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Você sabia que...Nos primeiros cem anos de colonização cerca de 50 árvores de Pau-Brasil eram derrubadas por dia?

Sementes Florestais

1 – Introdução(topo)

Frente à necessidade urgente da reposição da vegetação nativa ou recuperação de áreas desmatadas, faz-se necessário conhecer o sistema de produção de sementes, etapa inicial e importante no desenvolvimento de uma floresta.

O aumento da produção florestal do Brasil contínua ocorrendo por meio de sacrifícios dos ecossistemas naturais remanescentes. A cobertura florestal do Paraná, que outrora era de 87% do território do estado, hoje é de menos de 5% deste total, de florestas em boas condições de regeneração.

A regeneração das florestas naturais é ainda um enorme desafio para os silvicultores, pois, pouco se conhece da auto-ecologia das espécies nativas, que é o ponto de partida para uma silvicultura desenvolvida em sintonia com a natureza (Inoue, 2005).

Segundo Scheneider et al. (2000) citado por Watzlawick et al. (2005), até o momento, a silvicultura brasileira teve sua atividade voltada para a produção de matéria-prima, tentando atender à demanda das indústrias vinculadas na transformação de madeira e fibras, restringindo-se ao manejo de espécies exóticas, devido às mesmas atenderem melhor as necessidades industriais em termos de produtividade. Com relação ao plantio de espécies nativas, pouca atenção tem sido dada, em função de existirem poucas informações do crescimento e do processo silvicultural dessas espécies na formação de povoamentos, fato este que prejudica o interesse de realizar-se povoamentos utilizando espécies nativas.

Para Watzlawick et al. (2005), a silvicultura deve voltar sua atenção um pouco mais para os estudos com as espécies nativas, principalmente no sentido de obter mais informações através de pesquisas, adequando os espaços às exigências de cada uma dessas espécies nos diferentes períodos de formação da floresta.

A regeneração das florestas compreende o processo de reconstruir ou perpetuar povoamentos florestais através da disseminação natural das sementes e da propagação vegetativa. Segundo Inoue (2005), quando há intervenção direta do homem no processo de propagação, dá-se o nome de regeneração artificial.

Para todos, a regeneração artificial (mudas) é a forma mais simples de produzir uma floresta, pois não requer mão-de-obra tão especializada, sendo por isso, a maneira mais usada na implantação de pomares e povoamentos.

Nota-se nos últimos anos, que houve um aumento do número de pessoas interessadas e conscientizadas da necessidade do plantio de mudas de espécies florestais, tanto de espécies frutíferas ou ornamentais, quanto espécies para extração de madeira ou produtos não-madeiráveis. As sementes de espécies nativas disponíveis no mercado, não estão mais suprindo as necessidades dos consumidores. Tanto em quantidade quanto em qualidade, estão sendo necessários investimentos neste setor. Hoje, ainda são poucos os Bancos de Sementes que comercializam suas sementes, a maioria se dedica apenas à pesquisa.

Para que esta produção ocorra, deve existir todo um planejamento, desde a escolha das árvores matrizes para coleta das sementes até a entrega dos lotes aos consumidores, respeitando sempre a legislação vigente.

Visando abordar mais sobre o tema "Sementes Florestais", desenvolvemos esta sessão, reunindo textos e conhecimentos de diversas fontes. Segue abaixo:

INOUE, M.T. Regeneração Natural: seus problemas e perspectivas para as florestas brasileiras. Professor Titular UNICENTRO – Irati/PR. Material de aula. 2005

WATZLAWICK, L.F.; VULCANIS, L.; SAQUETTA, C.R. & NUTTO, L. Perspectiva de manejo de capororoca (Myrsine umbellata Mart.) utilizando análise retrospectiva. Revista Ambiência/ Centro de Ciências Agrárias e Ambientais da Universidade Estadual do Centro-Oeste – PR. – nº1 (2005). Guarapuava: UNICENTRO, 2005

2 – Regeneração da Floresta(topo)

Todos sabemos que além de possuir grandíssimo potencial rentável, as florestas nativas, também atuam no equilíbrio para a vida na Terra. Sorte a nossa, que após a eliminação total de uma floresta, cultivo e abandono, a vegetação volta a se instalar progressivamente, até atingir uma estrutura semelhante à floresta original. Este processo de regeneração da floresta é chamado de sucessão. No solo permanece grande quantidade de sementes que vão germinando de acordo com as condições ambientais nos diferentes estágios.

Esta vegetação, na medida que vai se desenvolvendo passa por diferentes estágios sucessionais.

No Paraná, a RESOLUÇÃO nº 2, de 18 de março de 1994, passou a definir legalmente as formações vegetais primárias, bem como os estágios sucessionais de vegetação secundária, com finalidade de orientar os procedimentos de licenciamento de exploração da vegetação nativa no estado.

Segue abaixo, a descrição de um sistema de classificação sucessional das espécies, adotado por Gandolfi et al. (1995) e Ivanauskas et al. (1999).

Pioneiras
Espécies claramente dependentes de luz, que não ocorrem no subosque, desenvolvendo-se em clareiras e nas bordas da floresta;
Secundárias iniciais
Espécies que ocorrem em condições de sombreamento médio ou de luminosidade não muito intensa, ocorrendo em clareiras pequenas, bordas de clareiras grandes, bordas de florestas ou no subosque não densamente sombreado;
Secundárias tardias
Espécie que desenvolvem no subosque em condições de sombra leve o densa, podendo permanecer ai toda a vida ou então crescer até alcançar o dossel ou a condição de emergente.

Fonte

GANDOLFI, S.; LEITÃO FILHO, H.F. & BEZERRA, C.L.F. Levantamento florístico e caráter sucessional das espécies arbustivo-arbóreas de uma floresta mesófila semidecídua no município de Guarulhos, SP. Revista brasileira de biologia, v.55, n.4, p.753-767, 1995

IVANAUSKAS, N. M.; RODRIGUES, R. R. & NAVE, A.G. Fitossociologia de um Trecho de Floreta Estacional Semidecidual em Itatiga, São Paulo, Brasil. Scientia Florestalis, n.56, p. 83-99, dez. 1999 - Disp. Em: http://www.ipef.br/publicacoes/scientia/nr56/cap06.pdf. Acesso em 05/01/2006

3 - Produção das sementes(topo)

3.1 - Polinização(topo)

Para a reprodução, as plantas formam flores nos mais variados tamanhos e cores. Elas têm um papel muito importante na polinização. Grande parte das plantas, forma uma chamativa flor, geralmente associada a cores marcantes para atrair os polinizadores. Outras, produzem líquidos adocicados, que atraem diversos animais, como beija-flores, borboletas, mariposas, besouros, abelhas e morcegos.

Os animais fazem o papel de transportares de pólen de uma planta para a outra. Assim, as flores fertilizadas formaram os frutos.

3.2 - Frutificação(topo)

O fruto é o órgão das plantas superiores, dotado o não de sementes, resultante do desenvolvimento do ovário. Os frutos apresentam aspectos muito variáveis, quanto a tamanho, forma e cor, neles geralmente encontram-se as sementes.

3.3 - Disseminação(topo)

Em áreas naturais a disseminação das sementes garante a sobrevivência e a propagação da espécie.

Em trabalhos de regeneração natural são necessários estudos sobre disseminação de sementes, para saber a intensidade, distância e eficiência da disseminação de cada espécie, para um tratamento individualizado. O estudo sobre a morfologia dos órgãos reprodutivos permite respondermos parcialmente estas questões. Dependendo dos dados levantados, será possível estabelecer qual a quantidade de árvores matrizes que serão necessárias para alimentar o banco de sementes necessário para regenerar determinada área.

São vários os fatores que interferem neste processo. Assim, temos:

Anemocoria
disseminação pelo vento. Nesse caso as sementes apresentam adaptações, geralmente expansões alada, pêlos ou baixo peso.
Zoocoria
Disseminação pelos animais. Isso ocorre em sementes contidas dentro de frutos apreciados pelos animais que as eliminam com as fezes; ou então, os frutos que as contêm apresentam estruturas que prendem os frutos que contêm as sementes nos pêlos desses animais.
Hidrocória
Disseminação pela água. Nesse caso, os frutos que contêm a semente possuem um parênquima aerífero bem desenvolvido, facilitando a flutuação do fruto na água. É o que ocorre, por exemplo, no côco-da-baía.

4 - Germinação e dormência de sementes(topo)

O processo que inicia com a retomada do crescimento do embrião das sementes, desenvolvendo-se até o ponto em que forma uma nova planta com plenas condições de nutrir-se por si só, tornando-se independente, é chamado de germinação.

A maioria das espécies que crescem em regiões de grande variação estacional, requerem um período de frio, antes de sua germinação. Muitas sementes necessitam dessecar-se antes de sua germinação, isto evita que ocorra sua germinação dentro do fruto úmido da planta mãe. Outras, não germinam na natureza, enquanto sua casca não for desgastada, permitindo a entrada de água ou oxigênio ao interior da semente.

A germinação acontece numa seqüência de eventos fisiológicos, influenciada por fatores externos e internos às sementes, que podem atuar por si ou em interação outros fatores.

As sementes de cerca de um terço das espécies germinam imediatamente em condições favoráveis, mas as demais apresentam algum grau de dormência. O conhecimento de como os fatores internos e externos influenciam a germinação e a dormência das sementes de cada espécie é que permite controlar o armazenamento e a germinação.

4.1 - Germinação(topo)

Na germinação, após a embebição da semente, esta absorve a água e incha, o tegumento hidratado amolece e se rompe. Os tecidos de crescimento se desenvolvem com o fornecimento de alimento pelos cotilédones, a radícula emerge e se fixa, as folhas começam a se formar aumentando o potencial fotossintético da plântula, inicia-se a absorção de nutrientes do ambiente, os cotilédones sofrem abscisão e a planta passa a se alimentar sozinha.

Na germinação epígea, o hipocótilo alonga-se e curva-se para cima, levando os cotilédones para fora do solo, que se expandem em órgãos fotossintéticos, o tegumento se desprende e a plântula forma o caule com as primeiras folhas; na hipógea, não há alongamento do hipocótilo e os cotilédones se mantém no interior do tegumento, sob a terra, a raíz primária penetra o solo para o fundo e o hepicótilo cresce para fora do solo emitindo as primeiras folhas fotossintéticas. Há quatro tipos principais de germinação: epígea, hipógea, intermediária e criptógea.

4.2 - Dormência(topo)

A dormência é um processo que distribui a germinação no tempo como resultado da estratégia evolutiva das espécies para garantir que algumas encontrem condições ambientais favoráveis para desenvolver plantas adultas, bloqueando a germinação sob condições favoráveis imediatas em diferentes graus dentro de uma população, protegendo as sementes da deterioração e sendo superada ao longo do tempo e sob condições naturais de clima ou de alterações climáticas.

Algumas espécies entram em dormência quando a oxigenação é reduzida. Outras, quando à uma iluminação muito intensa.

A dorme caracteriza-se pela incapacidade de germinação de sementes mesmo quando são expostas a condições ambientais favoráveis, ocorrendo de forma primária, quando já está presente nas sementes colhidas, e de forma secundária, quando é causada por alterações fisiológicas provocadas por exposição a condições desfavoráveis à germinação após a colheita.

A dormência impede a germinação, mas é uma adaptação para a sobrevivência das espécies a longo prazo, pois geralmente faz com que as sementes mantenham-se viáveis por maior período de tempo, sendo quebrada em situações especiais; para o silvicultor, a dormência tanto pode servir para manter as sementes por longos períodos, como pode ser um empecilho à germinação, impedindo-a ou tornando-a irregular e, como conseqüência, dificultando a produção de mudas por via sexuada.

A adaptação das espécies quanto ao hábitat e ao estágio sucessional tem forte relação quanto ao tipo de sementes que desenvolveram e ao período de duração da dormência. A maioria das espécies de clima árido desenvolveram sementes ortodoxas e poucas intermediárias, mas nunca recalcitrantes. Nos climas úmidos as espécies podem desenvolver qualquer tipo de semente; nos trópicos úmidos, há tendência para maior número de espécies com sementes recalcitrantes; nos temperados úmidos, são mais comuns as ortodoxas com período de dormência longo. Espécies pioneiras, geralmente, têm sementes ortodoxas que apresentam dormência irregular; e, em geral, produzem uma enorme quantidade de sementes que germinam estratégicamente durante um período de tempo mais ou menos longo, variável de espécie para espécie, podendo chegar a vários anos. Espécies clímax, geralmente, têm sementes recalcitrantes; em geral, produzem sementes grandes que iniciam a germinação assim que caem ao solo, ou mesmo antes de cair, e o período de germinação dificilmente passa de 2 meses. Espécies secundárias, geralmente, possuem sementes intermediárias, com diversos graus de dormência entre as espécies e mesmo variando o grau de dormência nas sementes de uma mesma árvore.

A dormência de sementes pode ser causada por substâncias inibidoras, por resistência mecânica dos tecidos externos ao embrião, pela imaturidade do embrião ou pela dormência do próprio embrião; há sementes que apresentam combinações de dois ou mais destes fatores.

4.2.1 – Causas da dormência(topo)

A dormência pode ser tegumentar ou exógena e embrionária ou endógena, podendo ocorrer independentemente uma da outra ou simultaneamente na mesma semente, neste caso chamada de dupla dormência.

A dormência exógena é devida à impermeabilidade do tegumento à água ou gases e a ndógena pode ser devida à imaturidade do embrião, ou à inibição fisiológica que o impeça de se desenvolver. Há espécies que desenvolvem mecanismos complexos, nos quais cada uma das partes do eixo embrionário da semente apresenta uma diferente intensidade de dormência; em alguns casos, a radícula se desenvolve e o epicótilo não, ao que se denomina de dormência epicotelial; noutras, a radícula apresenta alguma dormência, porém menos intensa que a do epicótilo, representando um caso especial de dormência dupla.

4.2.2 - Tipos de dormência(topo)

A dormência pode ser física, química, mecânica, morfológica ou fisiológica:

Física
É caracterizada pela impermeabilidade do tegumento à agua e gases; pode ser superada através de escarificação;
Química
É devida à presença de fatores inibidores no pericarpo; supera-se removendo o pericarpo;
Mecânica
É provocada por resistência do tegumento ao crescimento do embrião; deve-se remover o pericarpo para superá-la;
Morfológica
Devida à imaturidade do embrião; é superada através de processos de pós-maturação do embrião;
Fisiológica
Deve-se a mecanismos fisiológicos de inibição da germinação; são usados diversos métodos para superá-la, como adição de hormônios e fitoreguladores, lavagem das sementes por longos períodos, tratamento térmico, etc.

Texto modificado

CUNHA, N. T. S. Viveiros Florestais. Manual do Técnico Florestal; Apostilas do Colégio Florestal de Irati. Campo Largo, Ingra S.A., 1986. 4 v., ilust.

FLORIANO, E. P. Germinação e dormência de sementes florestais. Caderno Didático nº 2, 1ª ed./ Eduardo P. Floriano, Santa Rosa, 2004.19 p. il.

4.3 - Fatores externos que influenciam na germinação(topo)

A germinação é uma seqüência de eventos fisiológicos influenciada por fatores externos (ambientais) e internos (dormência, inibidores e promotores da germinação) às sementes: cada fator pode atuar por si ou em interação com os demais. Nesta edição vamos elucidar apenas a influência dos fatores ambientais sobre a germinação.

A germinação é um fenômeno biológico que pode ser considerado pelos botânicos como a retomada do crescimento do embrião, com o subseqüente rompimento do tegumento pela radícula. Entretanto, para os tecnólogos de sementes, a germinação é definida como a emergência e o desenvolvimento das estruturas essenciais do embrião, manifestando a sua capacidade para dar origem a uma plântula normal, sob condições ambientais favoráveis.

Em síntese, tendo-se uma semente viável em repouso, por quiescência ou dormência, quando são satisfeitas uma série de condições externas (do ambiente) e internas (intrínsecas do indivíduo), ocorrerá o crescimento do embrião, o qual conduzirá à germinação. Por isso, do ponto de vista fisiológico, germinar é simplesmente sair do repouso e entrar em atividade metabólica. Dentre os principais fatores que afetam a germinação pode-se citar: a luz, a temperaturas disponibilidade de água e o oxigênio. Referente à sensibilidade luminosa, existe uma ampla variação nas respostas germinativas.

No início do século XX foi descoberto que a germinação de algumas espécies era inibida pela luz, enquanto que em outras a germinação era promovida. Algumas sementes germinam somente com extensa exposição à luz e outras com breve exposição apesar de muitas se apresentarem indiferentes à luminosidade. Certas sementes germinam somente no escuro e outras necessitam de um longo ou curto fotoperíodo diário.

A germinação não está apenas relacionada com a presença ou ausência de luz, mas também com a qualidade de luz. A qualidade de luz durante a maturação da semente é um importante fator controlador da germinação.

Em geral, os fatores luz e temperatura não têm ação independente sobre a germinação de sementes. Assim, a temperatura exerce um importante papel na germinação de sementes fotossensíveis (sensíveis à luz). Com relação à temperatura, esta pode afetar as reações bioquímicas que determinam todo o processo germinativo.As sementes apresentam capacidade germinativa em limites bem definidos de temperatura, variável de espécie para espécie, que caracterizam sua distribuição geográfica.

Assim, a germinação de uma semente depende da temperatura. No estudo dessa dependência é de grande interesse ecofisiológico a determinação das temperaturas mínima, ótima e máxima. A temperatura ótima pode ser aquela em que a maior germinação é alcançada no menor tempo. As temperaturas extremas (abaixo e acima da temperatura ótima) são aquelas onde as sementes não conseguem germinar mais.

Há espécies que respondem bem tanto à temperatura constante como à alternada. A alternância de temperatura corresponde, provavelmente, à uma adaptação às flutuações naturais do ambiente.

Para a maioria das espécies tropicais a temperatura ótima de germinação encontra-se entre 15 e 30ºC. A máxima varia entre 35 e 40ºC, podendo a mínima chegar ao ponto de congelamento. De maneira geral, temperaturas abaixo da ótima reduzem a velocidade de germinação, resultando em alteração da uniformidade de emergência, talvez em razão do aumento do tempo de exposição ao ataque de patógenos. Por outro lado, temperaturas acima da ótima aumentam a velocidade de germinação, embora somente as sementes mais vigorosas consigam germinar.

Entre os fatores do ambiente, a água é o fator que mais influencia o processo de germinação. Com a absorção de água, por embebição, ocorre a reidratação dos tecidos e, conseqüentemente, a intensificação da respiração e de todas as outras atividades metabólicas, que resultam com o fornecimento de energia e nutrientes necessários para a retomada de crescimento por parte do eixo embrionário.

Por outro lado, o excesso de umidade, em geral, provoca decréscimo na germinação, visto que impede a penetração do oxigênio e reduz todo o processo metabólico resultante. A velocidade de absorção de água varia com a espécie, com o número de poros distribuídos sobre a superfície do tegumento, disponibilidade de água, temperatura, pressão hidrostática, área de contato semente/água, forças intermoleculares, composição química e qualidade fisiológica da semente.

O movimento da água para o interior da semente é devido tanto ao processo de capilaridade quanto de difusão e ocorre do sentido do maior para o menor potencial hídrico. Assim sendo, a embebição é essencialmente um processo físico relacionado às características de permeabilidade do tegumento e das propriedades dos colóides que constituem as sementes, cuja hidratação é uma de suas primeiras conseqüências.

O conhecimento de como os fatores ambientais influenciam a germinação das sementes é de extrema importância. Assim, eles poderão ser controlados e manipulados de forma a otimizar a porcentagem, velocidade e uniformidade de germinação, resultando na produção de mudas mais vigorosas para plantio e minimização dos gastos.

Fonte

NASSIF, S.M.N.; VIEIRA. I.G. & FERNADES, G.D. Fatores Externos (ambientais) que Influenciam na Germinação de Sementes. Piracicaba, SP, IPEF (Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais). Informativo Sementes IPEF - Abril 1998.

5 - Coleta de sementes(topo)

A época de maturação das sementes varia de acordo com a espécie, época do ano, podendo ocorrer significativa variação de um lugar para outro, devido variações climáticas, associadas a latitude, longitude e altitude.

Geralmente, o amadurecimento dos frutos está associado ao intenso aparecimento de espécie da avifauna e de outros animais próximos às árvores.

As árvores, das quais são coletadas as sementes, denominam-se porta-sementes ou árvores-matrizes. São aquelas árvores que apresentam características superiores as demais da mesma espécie, tais como:

  1. Não ocorrer isoladamente, mas de preferência em grupos;
  2. Ser natural na região da coleta;
  3. Ter tronco alto, reto e cilíndrico;
  4. Ter ramificação alta e copa bem distribuída;
  5. Ser dominante entre as demais da mesma espécie;
  6. Não apresentar ataque de pragas ou doenças;
  7. Não ser muito velhas, nem muito nova;
  8. Ser vigorosa e apresentar um bom crescimento;
  9. Para Coníferas, apresentar galhos finos e verticilos bem distanciados e ser representativa da espécie.

Qualquer árvore que apresente as características acima descritas pode ser protegida, pois o artigo 7º do Código Florestal estabelece:

"QUALQUER ÁRVORE PODERÁ SER DECLARADA IMUNE DE CORTE, MEDIANTE ATO DO PODER PÚBLICO; POR MOTIVO DE SUA LOCALIZAÇÃO, RARIDADE, BELEZA OU CONDIÇÃO DE PORTA SEMENTES".


5.1 - Métodos de coleta de sementes(topo)

Abaixo seguem alguns métodos de coleta de sementes:

5.1.1 - Coleta em árvores abatidas(topo)

Este sistema é utilizado em poucos países e está sendo cada vez menos usado. Podemos adota-lo apenas quando a árvore vai ser cortada, como por exemplo, na construção de estradas ou represas, caso contrário, estaremos perdendo a árvore matriz.

5.1.2 - Coleta direta na árvore(topo)

Neste método, o coletor sobre na árvore e derruba os frutos ou cones com auxílio de ferramentas cortantes ou impactantes.

Deve-se tomar cuidado para não destruir os frutos verdes ou quebrar muitos galhos, pois isto prejudica a produção do próximo ano.

Os equipamentos empregados para subir na árvore são: esporas e cinturões, cordas, equipamentos para Rapel, escadas, veículos equipados com escadas ou braço-munque, etc.

Para derrubada dos frutos são empregados podões com cabo extensível, tesouras de poda, serras de poda, foices, ganchos, etc. Pra este tipo de coleta é indicado para espécies que possuam sementes muito pequenas ou aladas, que são facilmente levadas pelo vento longe da árvore matriz. Exs: Tabebuia alba, Platanus X acerifolia e Jacaranda micrantha.

5.1.3 - Coleta no chão(topo)

Este método é preconizado para as espécies que produzem frutos grandes e pesados que caem próximo da planta-mãe. Onde a coleta é feita sem dificuldade diretamente no chão, ou, sobre lonas e peneiras colocadas ao redor da árvore. Neste método a coleta deve ser feita quando a queda atinge grande intensidade.

Exs: Araucaria angustifolia e Ocotea porosa.

5.2 - Legislação(topo)

A Lei Federal nº 10.711 de 05 de agosto de 2003 e o Decreto Federal 5.153, de 23 de julho de 2004 são a base para a atividade. Esta Lei atribui ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA a regulamentação e fiscalização da produção de sementes e mudas florestais.

A lei e o Decreto tratam das cultura agrícolas como das florestais e criam exigências importantes para o setor.

Por esta lei fica criado o RENASEM – Registro Nacional de Sementes e Mudas que será mantido pelo MAPA.

O capítulo XII do Decreto 5.153 trata das espécies florestais e cria conceitos, categorias e registros diferentes para a produção florestal, pois esta é diferente da agrícola. Pelo Decreto foram criadas as seguintes categorias de sementes e mudas: identificada, qualificada, selecionada e testada.

É muito importante que os produtores, técnicos e comerciantes compreendam bem estas categorias, pois elas são fundamentais para o entendimento da norma.

A LEI 10.711 criou também o conceito de semente própria.

Por este conceito ficam dispensados de incrição no REBASEM:

  1. As pessoas físicas e jurídica que utilizam sementes ou muda para uso próprio em sua propriedade ou posse;
  2. Os agricultores familiares, os assentados da reforma agrária e os indígenas que multipliquem sementes ou mudas para distribuição, troca ou comercialização entre si;
  3. As instituições governamentais ou não-governamentais que produzam, distribuam ou utilizem sementes e mudas florestais com a finalidade de recomposição ou recuperação de áreas de interesse ambiental, no âmbito de programas de educação ou conscientização ambiental pelo poder público.

5.2.1 - Onde coletar(topo)

  1. Em propriedades particulares você poderá coletar sementes, com a autorização do proprietário e respeitando as normas que regulamentam o uso das Áreas de Reserva Legal. As normas que regulamentam o uso das Reservas são diferentes para cada estado. Fique atento às mudanças!
  2. Florestas Nacionais – FLONA, Reservas Extrativistas – RESEX, Áreas de Proteção Ambiental – APA e Reserva de Desenvolvimento Sustentável, que são Ucs de uso sustentável você poderá coletar sementes com a autorização do órgão gestor. Neste caso sugerimos a organização de grupos de coletores interessados, que vivam nas vizinhanças da UC, para a formalização de parcerias com o gestor da unidade.]
  3. Em parques Nacionais, Estaduais ou Municipais, em Reservas Ecológicas, Reservas Biológicas, Monumentos Nacionais, Estações Ecológicas e Refúgios da Vida Silvestre, que são Unidades de Conservação UC de proteção integral você somente poderá coletar sementes para pesquisa e com a autorização do órgão responsável.
  4. Em áreas Públicas Municipais você deve pedir autorização para coleta na Prefeitura de sua cidade.

Produção e manejo de sementes da Mata Atlântica do Sul do Brasil/ colaboradores Rosa Neli Bento de Andrade...et al.). – ed. Ver. E atual. – Florianópolis: Projeto Rede de Sementes Sul: UFSC/CCB, 2005. 28 p.: il.

6 - Extração(topo)

Após a coleta dos frutos, inicia-se a extração das sementes geralmente ainda presos no interior dos frutos. A extração pode ser dividida de acordo com o tipo de fruto:

6.1 - Frutos secos deiscentes(topo)

Nesta situação, os frutos são colocados para secar em camadas finas, sobre lonas, telas, pisos ou galpões abertos, até a liberação total das sementes.

6.2 - Frutos carnosos(topo)

Para frutos com polpa volumosa e suculenta, a remoção da polpa é inevitável para evitar a decomposição e danos à semente. As sementes dos frutos carnosos podem ser extraídas pela maceração dos frutos sobre uma peneira em água corrente.

Texto modificado

CUNHA, N. T. S. Viveiros Florestais. Manual do Técnico Florestal; Apostilas do Colégio Florestal de Irati. Campo Largo, Ingra S.A., 1986. 4 v., ilust.

7 - Armazenamento de sementes(topo)

O armazenamento tem por objetivo conservar as sementes, preservando suas qualidades físicas, fisiológicas e sanitárias, para posterior semeadura e obtenção de plantas sadias após a germinação.

Os objetivos das sementes armazenadas podem ser diversos, desde a formação de plantios comerciais, até a de bancos de genes de florestas nativas. Dependendo do objetivo, pode ser necessário a sua conservação por períodos curtos ou longos. Sementes são seres vivos completos, somáticos, assim como as mudas que elas geram, ou como as próprias plantas adultas.

Foram criadas pela natureza como órgãos de reprodução e de resistência, para renovar as populações de plantas superiores e para suportar os extremos ambientais onde a espécie se originou e evoluiu. Assim, possuem alguns tecidos indiferenciados, os que compõem o embrião, e outros diferenciados que a tornam resistente e nutritiva. O embrião geralmente é frágil, embora capaz de suportar algumas adversidades, mas os cotilédones (órgãos de nutrição) e o tegumento (órgão de resistência), em geral, são resistentes aos extremos ambientais, principalmente o tegumento. Quando se pensa em armazenar sementes é necessário lembrar disso, pois as condições ótimas para conservação e reprodução da espécie são as naturais do local de origem.

O embrião é a parte essencial da semente e, no armazenamento, a maior preocupação é mantê-lo vivo e pronto para retornar ao crescimento. A manutenção das condições dos cotilédones para alimentá-lo também são importantes, pois contêm todas as substâncias necessárias para o início do desenvolvimento do embrião. O tegumento envolve e protege toda a semente, mas para a conservação e germinação nas condições de viveiros ele pode ser tanto útil, como um empecilho. O tegumento tem uma falha, uma região mais sensível que é o hilo, pelo qual a semente esteve presa ao fruto. É pelo hilo que a semente se comunica com o exterior com maior facilidade. Nas sementes estão presentes substâncias que impedem a sua germinação em condições inadequadas para o desenvolvimento da futura muda e outras que promovem sua germinação em época de bonança. A maioria destas substâncias é desconhecida para nós.

Sabe-se que existem, umas poucas foram descobertas e, destas, uma pequena parte teve sua função decifrada. Assim, quando se testa condições de armazenamento e germinação, na verdade se está tentando fazer com que estas substâncias entrem em atividade, imitando-se a natureza em época, respectivamente, desfavorável e favorável para o desenvolvimento do embrião. Quando o fruto está maduro, em algumas espécies, as sementes se desprendem dele, noutras não, e o embrião pode não estar maduro neste momento; há casos em que se deve promover a pós-maturação do embrião para que a semente germine.

As sementes de várias espécies podem ser armazenadas por longos períodos sem tratamento, como muitas leguminosas pioneiras, mas outras necessitam preparação para o armazenamento e condições ambientais especiais. Assim, além do tratamento da própria semente, são necessários embalagem e ambiente apropriado. Os principais meios utilizados para o armazenamento de sementes são a câmara fria, a câmara seca e a câmara fria seca, que se adaptam à maioria das situações.

Nesta parte são abordados os fatores que, a partir da coleta dos frutos perfeitamente maduros e do beneficiamento das sementes, influem na conservação de sua viabilidade pelo maior período de tempo possível e os tratamentos, embalagens e ambientes adequados para o armazenamento.

7.1 - Longevidade e deterioração de sementes(topo)

Dependendo da espécie, as sementes de árvores podem permanecer vivas por períodos que vão de apenas alguns dias até décadas. Espécies pioneiras geralmente possuem sementes que mantêm sua viabilidade com teores de umidade entre 8 e 12%, podendo ser armazenadas em baixas temperatura e umidade do ar, ficando pouco suceptiveis à deterioração por agentes bióticos ou pela queima de suas reservas; espécies clímax normalmente apresentam sementes que se mantêm viáveis somente com altos teores de umidade (30 a 40%) e por curtos períodos, praticamente impossibilitando o armazenamento, devendo ser semeadas logo após sua colheita e beneficiamento.

Uma classificação de longevidade de sementes, válida para condições naturais, foi realizada por Ewart em 1908, que as dividiu em três grupos:

Microbióticas
Têm período de vida inferior a 3 anos, incluindo a maioria das recalcitrantes;
Mesobióticas
Com período de vida superior a 3 e até 15 anos no máximo;
Macrobióticas
São as que mantém a viabilidade por mais de 15 anos.

A classificação de Ewart não é aplicável para condições artificiais porque a maioria das sementes, quando tiradas do ambiente natural, têm sua fisiologia alterada e podem ou ter seu período de vida ampliado ou reduzido, dependendo da espécie e condições de armazenamento.

Toda e qualquer semente armazenada sofre deterioração que pode ser mais rápida ou mais lenta, dependendo das características ambientais e das características das próprias sementes. Geralmente a redução da luminosidade, da temperatura e da umidade de ambos, sementes e ambiente, faz com que seu metabolismo seja reduzido e que os microorganismos que as deterioram fiquem fora de ação, aumentando sua longevidade.

Além disso, já se comprovou que os próprios constituintes da semente podem torná-las mais longevas, ou não. Substâncias de reserva presentes nas sementes como os óleos, que são mais instáveis que o amido, podem fazer com que a semente se auto-deteriore mais rapidamente. Muitas sementes são envoltas por frutos carnosos, que tanto podem ser importantes para sua dispersão e germinação na natureza, como podem servir como meio de cultura para micro-organismos que as deterioram quando as queremos conservar.

Em 1912, Elliott dividiu as sementes de árvores de florestas temperadas em três classes: (1) as que podem ser desidratadas; (2) as que podem sobreviver com desidratação parcial; (3) as que raramente podem ser desidratadas.

A classificação de sementes em ortodoxas e recalcitrantes,proposta por Roberts em 1973, é a mais utilizada atualmente para o comportamento de sementes quanto às condições de armazenamento. Uma terceira categoria foi proposta em 1990 por Ellis et al. as intermediárias, cuja definição está baseada na resposta de longevidade ao ambiente de armazenamento, sendo que estas apresentam tendência para longevidade crescente quanto menor o teor de umidade da semente no armazenamento (sob condição de ar-seco), mas esta condição é invertida a um teor de umidade relativamente alto e, a partir deste ponto, a redução do teor de umidade implica em redução da longevidade.

As sementes que podem ser estocadas com menos de 10% de teor de umidade mantendo ou aumentando a longevidade são as ortodoxas; as sementes recalcitrantes não podem ser desidratadas para teor de umidade abaixo de 25% a 50%, dependendo da espécie, sem perder a viabilidade. Esta sensibilidade para dessecação tem implicações importantes no armazenamento de sementes. Sementes ortodoxas podem ser desidratadas sem dano para baixos teores de umidade e, sob uma extensa gama de ambientes, sendo que a longevidade no armazenamento aumenta com a diminuição do teor de umidade e da temperatura de modo controlado.

Sementes recalcitrantes, quando são colhidas e a seguir desidratadas, têm sua viabilidade reduzida à medida que a umidade é perdida, no princípio ligeiramente, mas começa a ser reduzida consideravelmente a partir de um certo conteúdo de umidade, chamado de "teor de umidade crítico". Se a desidratação é levada adiante, a viabilidade é reduzida geralmente até zerar. A perda de viabilidade de sementes recalcitrantes na desidratação é atribuída a duas causas principais: (1) como conseqüência de metabolismo desequilibradodurante a desidratação e possivelmente também quando são armazenadas na condição hidratada; (2) dano por desidratação quando a água é essencial para a integridade de estruturas intracelulares.

A longevidade das sementes está relacionada a muitos fatores, alguns ainda desconhecidos, outros já comprovados, que merecem ser citados:

Deterioração do DNA embrionário – As proteínas dos núcleos das células dos embriões das sementes se degeneram com o tempo, causando aberrações cromossômicas que impedem a germinação;

Umidade – Em geral, quanto menor o teor de umidade das sementes, menor sua atividade fisiológica e menor a atividade fisiológica dos agentes; em semente recalcitrante, baixo teor de umidade pode levar à sua deterioração e mesmo à morte de seu embrião;

Temperatura – Em geral, quanto menor a temperatura, menor a atividade fisiológica das sementes e dos agentes deterioradores; em semente recalcitrante, temperaturas baixas podem levar à sua deterioração e mesmo à morte de seu embrião;

Quantidade de substâncias de reserva da semente – Geralmente, quanto menor a semente e quanto menor a quantidade de substâncias de reserva da mesma, menor seu período de viabilidade;

Teor de óleo das sementes – Óleos são substâncias de reserva mais instáveis do que os hidrátos de carbono e são responsáveis por uma deterioração mais rápida das sementes;

Luminosidade – A luminosidade favorece a oxidação e a alteração das substâncias presentes nas sementes, facilitando sua deterioração; Tempo de estocagem (processo do envelhecimento) – Todos os componentes químicos de um ser vivo são instáveis seja em curto ou longo prazo, vindo a se transformar em outros à medida que o tempo passa (envelhecimento), levando as sementes à deterioração gradual e constante em maior ou menor velocidade. Como conseqüência do tempo de estocagem, pode ocorrer redução da velocidade de crescimento das plântulas, aumento da permeabilidade da membrana citoplasmática, redução da atividade de algumas enzimas, maior susceptibilidade a estresses, mudanças na respiração, alteração nas reservas alimentícias, alteração na cor, alteração na velocidade de síntese dos compostos orgânicos.

O processo de deterioração é parcialmente controlado por métodos adequados de produção, colheita, secagem, beneficiamento e armazenamento.

7.2 - Condições para o armazenamento(topo)

São princípios gerais do armazenamento de sementes: O armazenamento não melhora a qualidade das sementes, apenas as mantêm; Quanto maior a temperatura e a umidade no armazenamaento, maior será a atividade fisiológica da semente e mais rápida sua deterioração; A umidade é mais importante do que a temperatura; A umidade da semente é função da umidade relativa e em menor escala da temperatura; O frio seco é a melhor condição para o armazenamento de sementes ortodoxas; Sementes imaturas e danificadas não resistem bem ao armazenamento, enquanto as sementes maduras e não danificadas permanecem viáveis por mais tempo; O potencial de armazenamento varia com a espécie; Pode-se acrescentar ainda que: sementes armazenadas sempre deterioram com o passar do tempo.

As condições acima são adequadas para sementes ortodoxas, enquanto para as recalcitrantes, nem sempre são aplicáveis e, destas, cada espécie tem suas exigências específicas.

Espécies recalcitrantes, geralmente, necessitam manter a umidade com que foram colhidas, não suportando perdas superiores a 5% da umidade inicial para permanecerem viáveis. O ambiente adequado à conservação, pode ser obtido enterrando-as em carvão úmido, serragem úmida, ou areia úmida; mas há espécies que necessitam de boa aeração e não podem ser enterradas, devendo ser acondicionadas em sacolas de papel ou em caixas abertas para possibilitar boa difusão de oxigênio, devendo ser colocadas em ambiente com

elevada umidade relativa para não desidratar.

As espécies intermediárias tropicais apresentam comportamento, com relação à temperatura, diferente das de clima temperado (incluindo altas altitudes nos trópicos). Sementes intermediárias tropicais, como as de Coffea arabica e de Carica papaya, podem ser armazenadas com teor de umidade de 9 a 10 % e 10 °C de temperatura por até 5 e 6 anos, respectivamente, sem perda de viabilidade; de outro lado, a viabilidade de sementes de espécies de clima temperado, de comportamento intermediário, pode ser conservada com a mesma umidade, mas a temperaturas mais baixas, de 5 °C a -10 °C. Sementes de espécies de comportamento intermediário podem ter longevidade média no armazenamento, contanto que o ambiente ótimo tenha sido identificado e possa ser mantido.

A longevidade das sementes armazenadas é influenciada principalmente pelos seguintes fatores:

  1. Qualidade inicial das sementes;
  2. Teor de umidade da semente;
  3. Tempo decorrido entre colheita e o armazenamento;
  4. Tratamentos fitosanitários e térmicos aplicados;
  5. Tipo de embalagem;
  6. Temperatura de armazenamento;
  7. Umidade relativa de armazenamento.

O armazenamento deve ser realizado em diferentes condições, dependendo da espécie e das características de suas sementes. Algumas das condições de armazenamento utilizadas atualmente são descritas a seguir:

Armazenamento seco com baixa temperatura – Este tipo de ambiente é adequado armazenar sementes ortodoxas. Obtém-se através de câmaras frias e desumidificadores. A temperatura de armazenamento é mantida entre 3 a 5 º C para espécies ortodoxas temperadas e entre 10 e 20º C para espécies ortodoxas tropicais (Hong e Ellis, 2003), com a umidade relativa do ar em torno de 45%.

Armazenamento úmido com baixa temperatura – É utilizado para conservar sementes recalcitrantes que necessitam de ambiente úmido, como a Araucaria angustifólia. Obtém-se através de câmaras frigoríficas ou refrigeradores. A temperatura é mantida entre -3º C e 5º C para as recalcitrantes temperadas e entre 7 e 17º C para as recalcitrantes tropicais, com a umidade relativa entre 98 e 99%, sendo que a maioria das recalcitrantes necessita de boa aeração.

Armazenamento à umidade e temperatura ambientais – Usa-se para sementes de espécies de tegumento duro, como a bracatinga, o guapuruvu, o flamboyant e outras. É necessário o uso de embalagens adequadas, preferencialmente semipermeáveis ou impermeáveis, dependendo da sensibilidade da espécie à desidratação. É recomendável para curto período de tempo.

Criopreservação – Tem sido utilizada para armazenamento de sementes ortodoxas a longo prazo, principalmente para conservação de germoplasma; a criopreservação (ou crio-armazenamento) é realizada a temperaturas extremamente baixas, entre -80 °C e -196 °C, obtidas com nitrogênio líquido; exemplos de sucesso da técnica, com pouca ou nenhuma perda de viabilidade, já existem com Pinus, Pseudotsuga menziesii, Thuja plicata e Tsuga heterophylla, Aegiphilla lhostzkiana, Albizia lebbek, Anadenanthera macrocarpa, Bauhinia sp., Cassia ferruginea, Chlorisia speciosa, Hymenaea stignocarpa, Mimosa setosa, Platipodium elegans, Qualea parviflora, Roupala montana, Sclerobium aureum, Tabebuia umbellata

7.2.1 - Embalagens para armazenamento(topo)

O tipo de embalagem afeta a viabilidade das sementes de muitas espécies de forma diferenciada. Por exemplo, as sementes de Cabralea canjerana armazenadas a 5º C de temperatura em saco plástico matém o período de germinação inicial por mais tempo do que em ambiente aberto, enquanto o saco de filó prolonga sua viabilidade. As embalagens para armazenamento podem ser abertas ou fechadas.

As abertas são utilizadas para sementes que necessitam de aeração e as fechadas para as que são sensíveis às flutuações da umidade e não tem problemas quanto à aeração. Além disso, as embalagens podem ser permeáveis, semipermeáveis e impermeáveis, como segue:

Embalagens permeáveis e semipermeáveis – Sacolas de papel e sacolas plásticas de pequena espessura permitem troca de gases e de umidade com o ambiente e são adequadas para a conservação de sementes ortodoxas de tegumento duro e para as recalcitrantes que necessitam de aeração.

Embalagens impermeáveis – São adequadas para estocagem de sementes ortodoxas por longos períodos (de 2 a 10 anos), sob temperaturas de 0 a 10º C, com teor de umidade de 8 a 10% (Hong e Ellis, 2003). Podem ser de vidro, metal ou de plástico espesso.

7.2.2 Tratamentos para o armazenamento(topo)

7.2.2.1 - Secagem de sementes(topo)

A secagem de sementes é utilizada com as ortodoxas, usualmente em bandejas ao ar livre e sob cobertura, em local de boa ventilação, mas também pode ser feita em estufa. Sementes intermediárias podem ser desidratadas até certo grau da mesma forma. A secagem normalmente aumenta o vigor e a longevidade das sementes, mas deve-se ter cuidado, pois a tolerância à desidratação diminui quando as sementes são submetidas inicialmente a condições próprias para a germinação. Por exemplo, pré-resfriamento, armazenamento úmido, pré-saturação, tratamento de fermentação para extração da semente, e semente preparando podem reduzir a tolerância à desidratação e, conseqüentemente, alterar o comportamento de armazenamento de semente.

A secagem de material vegetal é necessária para evitar a degradação e alterações químicas dos tecidos durante o armazenamento. A secagem em estufa tem a desvantagem de que mudanças bioquímicas podem ocorrer no material e ter sua composição alterada, se comparado ao material fresco.

7.2.2.2 - Liofilização de sementes(topo)

A liofilização a vácuo mantém a maioria das propriedades bioquímicas dos tecidos vegetais, mas tem a desvantagem de ser um procedimento que requer equipamento dispendioso.

Recentemente, a liofilização vem sendo utilizada para secagem de sementes destinadas ao armazenamento. Apresenta a vantagem de proporcionar desidratação para teores de umidade muito baixos, sem alteração da composição química das sementes, que podem ser armazenadas sem deterioração por longo período de tempo, devendo ser acondicionadas em embalagem impermeável e opaca, pois o material liofilizado se deteriora quando iluminado. O processo é realizado com aparelho denominado de liofilizador.

7.2.2.3 - Peletização de sementes(topo)

Peletização é um termo usado na indústria para denominar o processo físico-químico no qual pequenas partículas são forçadas a se agregar formando um granulo compacto, de fácil manejo e maior tamanho chamado Pellet, que em português significa pelota.

Em sementes, peletização é o recobrimento de sementes pequenas com material inerte como pó de fosfato de rocha, ou de calcário, com auxílio de um adesivo. É realizada com os objetivos principais de homogeneização da forma e aumento do tamanho para facilitar a manipulação das sementes e possibilitar a automação do processo de semeadura, além de economizar sementes.

Geralmente é usada com sementes pequenas ou com sementes que possuem uma forma que dificulta o plantio. Muitas espécie florestais, como os Eucalyptus, possuem sementes pequenas, com diâmetro próximo de 0,5 mm, o que dificulta a manipulação e o plantio. As seringas e semeadeiras automáticas injetam em torno de 5 sementes por vez, sendo necessário eliminar o excesso de plantas germinadas posteriormente. A peletização permite o uso de uma única semente por recipiente, apresentando vantagens como a redução da quantidade de sementes usadas e a eliminação da necessidade de raleio.

Texto modificado

CUNHA, N. T. S. Viveiros Florestais. Manual do Técnico Florestal; Apostilas do Colégio Florestal de Irati. Campo Largo, Ingra S.A., 1986. 4 v., ilust.

FLORIANO, E. P. Armazenamento de sementes florestais. Caderno Didático nº 1, 1ª ed./ Eduardo P. Floriano. Santa Rosa, 2004.10 p.

IPEF. Peletização de sementes. IPEF Notícias, Ed.165, Piracicaba, ulho/Agosto/Setembro de 2003.

8 - Descrição do método adequado de quebra de dormência(topo)

Relação de espécies encontradas em Irati com descrição do método adequado de quebra de dormência
Nome Científico Método para superação da dormência
Acacia mearnsii De Wild. Imersão em água a 90ºC e permanência fora do aquecimento por 24horas, ou Escarificação mecânica por 4 segundos, em lixa de óxido de aluminio nº 80.
Acacia podalyriaefolia A. Cunn. Imersão em água fervente e manutenção por 12 horas na mesma água.
Acer negundo L. Estratificação por 90 dias a 5ºC em areia úmida.
Aleurites fordii Hemsley. Corte do tegumento da semente na extremidade oposta à da radícula.
Cabralea canjerana (Vell.) Mart. Remoção da polpa e lavagem em água corrente.
Caesalpinia leiostachya (Benth.) Ducke Escarificação mecânica por 3 segundos.
Cassia leptophylla Vogel Corte do tegumento na extremidade onde é emitida a radicular, ouescarificação mecânica por 3 a 30 minutos.
Centrolobium robustum (Vell.) Mart. ex Benth. Imersão em água à temperatura de 25ºC por 48 horas
Croton urucurana Baill. Choque Térmico
Cryptocarya aschersoniana Mez Trincagem do tegumento da semente.
Cupressus lusitanica Mill. Imersão em água por 24 a 48 horas, ou Estratificação úmida de 30 a 60 dias a 4ºC.
Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong Imersão em ácido Sulfúrico por 90 minutos.
Erythrina falcata Benth. Imersão das sementes em água à temperatura de 80ºC, seguida de repouso na mesma água, por 24 horas, ou Imersão em água à temperatura de 25ºC por 48 horas.
Erythrina speciosa Andrews Escarificação mecânica por um minuto.
Hovenia dulcis Thunb. Imersão em água fervente e permanência por 12 horas na mesma água.
Ilex paraguariensis A. St.-Hil. Estratificação em areia úmida por 150 dias.
Koelreuteria paniculata Laxm. Imersão em H2SO4 por uma hora seguida de lavagem em água corrente, ou Imersão em água a 80ºC e permanência fora do aquecimento até o resfriamento, ou Estratificação em areia úmida a 5ºC por 90 dias.
Leucaena leucocephala (Lam.) de Wit Imersão em água a 100ºC e permanência fora do aquecimento por 24 horas. Imersão água em temperatuta ambiente por 12 horas.
Ligustrum lucidum W.T. Aiton Estratificação em areia úmida de 2º a 3ºC por 60 a 90 dias.
Liriodendron tulipifera L. Estratificação em areia úmida durante os meses de inverno à temperatura ambiente.
Magnolia grandiflora L. Estratificação em areia de 4ºC a 5ºC por 90 a 150 dias.
Mimosa bimucronata (DC.) Kuntze Imersão em água a 80ºC por 1 minuto e permanência fora do aquecimento por 18 horas.
Mimosa flocculosa Burkart Imersão em água à temperatura entre 60ºC e 70ºC seguida de repouso na mesma água, por 18 horas
Mimosa scabrella Benth. Imersão em água a 80ºC e permanência fora do aquecimento, por 18 horas. Ou imersão água a 70ºC por 5 minutos.
Myrsine ferruginea (Ruiz & Pav.) Spreng. Colocar em estufa por 12 horas à temperatura de 20ºC e 12 horas à temperatura de 30ºC.
Ocotea porosa (Nees & C. Mart.) Barroso Escarificação mecânica, ou estratificação em areia úmida, à sombra, por 60 dias.
Ocotea puberula (Rich.) Nees Imersão em H2SO4concentrado por 5 minutos, seguida de lavagem em água corrente e estratificação em areia por 150 dias em ambiente natural
Peltophorum dubium (Spreng.) Taub. Escarificação mecânica por 6 segundos, em lixa nº 80, ou Imersão em H2SO4 concentrado por 8 minutos seguida de lavagem em água corrente.
Piptadenia gonoacantha (Mart.) J.F. Macbr. Imersão em água à temperatura ambiente (25ºC) por 48 horas.
Platanus X acerifolia(Ait.) Willd Imersão em água por 4 dias.
Psidium guajava L. Imersão em água à temperatura ambiente (25ºC) por 48 horas.
Psidium spp Imersão em água à temperatura ambiente (25ºC) por 48 horas.
Sambucus nigra L. Estratificação em areia à temperatura de 5ºC por 90 dias.
Schinus molle L. Remoção da casca do fruto e lavagem em água corrente.
Schizolobium parahyba (Vell.) S.F. Blake Imersão em água a 96ºC e permanência fora do aquecimento, por 48 horas. Ou, escarificação mecânica.
Senna macranthera (DC. ex Collad.) H.S. Irwin e Barneby Imersão em H2SO4 concentrado, por 50 minutos.
Senna multijuga (Rich.) H.S. Irwin & Barneby Imersão em água a 100ºC e permanência fora do aquecimento, por 48 horas.
Senna occidentalis Imersão em água à temperatura inicial de 96ºC, seguida de permanência na mesma água, fora do aquecimento, por 18 horas, ou Imersão em H2SO4 concentrado por 20 minutos.
Sesbania punicea (Cav.) Benth. Escarificação mecânica das sementes com lixa de madeira, seguida de imersão em água, por 72 horas.
Sesbania virgata (Cav.) Pers. Imersão em H2SO4 concentrado de 40 a 50 minutos.
Styrax leprosus Hooker & Arnott Imersão em H2SO4 (75%) por 30 minutos, seguida de lavagem em água corrente, ou Escarificação mecânica, por 2 segundos.
Syagrus romanzoffiana (Cham.) Glassman Despolpar os frutos recém-colhidos. Imersão em água à temperatura de 25ºC por 96 horas.
Tipuana tipu (Benth.) Kuntze Imersão das sementes em água à temperatura ambiente (25ºC) por 48 horas.
Trema micrantha (L.) Blume Imersão em água a 50ºC ou ácido sulfúrico por 5 minutos.
Zeyheria tuberculosa (Vell.) Bureau Imersão em água parada por 15 horas.

Notas de Rodap?

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