regiões áridas e arenosas, preparando o ambiente para a instalação dos vegetais.
Da associação simbiótica entre as algas e os fungos surgem os líquens, que são os primeiros seres vivos a instalar-se sob o solo mineral exposto, iniciando a formação da matéria orgânica para a sucessão das demais formas de vida, inclusive das florestas.
Enquanto os microorganismos exercem ação basicamente química, os macroorganismos atuam tanto física quanto quimicamente sobre os elementos orgânicos depositados na superfície dos solos florestais. A importância desses organismos em relação á qualidade do solo é inversamente proporcional ao seu tamanho. A quantidade de animais existentes em um ecossistema depende de fatores como o clima, vegetação, tamanho da área coberta, alimentação disponível, umidade e luz.
A macrofauna tem grande influencia nos habitats florestais, porque interferem na dinâmica do solo, transportando partículas, construindo galerias, destruindo a serapilheira, triturando a celulose e, como conseqüência, melhorando a estrutura do solo. A macrofauna é constituída por animais de maior tamanho, multicelulares encontrados nos ecossistemas florestais que influenciam na fertilidade do solo através dos dejetos e das carcaças depositadas, as quais têm efeito direto na disponibilização e mineralização dos nutrientes.
Dentre os principais macroorganismos do solo, encontrados nos ambientes florestais, destacam-se os seguintes:
Os artrópodes agrupam o maior numero de espécies dentro do reino animal, caracterizando-se por possuírem esqueleto esterno rígido e as extremidades do corpo articuladas. Os representantes mais comuns e conhecidos entre os artrópodes são as formigas, as abelhas, os cupins, as aranhas, as moscas, os camarões, os ácaros, as centopéias, as libélulas, os gafanhotos, os besouros, os mosquitos, as vespas, as baratas, as cigarras, as borboletas, os grilos, os carrapatos e os marimbondos.
Os anelídeos constituem-se no grupo de animais que possuem maior ação na estruturação dos solos em geral. Esses ingerem uma mistura de terra e detritos orgânicos, liberando um grande numero de excrementos criando um meio ideal para as atividades dos microorganismos, acelerando a formação de materiais húmicos, benéficos para a estrutura física, fertilidade e arejamento do solo. O material trabalhado por este tipo de animal forma uma mistura complexa de argila e colóides orgânicos, resultado da total digestão e transformação dos resíduos vegetais ingeridos. Devido à grande movimentação desses macroorganismos nas camadas superficiais, os dejetos misturam-se com o solo conferindo-lhe uma cor escura.
Em solos com alta população de anelídeos, 30.000 indivíduos por hectare, a passagem de resíduos pelo aparelho digestivo dos mesmos chega a trinta toneladas por hectare por ano.
Nos ecossistemas florestais a concentração dos anelídeos varia de acordo com os fatores climáticos e de solo, sendo mais abundante na primavera, devido à maior concentração de resíduos oriundos da queda do material da copa das árvores.

Anelídeos
As minhocas representam a grande maioria dos anelídeos encontrados nos solos florestais. Esses animais desenvolvem suas atividades metabólicas e reprodutivas em temperatura variando entre 10 e 20°C, associada a um teor de umidade variando entre 50% a 60% da capacidade de campo dos solos nos ecossistemas.
A maioria dos animais pertencentes a esse fillun encontram-se no mar. No entanto, existem espécies terrestres que têm importância na interação do solo com a floresta. Os caracóis e as lesmas são os moluscos terrestre mais comuns, encontrados em ambientes úmidos e sombreados. Os moluscos alimentam-se normalmente de folhas, podendo também suprir-se de algas e líquens encontrados na superfície das árvores e de madeiras em adiantado estado de apodrecimento.
Pela ação de decomposição dos restos vegetais que passam pelo intestino dos moluscos, seus excrementos são importantes na formação dos agregados do solo, auxiliando diretamente na estruturação, porosidade, aeração e fertilidade dos solos que abrigam esta espécie de macroorganismos.
Os Nematelmintes são macroorganismos encontrados em todas as regiões da Terra, no solo, na água doce e também na água salgada, encontrando-se vários milhões de indivíduos por hectare. Entre os nematelmintes, os nematóides destacam-se como mais importantes. São animais pequenos, transparentes e filiformes. Alimentam-se de bactérias, fungos, algas, minhocas e plantas superiores, principalmente do sistema radicular dos vegetais.
Como os nematóides alimentam-se de protoplasma, sua atividade afeta os demais organismos do solo já que seu alimento provém inteiramente da microflora, dos microorganismos e das plantas superiores.
Esses animais participam diretamente na decomposição da matéria orgânica que procede das plantas mortas, podendo afetar significativamente as propriedades físicas e químicas do solo.
Ao longo da história, o homem teve seu desenvolvimento alicerçado no aproveitamento dos recursos naturais e, dentre esses, as florestas foram e continuam sendo a grande reserva econômica do desenvolvimento da população. Mesmo quando o homem considerou-a como um entrave para seu desenvolvimento, as árvores foram fontes de abrigo, alimentação e garantia de sobrevivência.
No entanto, a ação desordenada, através de um permanente processo de desenvolvimento, alterou a cobertura original das florestas, tornando-se deficiente em toas as suas regiões.
No uso tradicional do solo para a agricultura, a floresta ocupa, ainda hoje, a tarefa insubstituível de reserva e regeneração. A garantia da manutenção permanente da produtividade dos solos nos ecossistemas está diretamente ligada ás condições de preservação e ampliação das áreas com cobertura vegetal. A floresta vem oferecendo ao homem muitos elementos essenciais para a sua sobrevivência, entre eles, alimentos, combustíveis, material de construção e matéria prima para produtos industrializados.
O rápido crescimento nas ultimas décadas exigiu um maior e mais intenso uso das florestas e de seus produtos, tornando-os escassos e pouco disponíveis no mercado, principalmente no que tange à qualidade. Essa crescente demanda está forçando um uso mais intensivo do solo com o objetivo de aumentar a disponibilidade de produtos de origem florestal e outros. No entanto, tem-se que considerar que o solo não é apenas um suporte físico para o crescimento das plantas e armazenamentos de umidade e nutrientes. O solo é um sistema dinâmico que abriga uma multiplicidade de organismos com características e funções diferentes, os quais proporcionam o equilíbrio ambiental indispensável para o desenvolvimento de todos os seres vivos.
Dessa maneira, o grande desafio atual é recuperar estas áreas degradadas, tornando-as novamente produtivas, e encontrar alternativas para evitar que este processo destrutivo ocorra em locais ainda cobertos por florestas, além de promover o ordenamento da produção para garantir um rendimento estável e contínuo nas propriedades, sem esquecer de preservar e ampliar as áreas com florestas.
Retirando a vegetação, usando o fogo e cultivando a terra de maneira desordenada e sem muitos cuidados, criam-se condições especiais para que ocorra uma exposição total do solo à ação das chuvas e de outros fenômenos climáticos.
As gostas da chuva, aceleradas pela força da gravidade, liberam sua energia cinética ao chocar-se contra a superfície do solo. Esse impacto provoca o desprendimento das partículas que são arrastadas na superfície.
Esse fenômeno caracteriza o inicio do processo de perda do solo através da erosão, que é o arrastamento das partículas constituintes do solo pela ação da água em movimento, resultante da precipitação pluviométrica.
A presença da biomassa vegetal, em particular das árvores e de seus resíduos sobre a superfície, transformam-se no principal mecanismo para evitar a perda do solo.
Os principais fatores que contribuem para as perdas do solo são:
A erosão normal ou geológica é aquela causada pelos fenômenos naturais que agem permanentemente sobre a crosta terrestre, constituindo-se na ação niveladora da superfície da Terra.
A erosão acelerada é originada pela ação do homem, através do processo intensivo de uso do solo. Ocorre quando são eliminados os elementos naturais de equilíbrio, sendo de grande importância devido à velocidade com que se estabelece.
Erosão eólica caracteriza-se pelo transporte das partículas do solo através do vento. Este tipo assume grande importância em regiões onde a vegetação é deficiente e não cobre a totalidade da superfície.
Essa erosão é muito comum nas regiões secas, semi-áridas e litorâneas, onde a umidade relativa do ar é baixa e o solo, normalmente arenoso, permite que a ação dos ventos transporte às partículas, formando grandes dunas.

Erosão Eólica
No Rio Grande do Sul encontram-se em grandes áreas, na região da fronteira oeste, onde este tipo de erosão é bastante intensivo devido à origem do solo (Arenito Botucatu), podendo-se observar o grande arrastamento de suas partículas pela ação do vento.
A erosão hídrica é causada pela ação das águas das chuvas, transformando-se num processo complexo, ocorrendo em quatro etapas seqüências:

Erosão laminar severa
Laminar - esta forma de erosão é pouco visível porque ocorre em toda a superfície do terreno, desgastando-o de maneira uniforme. É pouco perceptível, porém de muita importância, porque transporta a camada superficial do solo, onde se encontra a maioria dos nutrientes disponíveis para as plantas.

Erosão em sulcos
Sulcos - é a forma adiantada da erosão, em que a perda do solo é visível a longas distâncias. Resulta na abertura de grandes sulcos no terreno, descendo em direção as partes mais baixas, carregando grande volume de partículas.

Voçorocas em solos arenosos
Vossorocas - caracteriza a parte final da erosão, resultando em grandes danos aos proprietários rurais. São valas profundas que se formam através da intensificação da erosão em sulcos. São de difícil recuperação quando em estágio avançado.
Atualmente a atividade florestal emprega várias medidas de proteção do solo, principalmente contra efeitos e prejuízos causados pela erosão. Dentre essas destacam-se:
Evitar as queimadas - a prática de queimadas destrói os resíduos vegetais que protegem o solo contra a erosão, elimina também os organismos do solo, além de volatizar grande parte dos nutrientes contidos nos restos vegetais que serão queimados.
Preparo do solo em nível - esta é a principal prática de conservação do solo nos plantios florestais. Após a demarcação dos talhões, o preparo deverá ser feito e nível e as linhas de plantio deverão seguir a mesma orientação com a finalidade de interceptar as enxurradas, forçando a absorção da água pelo solo.
Plantio em faixas alternadas com a vegetação natural - esta prática é de fundamental importância para a conservação do solo, da fauna e da flora. De preferência estas faixas devem ser estabelecidas em nível para aumentar a eficiência na interceptação da água. As faixas de vegetação natural que permanecem entre os plantios florestais são conhecidas também como corredores ecológicos. Essas funcionam como abrigo para os inimigos naturais das pragas que podem causar danos às florestas.
Plantios mistos - caracteriza-se pelo plantio de diferentes espécies florestais na mesma área. Na escolha das espécies para comporem a floresta é importante considerar o desenvolvimento das partes aérea e radicular para uma ocupação mais eficiente do solo com a finalidade de evitar suas perdas.
Sistema de preparo do solo - no momento de preparar o solo para o plantio de espécies florestais, pode-se utilizar um conjunto de técnicas que, quando usado de maneira racional, contribui para a manutenção da produtividade. No entanto, a decisão pelo tipo de preparo a ser utilizado deve sempre ter a finalidade de conservar o solo e sua produtividade. Nas plantações florestais está sendo muito utilizado o preparo reduzido ou cultivo mínimo que consiste em preparar o terreno somente na linha de plantio das mudas.
Enriquecimento de florestas - constitui-se na técnica de introduzir mudas de espécies florestais de qualidade superior em áreas de florestas degradadas, capoeiras e outros tipos de vegetação, com a finalidade de proteger o solo e melhorar a estrutura da floresta.
Sistema agrosilvopastoril - caracteriza-se pela utilização integrada de uma determinada área por culturas agrícolas, animais e/ou pastagens e espécies florestais arranjadas de forma harmônica.
A floresta pela sua estrutura exerce função importante na conservação do solo e água. Seu sistema radicular associado à serapilheira atua absorvendo a água das chuvas, conduzindo-a para as camadas inferiores do solo através da porosidade que se forma pela presença das raízes e pela dinâmica dos organismos vivos do solo, até chegar ao lençol freático, a partir do qual ocorre um reabastecimento gradual dos cursos d'água.
Dessa maneira, a cobertura vegetal, especialmente as florestas, contribui de maneira decisiva na proteção dos solos, protegendo também as matas ciliares as quais são responsáveis pela manutenção da qualidade da água.
Várias são as fontes de nutrição das plantas, sendo, em principio, originadas de dois grupos:
Os elementos, uma vez liberados da fração mineral do solo, estão sujeitos à ação de lixiviação. É importante que todos os elementos disponíveis no habitat sejam incorporados à vegetação, a fim de diminuir a possibilidade de perdas. A lixiviação é responsável pela diminuição do potencia nutritivo de solo velhos e intemperizados.
Isso significa que, nas florestas tropicais com solos velhos como os da Amazônia, onda decomposição do material primário é mais ou menos completa, a nutrição das florestas depende quase que exclusivamente da circulação de nutrientes através das substâncias orgânicas. Nos ecossistemas formados por florestas naturais há um equilíbrio entre a decomposição de matéria orgânica e a retirada de nutrientes, já que não há extração por colheita nem maiores perdas por lixiviação ou erosão.
Fatores importantes, como aeração, economia de água (que por sua vez estão inter-relacionados com a nutrição), são os processos de reincorporação de nutrientes no ciclo que influem sobre a produção. Nas florestas naturais, o ciclo ocorre imperturbado, sendo uma circulação rápida de substâncias nutritivas, com um alargamento do ciclo, que possibilita também o crescimento de espécies com exigências maiores.
Mediante a colheita florestal (e a conseqüente retiradas de nutrientes) logicamente alteram estas condições, e a produtividade no futuro, principalmente nas regiões tropicais e subtropicais, dependerá do grau de modificação da circulação dos nutrientes.
Da quantidade de nutrientes retirados (N) anualmente do solo, uma parte volta ao chão em forma de detritos (ND), uma menor parte volta ao chão pela lixiviação(NL) e certa parte permanece incorporada na própria árvore (NI) onde estão em curto prazo as frações ND e NL sujeitas à recirculação.
Ao longo prazo, toda ou parte da fração NI também entra no círculo, conforme o estado atual da floresta, intacta ou parcialmente explorada. A parte que entra na circulação (percentagem do total retirado pela árvore) varia com o elemento, a espécie e a sua idade. Então, quanto mais rápida a decomposição, melhor o efeito para o crescimento. Mmineralização vagarosa priva a árvore de nutrientes (acumulação), diminuindo a quantidade de nutrientes disponíveis.
Quando florestas são exploradas em idade muito jovens, (mini-rotações - 3 a 5 anos), ocorre um perda relativamente maior de nutrientes, dependo logicamente da intensidade da colheita, por exemplo: somente madeira de tronco, ou 'colheita da árvore inteira".
Os nutrientes que retornam ao solo são novamente fonte de nutrição. A sua transformação/decomposição ou acumulação influi muito na continuidade de abastecimento.
Camadas de manta espessa (por exemplo, Pinus no Brasil) são sinal de interrupção do ciclo nutritivo pois causa imobilização de nutrientes; conforme o tipo de solo isso até médio prazo resulta em redução de crescimento.
A serapilheira compreende um reservatório apreciável de nutrientes. A devolução de nutrientes, através da queda do litter, representa a via mais importante do ciclo biogeoquímico, isto em solos desgastados e intemperizados, onde os vegetais são a principal fonte de nutrientes. Dependendo das características do solo e da espécie, as quantidades de nutrientes devolvidas via deposição do litter serão variadas.
| Espécie | Idade | Folhedo | N | P | K | Ca | Mg | Fonte |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| E. saligna | 7 - 10 | 4490 | 27,3 | 2,2 | 16,7 | 44,0 | 9,3 | 1 |
| E. grandis | 27 | 4225 | 70,8 | 3,4 | 36,1 | 71,5 | 27,0 | 2 |
| Pinus caribaea | 11 - 14 | 8373 | 43,7 | 2,2 | 22,2 | 20,4 | 6,4 | 1 |
| Floresta tropical Úmida Terra Firme AM | Adulta | 5600 | 83,6 | 1,7 | --- | 12,4 | 9,8 | 3 |
| Floresta Semidecidua - SP | Adulta | 6740 | 138,0 | 7,2 | --- | 155,9 | 22,4 | 4 |
| Floresta Estacional Decidual - RS | Adulta | 5096 | 148,5 | 7,6 | --- | 200,7 | 22,0 | 5 |
Como regra geral, pode-se afirmar que a rapidez da decomposição (desconsiderando as influências do ambiente) da serapilheira aumenta, quanto maior for o teor em nitrogênio, fósforo, cálcio e magnésio. Partes jovens decompõe-se mais rapidamente do que as partes mais velhas. O período de decomposição de acículas da maioria das coníferas é maior do que de folhas. As folhas da mesma espécie, procedentes de um ambiente com abastecimento bom de água e nutrientes, decompõe-se mais rapidamente do que as folhas de um ambiente com abastecimento deficiente.
A queima controlada da serapilheira que se encontra sobre o solo muitas vezes é recomendada e praticada em paises de clima frio por vários motivos:
Certos fogos controlados também visam facilitar a integração de animais doméstico num sistema agro-florestal, a fim de fornecer uma brotação nova e, conseqüentemente, mais terra.
ex.: a tradicional queima de campos no RS.
Sem considerar as finalidades ou eventuais benefícios que a queimada (diminuição do perigo de incêndio) possa trazer para os ecossistemas florestais, deve-se destacar os seguintes fatos:
A absorção anual de nutrientes pelas árvores é da mesma ordem da apresentada pelas culturas agrícolas, mas, como as maiores parte dos nutrientes absorvidos são devolvidos para o piso florestal, mediante a queda da serapilheira, quantidades relativamente pequenas são retiradas no acréscimo anual da biomassa arbórea.
Quando se realiza a colheita da biomassa florestal, quantidades menores de nutrientes são removidos para fora do sítio, em comparação com as culturas agrícolas (Tabela abaixo)
| Espécies | Idade (anos) | N | P | K | Ca | Mg |
|---|---|---|---|---|---|---|
| E. grandis | 10 | 42,2 | 1,6 | 15,6 | 76,7 | 5,1 |
| E. saligna | 10 | 21,9 | 5,8 | 19,1 | 95,4 | 8,1 |
| E. viminalis | 10 | 27,3 | 2,7 | 16,5 | 60,8 | 9,4 |
| Leucaena sp | 4 | 67,0 | 6,3 | 40,0 | 32,0 | 12,0 |
| Teca | 9 | 81,8 | 29,8 | 135,0 | 118,6 | 53,7 |
| Trigo | -- | 80,0 | 8,0 | 12,0 | 1,0 | 4,0 |
| Milho | -- | 127,0 | 26,0 | 37,5 | 1,0 | 11,0 |
| Cana de açúcar | -- | 208,0 | 22,0 | 200,0 | 153,0 | 67,0 |
| Cenoura | -- | 267,0 | 42,0 | 835,0 | 199,0 | 32,0 |
| Batata | -- | 81,0 | 18,0 | 159,0 | 10,0 | 4,0 |
| Fumo | -- | 78,5 | 13,5 | 90,0 | 61,5 | 24,7 |
Esses menores valores apresentados pelas espécies arbórea se devem ao fato de que durante o período de desenvolvimento uma grande parte dos nutrientes é devolvida ao solo através da queda da serapilheira (ciclo bioquímico).
As quantidades de nutrientes exportados podem ser diminuídas ainda mais se forem adotadas práticas racionais de utilização da biomassa florestal. Dentre essas práticas, podem ser apontadas: utilização apenas da madeira do tronco até um diâmetro comercialmente aproveitável; descascamento da madeira no campo e permanência das folhas, ramos vivos e mortos, bem como das ponteiras sobre o solo, e eliminação da prática da queima.
Mediante a colheita da biomassa é que ocorrem as maiores perdas dos nutrientes para fora dos ecossistemas florestais. A quantidade de nutrientes, exportados para fora do sítio, depende principalmente do componente da árvore a ser explorada, idade do corte do povoamento, das condições edáficas e da eficiência dos processos de ciclagem de nutrientes de cada uma das espécies.
Durante a colheita florestal, a quantidade de nutrientes removidos para fora do sítio não é proporcional à quantia de biomassa, porque os diferentes componentes da árvore contêm diferentes concentrações de nutrientes.
A remoção de nutrientes para fora do sítio mediante a colheita da madeira sem casca está fortemente relacionada com a idade das árvores. Em povoamentos jovens a razão de alburno/cerne é maior que em povoamentos velhos. O alburno, constituído de tecidos mais jovens, geralmente possui maior concentração de nutrientes que o cerne. Logo, através da colheita de florestas em idade jovens (mini-rotações - 3 a 5 anos), ocorre uma grande exportação de nutrientes, principalmente o fósforo.
As perdas pelas colheitas da madeira podem ser repostas pelas adições de poeiras, precipitação, fixação biológica e inclusive a intemperização da rocha matriz. No entanto, a extração de grandes quantidades de madeira com casca resulta em perdas de nutrientes que devem ser repostas pela adubação química em quantidades suficientes, para que possa ser assegurada uma produção sustentada.
Uma colheita da biomassa total aérea significa perdas enormes em capital de nutrientes. Esse é um problema mais grave nos trópicos, como na floresta Amazônica, e subtrópicos, como é o caso do Rio Grande do Sul, na floresta Estacional Decidual, onde grande parte do capital de nutrientes está acumulada na vegetação.
As possibilidades da ocupação das florestas, como é o caso da Amazônica, com fins de uma exploração agropecuária deveriam ser encaradas também do ponto de vista do seu potencial de fertilidade.
Pesquisas do s ecossistemas florestais amazônicos, feitas pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, de Manaus, demonstraram o problema da baixa fertilidade nitidamente.
Os trabalhos realizados resultaram em dados alarmantes, pois a maior parte dos nutrientes está contida na biomassa (bioacumulação).
Tais solos logicamente não terão a possibilidade de recuperação se a biomassa e a serapilheira forem queimadas e ficarem sujeitas à erosão e à lixiviação. A recuperação a médio e longo prazos somente poderia ocorrer a partir da inclusão na circulação de nutrientes oriundos da fração trocável do solo ( que praticamente não existe), ou a partir da intemperização da rocha matriz. Esta, porém, não possui importância, pois, devido á profundidade dos solos, ela se encontra fora do alcance das raízes da vegetação.
Para garantir a sustentabilidade de qualquer sistema de produção é necessário observar três elementos fundamentais: a produtividade dos fatores primários de produção, medida em quantidade e qualidade dos produtos; a preservação dos recursos naturais afetados direta ou indiretamente pelo sistema de produção; a minimização dos impactos ambientais, considerando que todas as atividades de produção causam desvios no equilíbrio natural e ecológico.
Diante dessa realidade, o solo ocupa um lugar de destaque como prncipal fator de produção, uma vez que desempenha função primordial no atendimento das necessidades alimentares de todos os seres vivos, principalmente ao homem. Dessa maneira, o solo significa para o produtor muito mais que um meio ambiental para produzir alimentos; transforma-se em apoio para todas as suas atividades, assumindo fundamental importância no âmbito social. Por isso, a conservação e a utilização inteligente do solo hoje será a garantia de boas colheitas futuras, quando a fertilidade ainda Serpa responsável para a continuidade da produção.
Neste contexto, a floresta participa de maneira decisiva na formação, melhoria e manutenção do solo. Isso acontece no grande mundo dos ecossistemas, onde as raízes das árvores, através da evolução dos processos fisiológicos, retiram do solo e da atmosfera os nutrientes essenciais para o seu desenvolvimento, promovem a circulação através dos tecidos, devolvendo-os, pela deposição de suas folhas, frutos, cascas e ramos que, pela ação dos microorganismos, são decompostos, mineralizados e incorporados novamente no ecossistema, completando o ciclo.
Por essas razões, deve-se considerar que uma floresta nativa, ou mesmo plantada em determinado sitio, representa o resultado de muitos anos de evolução. Os benefícios diretos ou matérias que estas florestas podem oferecer são de vital importância, pois estão representados pela madeira e por seus subprodutos, elementos que interessam de imediato para um grande numero de atividades de origem madeireira e que podem trazer grandes lucros para os envolvidos.
No entanto, o cidadão sensato não deve esquecer que os benefícios indiretos, imateriais ou sociais que estas florestas oferecem à população também têm grande valor que, embora difícil de ser dimensionado, representa importantes garantias de qualidade de vida para a população em geral.
Esses benefícios sociais estão representados pelos efeitos positivos que as florestas exercem no regime das águas (balanço hídrico, regularização e forma de escoamento, qualidade da água), sobre os ventos, na filtragem e purificação do ar, no conteúdo de O2 e CO2 na atmosfera na saúde humana e no solo.
Dessa maneira, a remoção da cobertura florestal de uma determinada área, com certeza, produzirá um determinado volume de madeira, porém pode causar transtornos e prejuízos para toda a comunidade, além de descaracterizar a propriedade, pelos efeitos negativos que provoca.
Assim, com o avanço da ciência florestal, tem-se conseguido uma maior consciência da população em relação á importância de florestas, á sua influencia na vida silvestre, na proteção das bacias hidrográficas, na manutenção da fertilidade do solo e do meio ambiente em geral, despertando dos técnicos e a consciência da necessidade do uso múltiplo das florestas, na busca da sustentabilidade da produção florestal.
No entanto, ainda é necessários compreender, com maior profundidade, as propriedade dos solos florestais e seu relacionamento com os sistemas de manejo utilizados para atuar corretamente nas propriedades, procurando manter o perfeito equilíbrio entre a atividade agrícola e o meio ambiente.
Fonte
SCHUMACHER, Mauro Valdir; HOPPE, Juarez Martins A Floresta e o Solo. Mauro Valdir Schumacher, Juarez Martins Hoppe. - 1º. ed. Porto Alegre: Pallotti, 1999. v. 16000. 83 p.